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sábado, 29 de outubro de 2016

Educação Física vai voltar a contar para a média de acesso ao superior


A disciplina de Educação Física vai voltar a contar para a média no acesso ao ensino superior. O anúncio foi feito, segundo a Lusa, na sexta-feira, pelo secretário de Estado da Educação, João Costa. Nesta segunda-feira, fonte do Ministério da Educação (ME) preferiu não se comprometer com datas, até porque esta alteração se insere “no quadro mais amplo de trabalho que se encontra em curso com as associações de professores sobre a gestão do currículo”.

A nota de Educação Física deixou de contar para a média no ano lectivo de 2012/13, para os alunos que iniciaram então o 10.º ano. Em 2014/15, deixou de contar para todos os alunos, por iniciativa do então ministro da Educação, Nuno Crato. Desde então, a nota a essa disciplina é considerada apenas nos casos dos estudantes que escolhem cursos relacionados com o desporto quando se candidatam ao superior.

“Os alunos vão beneficiar com esta mudança, porque a Educação Física é importantíssima e transversal à formação escolar geral, desde o pré-escolar até ao 12.º ano. Aliás, nunca compreendemos por que é que a disciplina deixou de contar para a nota”, congratulou-se o presidente do Conselho Nacional de Associações de Professores e Profissionais de Educação Física, Avelino Azevedo.

Porque “o exercício físico pode melhorar as funções executivas e cognitivas que estão na base do sucesso escolar de cada aluno”, aquele responsável garante que os directores das escolas e os professores das restantes disciplinas aplaudem também a mudança. “Quando a Educação Física deixou de contar para a nota, e passou a integrar a área de Expressões, houve uma diminuição de 20% no número de aulas dedicadas ao desporto e isso contribuiu muito para o aumento da indisciplina no 3.º ciclo. Os próprios professores de Português e Matemática têm vindo a reclamar mais actividade física porque os miúdos destas idades não conseguem estar tanto tempo parados numa sala de aula”, acrescentou Avelino Azevedo.

O ME explicou que esta mudança se enquadra na reflexão que tem vindo a fazer, juntamente com as associações de professores, a propósito da definição das competências tidas como essenciais nas diferentes disciplinas. “Depois desta ampla discussão sobre a gestão do currículo no seu todo, qualquer alteração que eventualmente se possa produzir só terá efeito – para os alunos que entrarem no 10.º ano – após a publicação da legislação relevante”, ressalvou o ME numa resposta escrita, evitando assim comprometer-se com datas.

Informação retirada daqui

domingo, 9 de outubro de 2016

"Faltam professores com boa disposição e alegria"


As mulheres, hoje em maioria no ensino português, tiveram um percurso de conquista no século XX. A partir de 1950 iniciou-se uma participação mais efetiva das mulheres no ensino básico nacional

Maioria de docentes são mulheres, com mais de 40 anos e licenciatura. No dia do professor, traçamos o perfil, com a ajuda de um. Que, aos 59 anos, diz ser preciso "sangue novo" nas escolas

"Tenho 36 anos de serviço, e 59 de idade, feitos ontem". E um sorriso na voz enérgica, mesmo se a maioria do que tem para dizer é pouco prazenteiro. Teresa Santos Costa é docente do primeiro ciclo do ensino básico no agrupamento de escolas Eugénio de Castro, em Coimbra, está há quatro anos como "professora de apoio", por achar a função mais adequada à sua idade e por se sentir "muito cética, muito desencantada com o momento presente. Acho que a escola se tornou numa coisa pouco interessante."

Admite que a disposição possa ser fruto da idade e da energia decrescente que o tempo quase sempre implica, nesta profissão como noutras. "Pode suceder em todas mas com os professores quem sai prejudicado são os alunos. É aborrecido quando há um número significativo de professores que não estão satisfeitos, estão aborrecidos... "

Num grau de ensino no qual, de acordo com O Perfil dos Professor 2014/2015, do ministério da Educação, 86,6% dos docentes são mulheres (o que ainda assim nos coloca abaixo da média da OCDE) - só há mais na pré-primária, em que são uns impressionantes 99,1%, contra 72,3% nos segundo ciclo e 71,6% no terceiro ciclo e secundário - Teresa é parte dos 33,1% mais velhos; só 1,4% têm menos de 30 anos, 30,4% têm entre 30 e 39 e 35,2% entre 40 e 49. Um valor um pouco acima da média da OCDE (31% dos professores primários têm mais de 50 anos), em contraste com o facto de sermos o segundo país, depois de Itália, com menos docentes neste grau menores de trinta. "Os professores do primeiro ciclo estão envelhecidos. Se calhar não era normal a reforma ser aos 52, como era até há 10 anos. Mas ensinar até aos 66? Acho que não faz sentido." O que faria sentido, então? "Até aos 60, talvez. As pessoas a partir de uma certa idade perdem uma série de capacidades para estar perante crianças. Até em termos físicos. São cinco horas consecutivas com alunos na sala de aula: ó professora isto, ó professora aquilo..." Suspira. "Quando assinei o meu contrato tinha de dar 32 ou 34, já nem sei, anos de serviço... Precisamos de injetar sangue novo no sistema, boa disposição, alegria."

Com um salário líquido de cerca de 2000 euros, Teresa está no topo de uma carreira em que não existem, ao contrário do que passa na generalidade dos países da OCDE, diferenças de vencimento entre níveis de ensino (exceção feita aos professores universitários) mas sim em termos de tempo de serviço e na qual os docentes portugueses com mais anos de profissão se encontram entre os mais bem pagos (55 mil euros/ano), enquanto os que a iniciam (27 mil euros/ano) e os dos graus seguintes (aos 10 e 15 anos) se encontram numa posição contrária ou média. Sendo, aparentemente, os que menos protestam: "Os mais novos, que têm a situação mais periclitante, não falam. Cumprem, e cumprem bem. Mas é muito diferente do que era o ambiente de quando eu comecei, em que havia mais discussão, mais troca de ideias." É justa uma diferença de salário tão acentuada entre os novos e os mais velhos? A professora do primeiro ciclo hesita. "Provavelmente não deveria haver uma discrepância tão grande entre o princípio e o final da carreira. Mas não acho que um professor ganhe assim tão bem. Claro, poder-se-á considerar que sou uma privilegiada, porque as carreiras estão muito difíceis para os mais novos, que passando muitos anos como contratados terão muita dificuldade em chegar ao topo."

A comparação entre os salários dos professores e dos trabalhadores com o mesmo nível de habilitações - neste caso, licenciatura, já que mas de 80% dos docentes, da pré-primária ao secundário, tem-na - efetuada pelo mais recente relatório Education at a glance (Um olhar sobre a Educação) da OCDE, publicado no mês passado, não inclui Portugal: o país não terá disponibilizado dados. O que se sabe a partir do relatório é que, enquanto na generalidade dos países retratados os salários dos professores até ao secundário aumentaram entre 2005 e 2014, em Portugal, como no Reino Unido, desceram mais de 10% (e 30% na Grécia).

Teresa, que nasceu em Moçambique e veio para Portugal em 1974, aos 16 anos, tirou primeiro o curso do magistério primário. "Era o que equivale a um bacharelato, era de três anos. Depois, mais tarde, fiz licenciatura e mestrado. A ideia era arranjar trabalho o mais depressa possível e consegui. O meu primeiro posto foi numa escola num concelho rural, Góis, no interior do distrito de Coimbra. Tive uma má experiência no primeiro ano, porque os professores mais velhos deixavam para os mais novos as turmas piores e havia nessa altura estudantes de 13 e 14 anos, retidos, na primária. Tinha oito ou nove desses problemáticos, filhos de gente alcoolizada, agressivos, e foi muito difícil, até porque estava na mesma aula que os miúdos que tinham passado com sucesso para o terceiro ano." Como compara a escola de hoje com a desse tempo? "O que se verifica hoje é que há um número excessivo de alunos na mesma sala, incluindo crianças com dificuldades de aprendizagem, com autismo, até trissomia e sem o apoio necessário. Na minha escola entraram agora três crianças autistas. Temos uma unidade de autismo mas é insuficiente. Precisamos de mais pessoal especializado. Claro que quando comecei a trabalhar estas crianças não estavam nas escolas públicas, havia escolas vocacionadas para crianças com deficiência. Mas temos também em cada vez maior número crianças com dificuldades de aprendizagem. Porquê? Se calhar há uma grande diferença entre o que a escola ensina e oferece e o que os miúdos desejam aprender - acho que há um desfasamento cada vez mais profundo."

Os dados da OCDE referem um aumento do tamanho das turmas da primária em 14% entre 2005 e 2014, mas Portugal surge como estando, em 2014, abaixo da média de alunos por turma da OCDE quer no ensino primário (21) quer no segundo ciclo (23).

Falamos dos alunos. E os professores, como evoluíram? "Acho que há muita gente que teria vocação para ser professor, e que agora..."

Informação retirada daqui

terça-feira, 13 de março de 2012

Diretores de escolas públicas discordam de novo diploma de autonomia

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e das Escolas Públicas (ANDAEP) disse à Lusa que o novo diploma de autonomia e gestão das escolas "põe toda a gente a mandar no diretor".

"Só o diretor é que não manda em ninguém. O seu papel está mal definido nesta proposta do Ministério da Educação e acaba por fragilizar a escola pública", lamentou Adalmiro Fonseca, no final da Assembleia Geral da ANDAEP, que hoje decorreu em Leiria.

"O facto de, no novo diploma que está em discussão, se prever que os coordenadores dos departamentos nas escolas sejam eleitos e não nomeados fragiliza a liderança dos diretores, que não podem sequer escolher a sua própria equipa", exemplifica.

Por outro lado, sublinha Adalmiro Fonseca, os diretores dos agrupamentos e das escolas públicas "entendem que é incompreensível serem avaliados pelos conselhos coordenadores de avaliação porque isso vai contra o código do procedimento administrativo e cria conflitualidades, uma vez que nesse órgão podem estar elementos que são avaliados pelo próprio diretor".

O responsável da ANDAEP disse que estas são algumas das conclusões dos trabalhos que decorreram hoje em Leiria e que querem transmitir ao Ministério da Educação, no decorrer de uma audiência que vão pedir "de imediato" ao secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida.

Outra das conclusões "importantes", salienta o presidente da ANDAEP, prende-se com a rejeição das agregações das escolas.

"O Ministério justifica que o aluno deve ter um projeto educativo sequencial e por isso as escolas devem juntar-se para proporcionar isso, só que essa ideia não faz sentido enquanto o aluno puder escolher o estabelecimento de ensino e, portanto, mudar de escola se assim entender", explica Adalmiro Fonseca.

O responsável da ANDAEP assegurou que estas conclusões e a discussão "foram feitas sem drama, com muito sossego, mas dão à Associação argumentos para tentar alterar um diploma", mostrando-se esperançado que o Ministério da Educação seja "sensível" às pretensões dos diretores escolares.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Escolas querem mais tempo para Português no 12.º ano

O Conselho das Escolas (CE) quer aumentar a carga horária de Português em 45 minutos no 12.º ano, devido à extensão e exigência do programa e aos resultados "cada vez mais baixos" nos exames nacionais.
A posição deste órgão consultivo do Ministério da Educação está espelhada no parecer que entregou na segunda-feira ao secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida e a que a agência Lusa teve acesso.
No documento, aprovado pelos conselheiros na sexta-feira, a propósito da revisão da estrutura curricular do ensino básico e secundário, sustenta-se ainda que a necessidade de reforço se deve também à "complexidade conceptual dos conteúdos literários" e à falta de tempo para desenvolver actividades necessárias para se atingir a eficácia de expressão escrita e oral exigida neste nível de escolaridade.
O CE diz ainda que a actual carga horária é inferior à das demais disciplinas sujeitas a exame nacional.
O conselho considera, por outro lado, que deve manter-se uma área curricular não disciplinar de formação cívica do 5.º ao 12.º ano porque dá "um contributo valioso para a formação integral dos jovens, para a construção da sua cidadania e para a melhoria do clima de escola".
A actualização do leque de opções no ensino secundário, tendo em conta o seguimento dos estudos e as necessidades do mercado de trabalho são outra proposta do CE.
Para o efeito, propõe-se a criação de disciplinas e a focalização da atenção do aluno no conhecimento fundamental, proporcionando "uma melhor gestão do tempo de estudo".

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Confissão de um professor ...

Publicado em 19 de Novembro de 2010 por Arnaldo Antunes
Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.

Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.

De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila - oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude.
Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche.
O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas...
Sem saber o que dizer, segureia-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada. Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta.
Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».
Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?
É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos. É este o Portugal de sucesso e orgulho do Sócrates!!!!
Divulguem e não se cansem de divulgar por esse mundo fora.....Não se calem.....

CNO do Centro de Formação Profissional de Leiria

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Milhares de professores podem retroceder na carreira e ter de restituir vencimentos

Os representantes das associações de directores de escolas e a vice-presidente da Federação Nacional de Educação (FNE), Lucinda Dâmaso, manifestaram-se ontem "profundamente" preocupados com "a possibilidade de um número significativo de docentes retroceder na carreira e ser chamado a repor parte do vencimento que tem auferido".

Em causa estão instruções emitidas pela Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação (DGRHE) na noite de sexta-feira, através das quais os directores são chamados a promover "a restituição das quantias" que tenham sido pagas aos docentes ao abrigo de uma interpretação da lei diferente da agora divulgada por aquela direcção-geral.

Os documentos referem-se a decretos-leis de 2005 e de 2009, anteriores à última alteração ao Estatuto da Carreira Docente (ECD). Em ambos os casos, a DGRHE diz terem sido detectadas "situações incorrectas de transição e progressão", promovidas pelas direcções das escolas, nomeadamente quanto à contagem do tempo de serviço necessário para subir na carreira. E produz várias páginas de detalhados esclarecimentos sobre a forma como o Decreto-Lei 15/2007, de 19 de Janeiro, e o 270/2009, de 30 de Setembro, deviam ter sido interpretados.

"Compete à direcção executiva [...] verificar se as progressões dos docentes se operaram em cumprimento das regras previstas no decreto-lei [...] e das orientações vertidas nesta circular. Se [...] constatar que foram efectuadas progressões na carreira em violação das regras supradescritas, deverá promover, com a maior brevidade possível, a restituição das quantias que entretanto tenham sido pagas aos docentes, sob pena de ser aferida a responsabilidade administrativa e financeira dos titulares daqueles órgãos", determina a DGRHE.

A maior parte dos directores, professores e sindicalistas terá sido apanhada de surpresa. As duas circulares foram enviadas, por correio electrónico, depois das 19h de sexta-feira e foi através do blogue A Educação do Meu Umbigo, de Paulo Guinote, que o seu teor foi divulgado.

O dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, diz-se convicto de que a interpretação coincide "com a da grande maioria das escolas" e critica a direcção-geral por perturbar o normal funcionamento dos estabelecimentos de ensino em vez esclarecer a legislação mais recente. Mas a dirigente da FNE e os representantes dos directores têm convicções diferentes.

"Não posso calcular o número de docentes atingidos, mas serão muitos, necessariamente. Conheço vários casos de directores que aplicaram a legislação de forma mais favorável aos professores no que respeita, por exemplo, à contagem do tempo de serviço necessário para o reposicionamento na carreira", frisou Lucinda Dâmaso, em declarações ao PÚBLICO.

Adalmiro Fonseca, presidente da Associação Nacional de Dirigentes de Agrupamentos e Escolas Públicas, e Pedro Araújo, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, estão igualmente apreensivos. Tal como a dirigente da FNE, ressalvam a necessidade de analisar detalhadamente e com apoio de juristas a interpretação da DGRHE, mas ambos admitem a possibilidade de terem feito leituras diferentes da lei e de terem de chamar professores a repor vencimentos.

Para apurar casos de aplicação "incorrecta", as direcções terão de analisar os processos de cada um dos professores do quadro da respectiva escola, uma tarefa que levará muitas horas de trabalho, sublinham Adalmiro Fonseca e Pedro Araújo.

Os "vazios" deixados pelas leis e respectiva regulamentação são criticados pelos dois directores, que recordam que em poucos anos houve três modelos de progressão e se queixam de não conseguirem obter esclarecimentos da DGRHE em tempo útil.

Pedro Araújo defende que, naquelas circunstâncias, os directores "têm de tomar decisões, sob pena de estarem, por omissão, a promover o congelamento das carreiras dos professores". Adalmiro Fonseca contrapõe que, "face a circulares como estas, em que são feitas interpretações a posteriori, as direcções devem redobrar cuidados". "Antes professores angustiados a baterem-me todos os dias à porta, como acontece agora, do que cair nesta situação", afirma.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Escolas estão cheias de professores com "a vida adiada"

Há uma semana, a horas da publicação das listas de professores que se candidataram a responder às chamadas "necessidades transitórias" das escolas, Ricardo Montes, autor do blogue Professores Lusos, publicou um texto em que começava por dizer que, apesar de não ser sua intenção escrever naquele dia, iria deixar "umas palavrinhas". Nesse momento, estavam 149 pessoas online e a caixa de conversação do blogue fervilhava com as intervenções de professores ansiosos. Tinham razões para isso, como admitia Ricardo Montes. No dia seguinte confirmou-se que, dos 50 mil candidatos, menos de 18 mil ficaram colocados.

"Não fiquem, hoje, domingo, especados em frente ao monitor (...). Vão passear... Vão até a um café... Vejam um bom filme...", recomendou Ricardo Montes. Na caixa de comentários surgiram, de imediato, agradecimentos. "Antigamente, nos momentos de aflição, as pessoas iam para a igreja, agora os professores vêm ao teu blogue", escreveu alguém.

Fernanda Martins, de Vila Real, foi uma das professoras que passou horas de aflição colada ao computador, no domingo e na segunda-feira, primeiro a partilhar angústias e depois à espera da publicação das listas pelo Ministério da Educação. Professora de Português e Francês há 14 anos, faz parte do grupo de milhares de docentes que, ano após ano, só sabem no fim de Agosto se têm colocação; e, no caso de terem, se lhes será atribuído um horário completo ou incompleto, de quantas horas e em que escola (às vezes também em que concelho e mesmo em que distrito) terão de se apresentar daí a dois dias.

Para além da precariedade e da instabilidade, Fernanda encarna outra dificuldade que as federações de sindicatos não se cansaram de evidenciar e que este ano animou a vida parlamentar: a das ditas "injustiças" provocadas pela consideração, para efeitos de ordenamento na lista de candidatos, da avaliação de desempenho feita num ano de contestação ao modelo adoptado pelo Governo e em que as várias escolas o aplicaram com critérios diferentes.

Dirigente do Sindicato dos Professores do Norte, Fernanda não aceitou ser avaliada. Quando viu as listas ordenadas, descobriu que caíra 50 posições na lista dos candidatos a professores de Português e 30 na lista dos que concorriam para leccionar Francês. Um caso entre muitos. Sónia Maurício, de Coimbra, também achou que "não fazia sentido ir às manifestações e depois ser avaliada". Foi ultrapassada por 96 colegas de Matemática na lista para colocações.

Luís Juvenal Mendes, também a contrato, participou em tudo quanto era protesto, mas entregou os objectivos e pediu aulas assistidas: "Percebi que muitos se estavam a acobardar e me iam ultrapassar, apesar de não serem melhores professores do que eu. Seria uma injustiça."

É para pessoas como Fernanda, Sónia e Luís que a Federação Nacional de Professores (Fenprof) e a Federação Nacional da Educação (FNE) reclamam a abertura de um concurso extraordinário para colocação no quadro de professores que, acusam, estão a satisfazer necessidades permanentes das escolas, mas sem as condições a que, por isso, têm direito.

Os dirigentes da Fenprof sustentam a reivindicação com números: este ano foram contratados com horário completo e para todo o ano lectivo 13.974 docentes - muitos mais do que no ano passado (9663), em 2008 (4384) e em 2007 (2810). E isto acontece, denunciam, "porque, apesar de se terem reformado 15.210 professores desde 2007, apenas entraram nos quadros 396". "Não podemos fazer planos, assumir responsabilidades... É muito difícil não ceder à revolta. Até quando teremos de adiar a vida?", pergunta Fernanda.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Professor do Algarve galardoado


Alexandre Costa, de 45 anos, foi o vencedor da 3.ª edição do Prémio Nacional de Professores. Este docente de Físico-Química e Física desde 1989, que lecciona na Escola Secundária de Loulé, arrecadou assim os 25 mil euros do prémio da edição de 2009. A ministra da Educação entrega esta manhã os galardões aos premiados, numa cerimónia na Universidade de Évora.

O Prémio de Mérito Carreira foi para José Dias Gabriel, de 60 anos, professor de Português da Escola Secundária Dom Egas Moniz, em Resende. Já Wagner Diniz, de 55 anos, professor de Canto na Escola de Música do Conservatório Nacional, venceu o Prémio de Mérito Inovação. A única mulher galardoada foi Antónia Vidal de Castro, de 55 anos, da Escola Secundária Júlio Dinis, em Ovar, que ganhou o Prémio de Mérito Liderança.

Estes três galardoados recebem Diplomas de Mérito Pedagógico e ganham direito a visitas de estudo a instituições de referência europeias ou publicação de trabalhos científicos.

A escolha dos vencedores coube a um júri formado por nove personalidades e presidido pelo ex-ministro da Educação Roberto Carneiro.

Os candidatos são propostos pelas escolas, associações profissionais de professores ou por um grupo constituído por um mínimo de 50 docentes.

Segundo o Ministério da Educação, o objectivo do prémio é galardoar os docentes que "contribuam de forma excepcional para a qualidade do sistema de ensino".




Bernardo Esteves

sábado, 13 de março de 2010

Presidente da Associação Nacional de Professores contra programas extensos


“Temos que definir que aprendizagens são estruturantes [no Ensino Básico] para diminuir a chamada ‘obesidade curricular’”, afirmou à Lusa João Grancho, preside da ANP que promove, esta noite, em Gaia, um debate sobre ensino e educação. Grancho considera necessário “ponderar o que é ou não, actualmente, tido como estruturante” ao nível das várias matérias abordadas nos primeiros anos de formação dos alunos, já que “os programas são muito extensos” e “há carências de articulação entre os diferentes ciclos de ensino”.

“A maior insuficiência situa-se nas metas de aprendizagem não definidas”, acrescentou o presidente da ANP para quem “há que estabelecer factores de ponderação em relação a determinadas áreas estruturais” como a Matemática, as Ciências e a Língua Portuguesa. A chamada ‘obesidade curricular’, que “decorre do que é o currículo formal e informal”, provoca nos professores “uma aflição muito grande em cumprir programas”, impedindo-os de “fazê-lo bem”.

Assiste-se então a situações em que “as aprendizagens não são totalmente adquiridas” e a uma falta de “harmonização” entre ciclos que os alunos vão frequentando. João Grancho defende ainda que as escolas deveriam ter alguma autonomia para olhar às “diferenças e heterogeneidade do público” de forma a não criar situações de exclusão ao “querer ensinar a todos” o mesmo.

O debate de hoje - “Programas e Currículos: para que (m) ensina a escola?” - realiza-se pelas 21h00, na Livraria Almedina do Arrábida Shopping, Gaia, e insere-se num ciclo de colóquios coordenados pela ANP.

A participar no debate estará também o professor José Carlos Morgado para quem se impõe uma “reforma curricular de fundo”. “Mais importante que aprender os conhecimentos é importante que a criança aprenda a pensar. Mais importante que a criança aprenda os resultados de investigações é que aprenda a investigar”, afirmou à Lusa o professor do Instituto da Educação da Universidade do Minho. O professor explicou que o Ensino Básico é uma etapa “globalizante” pelo que deve “contribuir para o desenvolvimento da criança e do jovem na sua globalidade”.

O professor concorda com a existência de uma ‘obesidade curricular’ e com a necessidade de se fazer uma “dieta curricular que livre os currículos de excessos”. O ciclo tem mais três colóquios marcados para 12 e 26 de Março e 16 de Abril nos quais se irá debater a qualidade da profissão de docente, a violência escolar e o que deve ser melhorado na educação.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Professores podem ascender ao terceiro escalão sem depender da abertura de vagas


Na proposta anterior, o Governo fazia depender a progressão para o terceiro, quinto e sétimo escalão da carreira da abertura de vagas. Esta é uma das medidas mais contestadas pelos sindicatos.

Ao deixar cair a exigência de vagas para o terceiro escalão, o Ministério da Educação faz desaparecer aquele que seria o principal estrangulamento na progressão da carreira de muitos professores já que esta limitação de acessos abrangeria o maior número de docentes uma vez que seria válido logo ao fim de oito anos de docência.

O Ministério terá também deixado cair a obrigação de realização de uma prova de ingresso na docência. Mas para os professores classificados com Bom, a progressão na carreira para o quinto e sétimo escalão continuará a ficar dependente da abertura de vagas.

Esta condição é uma das questões mais contestadas pelos sindicatos, que faziam depender o seu acordo da garantia de que também todos os professores classificados com Bom poderiam contar aceder ao topo da carreira, um patamar que por enquanto continuará, à partida, a ser garantido apenas àqueles que têm Muito Bom ou Excelente na avaliação do seu desempenho como professores.

Apesar de se manter este ponto de discórdia, alguns dirigentes sindicais disseram aos jornalistas que o facto de as negociações prosseguirem "já quer dizer alguma coisa".

Hoje, ao contrário do que é habitual, as reuniões dos responsáveis pelo Ministério da Educação (ME) com os representantes dos vários sindicatos de professores não estão a decorrer de forma consecutiva, ao longo do dia, mas sim em simultâneo. Às 10h iniciaram-se quatro reuniões em outras tantas salas e são os representantes do Ministério quem circula por elas, na tentativa de construção de um consenso. A ronda negocial foi interrompida para o almoço e recomeça por volta das 15h.

A ministra da Educação e o secretário de Estado entregaram a sua proposta sala a sala. Até agora, só a Fenprof entregou as suas contrapropostas ao Governo.

Nas quatro salas, situadas em pisos diferentes o que obriga os governantes a andarem constantemente acima e abaixo, estão a Federação Nacional de Professores (Fenprof) - que representa cerca de 70 por cento da classe docente -, a Federação Nacional dos Sindicatos de Educação (FNE) e nas duas restantes estão, em cada uma, seis pequenos sindicatos de professores.

Público
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