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domingo, 12 de março de 2017

DGAE/DSEEPE aposta na literacia cinematográfica


A DGAE/DSEEPE realizou, em fevereiro último, uma parceria com o Plano Nacional de Cinema (PNC) com o intuito de divulgar produções fílmicas nacionais, junto dos alunos das Escolas Portuguesas do Estrangeiro (EPE).

À adesão deste projeto esteve subjacente a certeza de que facultar aos alunos o contacto com as diferentes manifestações artísticas constitui uma valência relevante no que respeita à difusão da língua e da cultura portuguesas.

Acresce que esta iniciativa permite a realização de práticas pedagógicas que incentivam o aluno a tomar consciência de que o diálogo com todas as expressões da arte é imprescindível para um melhor conhecimento do património cultural. Para uma maior compreensão do mundo.

Informação retirada daqui


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Faz 100 anos a única escola do país com um sistema de ensino à distância


Rafael vive com os pais no Moxico, província de Angola, para onde o pai emigrou em 2010 à procura de trabalho. Dois anos depois de o pai ter ido, Rafael, a mãe e a irmã mais nova foram ter com ele. O pai arranjou trabalho como montador de estruturas metálicas e a mãe como assessora da administração de uma empresa de construção civil. Foi o desemprego em Portugal que lhes forçou a partida.

O primeiro ano de aulas de Rafael foi no colégio Salesianos, mas não correu bem. “Era um programa muito denso e as turmas tinham cerca de 50 alunos”, conta a mãe, Ana Catarina Valente, através de videochamada, ao lado do filho, a partir de Angola. Os maus resultados na escola levaram-na a pensar em alternativas e uma delas era regressar, mas “a pior coisa era ter de voltar ao sufoco de não ter trabalho em Portugal”.

Um dia, ouviu um casal alemão falar sobre o ensino à distância disponível na Alemanha. Quis saber se o mesmo existia em Portugal, procurou na Internet e encontrou o Ensino à Distância para a Itinerância (EDI), um projecto único no país, existente desde 2010 na Escola Secundária de Fonseca Benevides, em Lisboa, que comemora hoje o centésimo aniversário.

O requisito era ter um computador e ligação à Internet, para além da impossibilidade comprovada de não poder frequentar a escola presencialmente. Cumpridos os requisitos, Rafael, 12 anos, entrou numa turma do 6º ano e aprendeu a lidar com a forma como as aulas se organizam: uma plataforma virtual, um chat para falar com os colegas e os professores, as vídeochamadas para aulas específicas e um fórum para recolher os materiais das disciplinas.

Sobre a rotina do dia-a-dia, Rafael é claro: “Levanto-me de manhã, tomo banho, como o pequeno-almoço e vou para a escola”. Só que a escola, esclarece a mãe, é no escritório onde ela trabalha. “Ele vai ter comigo e fica numa secretária, com o computador, ao meu lado. Com ele ali eu consigo controlar-lhe o estudo.”

O alívio que Ana Catarina sentiu ao encontrar o ensino à distância é partilhado por João Vincent Salazar, 42 anos, pai de dois filhos. Emigrado no Dubai, é lá que trabalha durante nove meses, todos os anos, como operador de vídeo e de câmara freelancer, garantindo a cobertura televisiva da época futebolística. Divorciado e com a tutela dos filhos, João diz ter sempre lutado para os ter consigo no Dubai, em vez de os deixar em Portugal. “Havia o entrave da língua porque já tinham iniciado o ensino básico, e o ensino neste país é muito caro”, conta, numa entrevista por email.

Quando soube do projecto, inscreveu os filhos, Vasco e Tomás, de 14 e 10 anos. “Foi com alguma expectativa, mas há coisas que não há nada que as pague, como o nosso bem-estar psicológico. Hoje estamos juntos os três.” Como pai, defende que este sistema de ensino lhe permite ter mais proximidade dos filhos e que se tornou essencial nos dias de hoje, “principalmente para os emigrantes”.

Rafael, Tomás e Vasco são três dos sete alunos filhos de pais emigrantes, inscritos no sistema de Ensino à Distância para a Itinerância, criado inicialmente para os filhos de profissionais circenses e feirantes, assim como para as jovens da instituição Ajuda de Mãe, que, em conjunto, continuam a estar em maioria (são cerca de 90% do total de alunos inscritos).

Se no início do projecto havia cerca de 80 alunos inscritos, hoje são 170, no total, divididos por 11 turmas entre o 5º e o 12º ano. Nos últimos tempos, como sublinha Patrícia Alves, coordenadora do projecto, “para além de ter crescido, o público também se diversificou”. Hoje inclui meninas de etnia cigana, jovens de centros de reinserção social e alunos que, por motivo de doença, não conseguem frequentar a escola.

“Acho que se não fosse o ensino à distância, eu teria desistido da escola quando fui mãe”, conta Cíntia Pereira, 20 anos. Frequentava o 10º ano do ensino regular quando engravidou. Chumbou esse ano e só depois do nascimento do bebé, hoje com quase dois anos e meio, é que soube da existência do ensino à distância através da Ajuda de Mãe, entidade parceira do projecto desde o início. Agora está a acabar o 12º ano, pronta para começar um estágio em Marketing.

A colega de turma Tatiana Mendes também é mãe: tem 19 anos e engravidou quando estava no 9º ano. “Estive de repouso absoluto para conseguir fazer os exames nacionais, mas fiz tudo ainda grávida.” Também a terminar o 12º ano, o objectivo é entrar na faculdade, em Relações Públicas. Quanto aos últimos três anos, garante que lhe deu “mais jeito” não ter aulas presencialmente, porque assim pôde ter a bebé consigo na instituição, onde assistia às aulas. A outra vantagem que ambas as alunas lembram era poder passar na escola, uma ou duas vezes por semana, para tirar dúvidas pessoalmente com os professores.

Ana Paula Silva é uma das 25 professoras do projecto. Há 14 anos que lecciona Matemática e em 2012 lançou-se no ensino à distância quando foi colocada, ainda como professora contratada, na escola Fonseca Benevides. Foi-lhe atribuído um horário para as turmas não-presenciais e assim deu início ao que hoje considera ser o projecto “mais desafiador” da sua carreira.

"É muito diferente. Temos de lidar com a ausência. No ensino presencial percebemos as reacções dos alunos e temos um feedback imediato, aqui não.” Apesar de não ser fácil e de ser preciso mais tempo para preparar as aulas, a professora acabou por escolher ficar no ensino à distância. “Queria continuar com o projecto e é gratificante ver o esforço recompensado.”

A Escola Secundária de Fonseca Benevides, única a ter este sistema de ensino, modernizou-se ao longo dos últimos 100 anos e o Ensino à Distância para a Itinerância “é um exemplo disso”, aponta João Santos, director da escola. Tradicionalmente de formação técnica, e dedicada a áreas como a Química e a Electricidade, a escola continua em paralelo a apostar no ensino profissional no regime presencial. “Os nossos alunos são os miúdos que querem ser electricistas, técnicos de informática, técnicos de análise laboratorial, técnicos de energias renováveis.” Só que há uma ressalva a fazer, aponta João Santos: “O ensino profissional nem sempre é visto como um caminho para a faculdade, mas pode ser.”

Há seis anos a escola deixou as instalações antigas, fundadas em 1888, e mudou-se para Alcântara, para o espaço pertencente à Escola Secundária D. João de Castro, que sofreu uma intervenção da Parque Escolar, garantindo hoje as condições estruturais e materiais dos vários laboratórios. “A nível de escola não nos falta nada. A nossa dificuldade é passar a mensagem de que há escola públicas a fazer um ensino de excelência, dando um nível de preparação técnica que outros alunos não têm.”

São cerca de 700 alunos matriculados na escola. Já foram mais, mas o decréscimo populacional na zona central de Lisboa afectou esse número. “As escolas das periferias estão cheias”, aponta o director, e por isso os pais trazem os filhos para perto dos locais de trabalho. “Temos miúdos do Seixal, Odivelas e Loures. Metade deles não moram aqui e levam horas a chegar cá. Isso tem consequências no rendimento escolar deles.”

O sucesso escolar é um dos temas discutidos. A posição da escola no último lugar do ranking do ensino secundário, de 2013, é motivo de debate, porque os únicos alunos a fazer exames nacionais na Fonseca Benevides – e, por isso, a contribuir para os rankings – são precisamente os alunos do ensino à distância, apesar de todas as diferenças que os distinguem de outros sistemas de ensino.

São desafios como este, associados a outras especificidades da escola, como os cursos de educação e formação (CEF) ou o ensino nocturno que estarão esta quinta-feira em debate na escola, às 14 horas, numa palestra que contará com a presença do professor Marcelo Rebelo de Sousa, com o tema “Educação em Portugal: que futuro?”.

Quanto ao centenário da escola, o director, João Santos, diz ter dois grandes objectivos: conseguir mais alunos e contrariar uma percepção actual errada. “A escola pública, hoje em dia, nem sempre tem uma boa imagem. Queremos mostrar o que pode ter de bom.”

Informação retirada daqui

domingo, 18 de agosto de 2013

Escola forma mordomos por sete mil euros


A escola exclusiva de mordomos de Bruxelas, School for Butlers and Hospitality, avança com um primeiro curso de quatro semanas a partir de setembro num hotel da capital belga. O custo é de 6.980 euros, noticia a agência Efe.

"O mais importante para ser um bom mordomo é ter uma boa atitude pessoal e saber dar o máximo serviço com a mínima intromissão", explicou o diretor da escola, Vincent Vermuelen.

Apesar do preço da matrícula, uma centena de candidatos de todo o mundo já manifestou interesse no curso da School for Butlers and Hospitality. Isto porque a crise voltou a colocar na moda uma profissão que há uns anos estava remetida às séries de televisão e adaptações cinematográficas da Inglaterra vitoriana.

Atualmente, são vários os hotéis de cinco estrelas, embaixadas, iates e mansões privadas que procuram mordomos de luva branca. A crise económica, que não afetou o negócio de luxo, levou a uma nova onda de vocações de serviços de alta qualidade, um trabalho pelo qual se pode cobrar entre 50 mil a 180 mil euros anuais, refere a Efe.

O responsável da escola justifica o elevado preço do curso - cerca de sete mil euros - precisamente pela qualidade dos professores e do material, mas também pelas possibilidades de retribuição que o título oferece.

Médio Oriente, Rússia e China são os novos mercados com maior procura e muitas das capitais estão a abrir novas escolas de mordomos de luxo. Estudantes, mas também profissionais que procuram reciclar-se numa nova profissão, com melhor remuneração, disputam agora o diploma de um dos 12 cursos que serão ministrados este ano. Estão já previstas novas edições em 2014.

Por:I.F.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Alunos gregos desmaiam nas escolas com fome

Os professores na Grécia estão preocupados com os vários casos que se têm registado nos últimos meses de alunos que desmaiam nas escolas por fome e desnutrição, e já alertaram as autoridades para o caso.

O primeiro ocorreu há cerca de um ano e a ele seguiram-se mais denúncias de professores, que garantem que alunos seus estão na escola até às 16h00 sem comer todo o dia.

Os meios de comunicação deram conta do caso, mas as notícias foram catalogadas de exageros jornalísticos até que, há cerca de duas semanas, um rapaz de 13 anos desmaiou num colégio da Heraklión, a capital da ilha de Creta.

Quando a directora avisou a mãe, que trabalha a tempo parcial numa empresa municipal e tem quatro filhos, ela disse que a sua família não comia nada há dois dias.

Reminiscências da fome após ocupação nazi

O assunto transformou-se em debate nacional e a imagem da comida a ser dividida nas escolas despertou, entre os mais velhos, o pesado inverno de 1941-42 quando, depois da ocupação nazi, mais de 300 mil pessoas morreram de fome.

Entretanto, a direcção escolar de Atenas assegurou que, desde que começou o ano lectivo, várias escolas básicas prepararam cerca de 5500 refeições por dia, e destacou que 67 dessas refeições são para alunos em condições de necessidade extrema.

Na semana passada, o semanário pró-governamental To Vima citava fontes do Ministério da Educação Nacional a afirmarem que está a ser preparado um programa de distribuição de senhas no valor de dois ou três euros para os alunos de escolas de regiões com alta percentagem de pobreza.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Professores de Português estão a ser avisados por telefone que serão despedidos em Janeiro


Cerca de meia centena de professores que actualmente ensinam Português no estrangeiro já não voltarão às suas aulas em Janeiro próximo: 33 ficarão no desemprego e outros 16 regressarão às escolas de origem em Portugal. São contas feitas por Carlos Pato, do Sindicato de Professores no Estrangeiro, depois de ontem ter sido publicado, em Diário da República, o despacho de reorganização da rede de ensino de Português no exterior, que suprime cerca de 65 cursos.

Os docentes que irão ser dispensados começaram ontem a ser avisados por telefone. "Vão para o desemprego com um mês de aviso prévio", denuncia Teresa Soares do Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas.

As aulas da rede oficial de ensino de Português no estrangeiro são asseguradas por docentes contratados e pagos pelo Estado português. A Constituição estabelece que incumbe ao Estado assegurar o ensino da língua portuguesa aos filhos dos emigrantes. Na Europa mais de metade dos inscritos são alunos do 1.º ao 6.º ano de escolaridade. Cinco meses após o arranque do ano lectivo perto de cinco mil poderão ficar sem aulas de Português na sequência das medidas de contenção orçamental. Várias centenas estão já nesta situação porque os professores em falta não foram substituídos.

Teresa Soares é peremptória: a realidade imposta pelo despacho dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Educação e Ciência, com efeitos a partir de 1 de Janeiro próximo, ultrapassa as piores expectativas. Lembra a propósito que, no início do mês, a presidente do Instituto Camões, que gere a rede, comunicou ao seu sindicato que os 50 professores a dispensar pertenciam aos quadros de escolas portuguesas e permaneceriam, por isso, empregados. Mas, afinal, a maioria dos dispensados não tem uma escola de origem onde regressar e irão, por isso, "engrossar as fileiras dos desempregados em Portugal". "O que estão a fazer é desumano. Não tinha que acontecer assim. Somos 524 professores na Europa. Passamos quase desapercebidos no Orçamento do Estado. Sinto-me muito triste, revoltada e decepcionada", desabafa Teresa Soares, que nos últimos 30 anos tem sido professora de Português no estrangeiro. Primeiro na Suíça, agora na Alemanha.

A maioria dos cursos que serão suprimidos é ministrada por professores com horário incompleto, mas que na maior parte dos casos têm mais de 15 horas lectivas por semana. Os principais cortes serão sentidos na Suíça, França e Espanha. "O Governo diz que os alunos destes professores serão recolocados noutros cursos, mas isso não se vai verificar porque para frequentar estas aulas os alunos terão de percorrer distâncias muito maiores", avisa Carlos Pato. Este professor de Português no Luxemburgo lembra que o secretário de Estado das Comunidades garantiu que, depois destes cortes, não haveria mais mexidas na rede. "Esperamos que sejam homens de palavra."

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Programa AFS - Estudar no Estrangeiro

Programa AFS - Estudar no Estrangeiro
Ano lectivo 2012/2013.



O Programa AFS - Estudar no Estrangeiro consiste numa experiência de intercâmbio, em que o participante vive durante um ano/trimestre lectivo noutro país, com uma família de acolhimento e frequenta uma escola secundária local.


Com este programa a Intercultura - AFS Portugal pretende desenvolver nos jovens uma maior sensibilidade e consciência para o mundo que os rodeia de forma a promover o diálogo e conhecimento intercultural.

A crise que atravessamos trouxe consigo uma maior consciência da importância do desenvolvimento de outras competências para além daquelas que são adquiridas no percurso académico regular.

Por ser global, tornou igualmente mais visível a interdependência do mundo actual e todo o potencial de mobilidade inerente. Mais importante ainda, expôs a necessidade de cada cidadão ter um papel activo na mudança necessária e no processo de construção de um mundo fundamentado noutros valores.

Neste sentido, acreditamos que as actuais e futuras gerações estarão cada vez mais motivadas para este tipo de experiência, promotoras não só de uma maior consciência das questões globais mas também do desenvolvimento do pensamento critico e criativo, autonomia e sentido de responsabilidade.

Cerca de 60 jovens portugueses encontram-se, no presente ano lectivo, a viver a sua experiência AFS em vários países, tais como, Canadá, Japão, EUA, Malásia, Áustria, Finlândia, entre outros, e agora é a vez de preparar os próximos jovens para esta experiência única que é viver e estudar no estrangeiro.

As inscrições para o ano lectivo 2012/2013 já estão abertas.

Poderão encontrar mais informações no nosso site:

www.intercultura-afs.pt, acedendo à àrea 'Estudar no Estrangeiro'.

A Intercultura - AFS Portugal é uma associação de voluntariado, com estatuto de Instituição de Utilidade Pública. Não tem fins lucrativos, filiações partidárias, religiosas ou outras. Tem como objectivos contribuir para a Aprendizagem Intercultural e Educação Global, através de intercâmbios de jovens e famílias. Desde 1956 que promove intercâmbios de jovens em Portugal e para o estrangeiro.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Os finlandeses querem que os filhos sejam professores

A Finlândia surge sistematicamente no topo dos estudos PISA, em que tri-anualmente a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) examina as capacidades dos alunos de 15 anos em Ciência, Matemática e Leitura. O investigador finlandês Jouni Välijärvi surgiu numa sala apinhada de professores portugueses, num encontro organizado pelo Ministério da Educação na quarta-feira, em Lisboa, no papel de mestre a quem pedem que ensine "como se faz". No fundo, queriam saber o que é a Finlândia tem de especial? Välijärvi, director do Instituto Finlandês para a Investigação em Educação, na Universidade de Jyväskylä, explica que muito está na base, no ensino primário, onde um professor motivado e bem preparado acompanha os alunos durante seis anos.


Defende que um dos segredos do sucesso finlandês é a qualidade do ensino primário. Por que é que os professores da primária têm tanta popularidade?

Tem muito a ver com a nossa história. A Finlândia só é independente há 100 anos e os professores primários eram colocados por todo o país para espalhar a identidade nacional. É umas razões que explicam uma popularidade tão alta. Ser professor primário é tão prestigiado como ser médico ou advogado: os pais querem que os filhos sejam professores primários e, quando perguntam aos miúdos que acabaram o secundário que carreira querem seguir, a profissão surge nos dois primeiros lugares. E muitos dos que têm essa ambição não a conseguem alcançar, porque é muito difícil entrar para o curso.

A popularidade estende-se aos professores do secundário?

Depende das áreas. No secundário, muitas vezes ir para professor não é uma primeira escolha, é um recurso, e isso tem reflexos na motivação dos professores e na aprendizagem.

Por que é que ser professor primário é tão apelativo?

Uma das coisas mais importantes é a autonomia, em que cada professor organiza o trabalho como entende, por isso a questão da avaliação é muito sensível. As aulas estão muito fechadas sobre si mesmas, o que é uma força do sistema mas também uma fraqueza. Mas o facto é que os pais confiam nos professores e nas escolas.

Na Finlândia, o ensino primário prolonga-se por seis anos, as crianças ficam durante este período com o mesmo professor. Isso é importante?

Sim, é a base de tudo. Costuma ser um professor que trabalha com eles ao longo dos seis anos, mas há escolas que dividem os anos por dois professores e pode haver outros professores que ajudam nalgumas matérias, por exemplo, em Matemática ou Desporto. Fica ao critério da escola.

Os poucos chumbos que existem são na primária...

Analisando os alunos do 9.º ano, constata-se que só 2,6 por cento chumbaram e a grande maioria foi na primária. É mais eficaz reter um aluno um ano no início do que este ter que repetir um ano mais tarde, porque é uma altura em que estão a ser dadas as bases. Os professores finlandeses têm expectativas muito altas em termos académicos, incluindo os primários, mais até do que noutros países nórdicos. Por exemplo, na Dinamarca o ensino está mais centrado no bem-estar e felicidade das crianças do que nos resultados académicos. O modelo finlandês mistura os dois factores, preocupa-se com a felicidade e com a parte cognitiva, o que se traduz na aquisição de certos níveis na Escrita, Leitura e Matemática, algo que também já é importante na pré-primária.

O que faz com que um professor seja bom?

Perguntámos isso a alunos e concluímos que é quando sentem que percebe do tema que ensina e também, e este aspecto é interessante, quando sentem que se interessa por eles e está disposto a ter conversas que lhes dizem algo e que não têm necessariamente a ver com a cadeira que lecciona.

Questões como a sexualidade?

Sim, mas também quando o professor os ajuda a escolher o caminho que vão seguir, que está disposto a discutir com eles o porquê das suas escolhas.

As escolas finlandesas têm turmas pequenas. Este poderá ser outro factor de sucesso?

São pequenas e os professores defendem que devem ser ainda mais pequenas. Eu sou céptico em relação à utilidade de reduzir as turmas. Actualmente, na primária, em média, temos 21 alunos por turma, no secundário 19. Eu acho que não é possível chegar a um número óptimo, que a dimensão das turmas deve depender dos alunos, do que se ensina. Até porque ter turmas mais pequenas significa ter mais professores e isso implica aumentar gastos. Penso que o dinheiro pode ser usado para criar mais apoios de acordo com o contexto de cada escola: há escolas em que 15 por cento são imigrantes. Uma das conclusões da OCDE é a de que pagar bem a professores resulta em melhores resultados, porque aumenta a sua motivação.Até certo nível. O importante são as condições de trabalho como um todo, o salário é um sinal. O mais importante é os professores sentirem que, quando têm dificuldades, não estão sozinhos, o que não é o caso em muitos países.

A Finlândia é um dos países onde se passa menos tempo na escola.

Quando se está na escola está-se concentrado na escola, quando se sai vai-se fazer outras coisas, são tempos perfeitamente separados. Na Coreia [outro país bem classificado no PISA], os alunos levantam-se às 6h00 e voltam a casa às 21h00, e ainda têm que fazer trabalhos de casa. Para estes jovens, a escola e a educação são tudo na vida. Os finlandeses, entre tempo na escola e trabalhos de casa, passam um total de 30 horas por semana, face a 50 horas da Coreia.

Moral da história?

A forma como os países conseguem bons resultados é completamente diferente. Esse é o reverso da medalha destes estudos internacionais que incentivam a imitação. Os países podem aprender uns com os outros, mas tem que se ter muito cuidado em transplantar modelos.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Quando os alunos são mais do que um número numa pauta


Quando se apresentam a exames para concluir o equivalente ao 12.º ano português, os alunos das escolas inglesas que pretendem prosseguir estudos no ensino superior já têm em seu poder uma resposta pessoal das faculdades a que se pretendem candidatar. Na verdade, já a têm vários meses antes dos exames, o que lhes permite também uma melhor gestão de recursos e esforços. David Smith, director do St. Julian´s School, a escola inglesa de Carcavelos, frisa ao PÚBLICO que este é um processo mais personalizado do que aquele que se pratica em Portugal. Em Janeiro - os exames realizam-se entre Abril e Junho - todos os alunos que pretendam prosseguir estudos apresentam uma candidatura on-line, onde descrevem em 600 palavras as razões da sua escolha de curso. Pelo seu lado, acrescenta David Smith, os directores das escolas destes alunos têm que os apresentar às faculdades que escolheram. Para o efeito, na mesma altura, têm que elaborar um perfil do aluno e do seu historial escolar, acrescentando nesta declaração as classificações que se prevê venham a ter nos exames.

Com base nas candidaturas dos alunos e nas apresentações dos di rectores, as faculdades transmitem depois aos candidatos as suas ofertas: ou seja, se eles poderão ser aceites e, se sim, em que condições, indicando o número de pontos que terão de obter nos exames para garantir a entrada. A escolaridade obrigatória no Reino Unido começa aos cinco anos e vai até aos 16 anos, equivalendo ao 10.º ano português. Para ser candidato ao ensino superior, um aluno tem que concluir mais dois anos de escolaridade e realizar os chamados A-Levels (Advanced Level General Certificate of Education). Para garantir a aprovação, e posterior entrada no superior, os alunos terão que obter um mínimo de 40 pontos, que corresponde à classificação E. A nota máxima, A*, vale 140 pontos. "Descobri, como aluna, que o segredo de passar num exame aqui não está na quantidade de matéria que se "memoriza", mas sim na maneira como se aprende a mesma, e, acima de tudo, na maneira como se usa o nosso sentido crítico e de análise pa- ra responder às questões", conta Leonor Silva de Mattos, que concluiu o ensino superior no Reino Unido há um par de anos e é agora professora na Universidade de Hertfordshire.

Antes dos A-Levels, os estudantes já tiveram de prestar provas nacionais no final dos 11 anos de escolaridade. Com estes exames, que têm um peso para a nota final que varia, segundo as disciplinas, entre 100 e 25 por cento, os alunos obtêm o chamado GSCE - General Certificate of Secondary Education. Mesmo que obtenham maus resultados é-lhes atribuído um certificado comprovando que acabaram a escolaridade obrigatória. É um diploma destinado ao mundo do trabalho e que não permite o prosseguimento dos estudos.

Na Finlândia, apresentado como modelo de excelência no ensino, a escolaridade obrigatória é dos sete aos 16 anos. Depois seguem-se, como cá, três anos de ensino secundário, embora os alunos possam completar este nível em menos tempo. "É bastante flexível. Não conta o tempo efectivo, mas sim o ritmo escolhido pelos estudantes", explica Katriina Pirnes, adida de Cultura e Comunicação na embaixada em Lisboa.

Privilegia-se a "autonomia dos alunos", acrescenta. Não existe uma divisão de turmas por ano, mas sim por disciplinas. Nestas existe uma divisão por cursos. Uns são obrigatórios e outros de escolha livre. Deste modo aproxima-se o ensino secundário dos moldes em que é ministrado o superior. O número mínimo de créditos para a conclusão do secundário é de 75.

Para concluir este nível os estudantes têm de realizar exames nacionais, que decorrem em duas épocas, na Primavera e no Outono. Há quatro provas obrigatórias, entre elas o chamado conjunto de estudos gerais que inclui História, Biologia, Física, Química, Religião (luterana ou ortodoxa), Ética, Filosofia, Psicologia, Estudos Sociais, Geografia e Educação de Saúde). Dependendo do exame, o estudante responde entre seis e oito perguntas.

No final do 12.º ano são atribuídos dois diplomas: um com a média dos três anos; outro só com a média dos exames nacionais, que são convertidas numa menção qualitativa em latim. Os estudantes que quiserem prosseguir estudos no superior terão que realizar ainda provas de admissão à faculdade. A Finlândia é um dos poucos países europeus que mantêm esta prerrogativa. Segundo Katriina Pirnes, as universidades insistirem que a selecção deve ser feita essencialmente no acesso e não durante os estudos.

Já em França, conta Estelle Valente, de 33 anos, o regime é o contrário. As faculdades mais próximas da área de residência dos alunos são obrigadas a garantir-lhes lugar desde que estes tenham uma média mínima de 10. "A selecção faz-se durante o curso e há muitos casos em que, no final do 1.º ano, mais de 50 por cento dos estudantes desistem", acrescenta. Estelle nasceu e estudou nos arredores de Paris e está há um mês em Lisboa, Interrompeu um douramento em Economia. Diz que, em França, o final do secundário - chamado baccalauréat - "é uma instituição". É o limiar fixado por muitos pais." Estão sempre a dizer: tens que ter o bac", conta. Os alunos são obrigados a realizar exames a todas as disciplinas, incluindo algumas em vias de extinção em Portugal, como a Filosofia, mas as provas e a ponderação das notas são diferentes segundo os ramos escolhidos.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Cooperação luso-alemã – Programa Internacional de bolsas de estudo destinado a promover o interesse pela língua alemã – 2009/2010

À semelhança de anos anteriores a Embaixada Alemã, através do Programa Internacional “PAD – Pädagogischer Austauschdienst”, Serviço de Intercâmbio Pedagógico, oferece 4 (quatro) bolsas de estudo a alunos que:

1. estudem a língua alemã há pelo menos dois anos;

2. à data de participação no programa tenham entre 15 e 17 anos;

3. se distingam pelo bom aproveitamento escolar.

De 23 de Junho a 23 de Julho de 2010, os premiados terão a oportunidade de conviver com jovens de muitos outros países, de desenvolver as suas competências linguísticas e de viver de forma próxima com a sociedade e cultura alemã.




sábado, 27 de fevereiro de 2010

Exposição “Man spricht Deutsch” no Instituto Alemão

De 2 a 24 de Março de 2010, alunos, professores e público em geral poderão visitar, no Goethe Institut de Lisboa, a exposição interactiva e multimédia
“Man spricht Deutsch”.

Retratando temas como “A linguagem dos jovens”, “A origem da língua alemã”, “Língua e arte” ou ainda “Diferenças entre o alemão do leste e da parte ocidental do país”, esta exposição convida à descoberta da língua alemã da actualidade.

A DGIDC associa-se a esta iniciativa, incentivando professores e alunos a visitarem a exposição. No dia 1 de Março, pelas 16.30H, haverá uma visita guiada para professores com propostas de didactização. A inauguração terá início no mesmo dia às 18.30H. Para mais informações e inscrições para visitas de grupo, consultar http://www.goethe.de/ins/pt/lis/lhr/pt5487542v.htm
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