quinta-feira, 28 de maio de 2015

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terça-feira, 26 de maio de 2015

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domingo, 24 de maio de 2015

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sexta-feira, 22 de maio de 2015

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quarta-feira, 20 de maio de 2015

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segunda-feira, 18 de maio de 2015

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sábado, 16 de maio de 2015

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terça-feira, 12 de maio de 2015

Bactérias que comem arsénio podem levar a NASA a descobrir vida noutros planetas


A janela com que procuramos vida no Universo acabou de aumentar depois de uma equipa de cientistas encontrar pela primeira vez uma bactéria que se alimenta de arsénio. A descoberta é publicada hoje na edição online da revista Science e amanhã na edição impressa, e é o mistério que a NASA revela na sua conferência de imprensa. As bactérias foram encontradas num lago salgado na Califórnia (Science).

Toda a vida que se conhece é construída com base em seis elementos: o carbono, o oxigénio, o hidrogénio, o azoto, o enxofre e o fósforo. São estes átomos que fazem as moléculas de ADN, as proteínas, as gorduras que compõem as células dos animais, das plantas, dos fungos e das bactérias.

Quando se olha para fora do planeta Terra para encontrar vida, os cientistas têm o hábito de procurar por ambientes que podem disponibilizar estes elementos. “A vida como a conhecemos necessita de alguns elementos e exclui outros”, disse Arial Anbar, um dos autores do artigo, da NASA. “Mas serão estas as únicas opções? Quão diferente é que a vida pode ser?”, questionou o cientista, citado num comunicado de imprensa.

A descoberta feita por Felisa Wolfe-Simon, primeira autora do artigo, que trabalha no Instituto de Astrobiologia da NASA, responde esta pergunta. O artigo começa por explicar que existem seres vivos que conseguem substituir átomos específicos de moléculas raras por outros que têm propriedades semelhantes. Como por exemplo, alguns artrópodes que têm cobre em vez de ferro no seu sangue.

A cientista tentou verificar esta possibilidade com um dos seis elementos principais – o fósforo. Este átomo, que compõe a estrutura do ADN e é importantíssimo para a composição de proteínas e gorduras, poderia ser substituído pelo arsénio, um átomo maior, altamente venenoso, mas que está exactamente abaixo do fósforo na coluna da Tabela Periódica, o que indica que tem muitas propriedades semelhantes.

“Nós pusemos não só a hipótese que sistemas bioquímicos análogos aos que conhecemos hoje poderiam utilizar arsénio com a função biológica equivalente ao fosfato”, explicou em comunicado Wolfe-Simon, “mas também que estes organismo tivessem evoluído no início da Terra e pudessem persistir até hoje em ambientes invulgares.”

Para isso, a astrobióloga foi até ao lago Mono na Califórnia, rico em arsénio, para retirar amostras de sedimentos com populações de bactérias. No laboratório, colocou estas amostras numa cultura rica em arsénio e sem nenhum fósforo. Ao final de algum tempo verificou que tinha bactérias a crescer.

A estirpe que cresceu chama-se GFAJ-1 e pertence à família das bactérias Halomonadaceae. Apesar de crescer melhor em ambientes com fósforo, a equipa fez vários testes e encontrou provas que o arsénio foi incorporado no ADN e nas proteínas.

“Este organismo tem uma capacidade dupla. Pode crescer tanto com fósforo como com arsénio. Isso torna-o muito peculiar; no entanto [esta bactéria] está longe de ser uma verdadeira forma de vida alienígena que deriva de uma árvore diferente da vida”, explicou Paul Davies, um dos autores do artigo e físico teórico, grande interessado em astrobiologia, director do BEYOND Centro para os Conceitos Fundamentais de Ciência, da Universidade do Arizona, acrescentando que esta descoberta pode ser a ponta de um iceberg de diferentes tipos de vida que até agora a comunidade científica não prestou atenção.

Segundo Felisa Wolfe-Simon, o mais importante é que estes resultados voltam a lembrar a flexibilidade da vida. “Esta história não é sobre o arsénio ou sobre o lago Mono”, explicou. “Se existem seres aqui na Terra que podem fazer algo tão surpreendente, o que é que a vida ainda pode mostrar que nós não vimos?”

domingo, 10 de maio de 2015

Explicador(a) de Biologia

A Nota20, Centro de Educação, encontra-se a recrutar explicadores de Biologia para integrar a sua equipa.

Perfil pretendido: 
- Habilitações ao nível da Licenciatura/ Mestrado Integrado;
- Elevada capacidade de relacionamento pessoal;
- Boa capacidade de organização e planificação;
- Gosto pelo ensino/ formação.

Oferece-se: 
- Remuneração compatível com as funções;
- Formação inicial e contínua;
- Integração numa equipa jovem e dinâmica, comprometida com o seu desenvolvimento pessoal e profissional;
- Ambiente de trabalho motivador.


Os interessados deverão enviar CV para

    recrutamento@nota20.net

, indicando a disciplina no assunto.  

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Eu não acredito!


Por que há pessoas que negam as evidências?
O HIV não causa a sida. As vacinas provocam autismo. O que é natural é mais saudável. São exemplos de teses defendidas pelos negacionistas, que insistem em fechar os ouvidos ou deturpar os dados científicos. É possível desmascará-los?

O problema da fome no mundo é um perfeito exemplo da aversão pela ciência formal, ou seja, a que é feita em universidades e centros de investigação. Esta recusa dos dados e dos métodos científicos surgiu nas derradeiras décadas do século XX, depois de se ter esfumado a veneração da década de 1950. Continuamos a acreditar nos milagres tecnológicos, mas, de forma contraditória, temos pouca fé nos que são capazes de produzi-los.

Na África subsahariana, há governos como o da Zâmbia, com 2,4 milhões de habitantes à beira da inanição, que recusou, em 2002, receber do World Food Programme várias toneladas de sementes geneticamente modificadas. As autoridades preferiam deixar que os seus cidadãos morressem de fome a plantar as sementes “venenosas”.

Na era da biologia molecular, e com uma teo­ria da evolução completamente estabelecida e comprovada, cresce o número de pes­soas que pensam que Deus nos colocou na Terra como quem planta um gerânio num vaso. O criacionismo conta com um número crescente de adeptos, como é o caso, nos Estados Unidos, dos defensores da chamada “inteligência superior”, uma nova teoria da origem da vida que os darwinianos designam por “neocriacionista”. Segundo os seus defensores, a teoria da evolução não tem resposta para algumas questões sobre o desenvolvimento de determinadas formas vivas. O conceito darwinista da selecção natural não explica totalmente, por exemplo, certas estruturas existentes em seres como os flagelados (protozoários) ou as asas de moscas do género Drosophila, de acordo com Michael Behe, professor de bioquímica na Universidade de Lehigh, o qual insiste que a complexidade dos flagelados e de certos “mecanismos” existentes nas células não pode ter evoluído a partir de outras formas vivas.

Entra o negacionismo científico
Por outro lado, o que dizer, por exemplo, de George W. Bush (fervoroso criacionista) e do seu plano para a prevenção da sida denominado “Abstenção até ao Casamento”? Durante o seu mandato, o ex-presidente norte-americano atribuiu mais de mil milhões de dólares a este programa de política social, apesar de numerosos estudos mostrarem que o convite ao celibato só em raras ocasiões alcançava os objectivos propostos.

Esta forma de pensar, normalmente guiada pela ideologia ou pela religião e que despreza qualquer constatação científica, é designada por “negacionismo científico”. O termo “negacionista” surgiu, pela primeira vez, para referir os autodenominados “revisionistas do Holocausto”, que negam a realidade da matança sistemática de judeus nos campos de concentração. Pela sua conotação moral, muitos criticam que seja utilizado para descrever os que rejeitam, por exemplo, a existência das alterações climáticas. Todavia, há cientistas que consideram que se trata de uma aplicação correcta. Na opinião do virologista norte-americano Robert Gallo, um dos responsáveis pela descoberta do vírus da imunodeficiência humana (VIH), negar que o agente viral seja o causador da sida é semelhante a semear dúvidas sobre o genocídio nazi.

De certa maneira, não deixa de ter razão. Entre 1999 e 2008, a ministra da Saúde da África do Sul (país com cinco milhões de infectados pelo VIH), a ginecologista Manto Tshabalala-Msimang, recentemente falecida, mostrou sempre uma total aversão pelos fármacos retrovirais, ao mesmo tempo que louvava as virtudes do alho, da beterraba, do limão, do azeite e da batata como cura para a pandemia. Poder-se-á quantificar, alguma vez, os danos causados por essa governante anticientífica?

É semelhante o empenho manifestado pelos líderes muçulmanos do Norte da Nigéria. Em 2003, proibiram os fiéis de se vacinarem contra a poliomielite porque, alegavam, fazia parte de uma conspiração ocidental para esterilizar as meninas muçulmanas e propagar ainda mais a sida. Consequência? Os casos de poliomielite aumentaram drasticamente e alguns dos doentes que viajaram até Meca contagiaram outros muçulmanos, o que provocou surtos da doença em mais 12 países.

O VIH não existe
Por vezes, podemos encontrar currículos espectaculares entre as fileiras dos negacionistas. É o caso do biólogo molecular Peter Duesberg, que começou a questionar a relação entre o VIH e a sida em 1987. Outros, como os médicos australianos do Grupo de Perth, negam a própria existência do vírus. Segundo escreveu, em 1993, o então editor da revista Nature, o falecido John Maddox, “os seus argumentos assentam na utilização de retóricas falsas, e ignoram qualquer constatação que entre em conflito com as suas afirmações”.

Nesse caso, por que será que acabam por se converter em opiniões generalizadas? De acordo com o divulgador norte-americano Michael Specter, perito em tecnologia e saúde, isso deve-se, em parte, ao facto de os cidadãos sentirem que estão a perder o controlo sobre o meio circundante devido à rapidez dos avanços tecnológicos. “Trata-se de uma tentativa para reduzir o mundo a dimensões compreen­síveis”, resume.

Contribuíram para isso as más práticas ou o abuso de poder por parte da comunidade científica. O exemplo mais patente é o das barbaridades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial pelos médicos nazis e japoneses; se bem que os norte-americanos também tenham motivo para se envergonharem: entre 1932 e 1972, investigadores do Serviço Público de Saúde efectuaram a Experiência Tuskegee, que consistia em deixar de tratar centenas de homens negros doentes de sífilis, para estudar a evolução da doença.

Outra forma de negacionismo é afirmar a existência de uma relação entre dois fenómenos, mesmo que não existam quaisquer provas disso. Um exemplo é a ideia de que a vacinação provoca, entre outras coisas, o autismo. A hipótese surgiu em 1998, quando um grupo de médicos liderado por Andrew Wakefield publicou, na revista médica The Lancet, um estudo em que assegurava haver uma ligação entre a vacina tripla viral (contra a papeira, o sarampo e a rubéola) e os sintomas do autismo. Foi de imediato desmentido.

O regresso do sarampo
Contudo, o pânico espalhou-se entre os ingleses; no prazo de um ano, as vacinações passaram de 92 para 73 por cento. Chegou mesmo ao número 10 de Downing Street: o primeiro-ministro, Tony Blair, recusou revelar se tinha imunizado o seu filho mais novo. Em consequência da situação, o número de casos de sarampo, em Inglaterra e no País de Gales, foi maior em 2006 e 2007 do que na totalidade da década anterior. Em 2008, a incidência aumentou cerca de 50%.

Avaliar os danos é uma tarefa complexa. Para já, a OMS teve de renunciar ao seu objectivo de erradicar, ainda este ano, o sarampo da Europa. Não temos consciência de que só o saneamento básico e a higiene fizeram mais pela saúde humana do que as vacinas, e que nem sequer os antibióticos conseguem competir com elas.

Nos Estados Unidos, quando uma comissão criada pela prestigiosa Academia Nacional de Ciências publicou, em 2001, o relatório sobre a suposta relação entre as imunizações e o autismo, hordas de negacionistas atacaram-no e acusaram os cientistas de estarem a soldo das companhias farmacêuticas. O clamor foi de tal ordem que se voltou a divulgar, em Maio de 2004, um novo relatório ainda mais pormenorizado. Após uma análise exaustiva de todos os dados publicados e ainda por publicar em estudos epidemiológicos efectuados em numerosos países com centenas de milhares de crianças, a comissão confirmava que não existia qualquer prova de uma ligação. A presidente, Marie McCormick, era suficientemente explícita: “Não há qualquer dúvida sobre as conclusões; os dados são claríssimos.”

Contudo, o medo é mais infeccioso do que os vírus, sobretudo se houver personalidades conhecidas a contribuir para propagá-lo. Robert F. Kennedy Jr. acusou o Centro de Controlo de Doenças (CDC) de “ordenar aos investigadores que negassem qualquer ligação com o autismo”. Num artigo publicado na revista Rolling Stone, acusou as diversas agências de saúde governamentais de conspirarem com a indústria farmacêutica para ocultar os riscos das vacinas à população. Confessou, ainda, ter sido um céptico até ter lido determinados estudos científicos que lhe abriram os olhos. Claro que não revelou quais tinham sido, ou onde tinha adquirido as suas súbitas competências epidemiológicas.

Outros, como Jenny McCarthy, ex-namorada do actor Jim Carrey, têm uma maneira singular de se “especializar” na questão. Quando lhe disseram que os dados da CDC pareciam refutar a campanha antivacinas que lançara, respondeu: “A minha ciência chama-se Evan [o seu filho autista] e está agora em casa.” Onde obteve os conhecimentos que defende? “Na Universidade do Google.” Noutra ocasião em que três médicos mostraram estar em desacordo com a ex-coelhinha da Playboy, ela replicou simplesmente: “Merda!” Carrey é igualmente conspiranóico: “Não podemos permanecer cegos aos interesses da CDC, da Academia Americana de Pediatria e da indústria farmacêutica.”

O efeito deste género de posições pode ser muito perigoso (http://www.jennymccarthybodycount.com). Em alguns estados norte-americanos, os pedidos de isenção de vacinas por motivos filosóficos ou religiosos quadruplicaram durante a última década. O problema não é haver uma minoria de crianças sem imunização: a doença precisa de estender os seus tentáculos e, sem uma massa crítica de organismos receptivos, não pode progredir. Porém, se houver menos de 90% vacinados, a protecção de grupo desaparece e as consequências são difíceis de prever. É o caso, já referido, do sarampo no Reino Unido, país onde estava praticamente erradicado em meados da década de 1990. Contudo, os negacionistas descrevem desdenhosamente a evidência estatística como sendo “outro ponto de vista”.

Cruzada para eliminar o sintético
O triunfo dos argumentos anti-empíricos afecta também a esfera do consumo. Imagine que lhe mostram duas fatias de pão: uma provém de uma grande superfície e a outra, idêntica, de uma pequena padaria. Qual escolheria? Certamente, a segunda. Os motivos pouco têm a ver com a qualidade do alimento; simplesmente, o produto artesanal significa autenticidade. Fala-nos de uma forma de vida tradicional, talvez mais verdadeira e honesta; para nós, urbanos, que vivemos longe do campo, a agricultura evoca a beleza, o lar, a terra. A Revolução Industrial, com as suas máquinas e tecnologias, destruiu esse mundo puro, semelhante à povoação onde vivem os alegres e genuínos hobbits de O Senhor dos Anéis.

O desejo de autenticidade é convenientemente explorado por muitos dos defensores da agricultura orgânica ou biológica, que não utiliza fertilizantes químicos nem organismos geneticamente manipulados. “Se estiver preo­cupado com a sua saúde ou com a dos seus filhos, com a forma como os animais são tratados ou com o bem-estar dos agricultores e o futuro do planeta, deve comprar alimentos orgânicos”, recomenda Peter Melchett, da Soil Association, a organização de agricultura ecológica mais importante do Reino Unido.

Este género de raciocínio, que envolve uma superioridade ética, é habitual entre os seus adeptos. Trata-se de uma missão quase evangelizadora: cultivar e comer tudo o que seja saudável e natural, livrando o mundo da sua dependência do sintético. Por vezes, a publicidade tenta confundir biológico com fresco. É óbvio que os produtos de agricultores vizinhos sabem melhor. A vantagem de ter uma pequena horta no jardim reside, precisamente, no facto de se consumirem vegetais acabados de colher, independentemente dos métodos utilizados para o seu cultivo. Todavia, não é verdade que os alimentos ecológicos sejam mais nutritivos e saudáveis do que os convencionais, como demonstram diferentes estudos.

Em 2008, o governo dinamarquês encarregou o Centro de Investigação de Alimentos Orgânicos de descobrir se havia diferenças significativas em função do modo de cultivar cenouras, batatas e maçãs. Durante dois anos, os produtos foram o sustento de ratos de laboratório. Os investigadores, liderados por Susanne Bügel, da Universidade de Copenhaga, concluíram que o seu trabalho “não apoiava a convicção de que os alimentos orgânicos contivessem mais nutrientes”. Tal como outros negacionistas, muitos dos seus defensores limitam-se, simplesmente, a fazer ouvidos de mercador aos estudos e continuam a proclamar as virtudes daquilo em que acreditam. Ou, então, chegam aos extremos do combativo Peter Melchett, que afirma: “São os consumidores, e não os cientistas, que devem decidir se os pesticidas utilizados são seguros.” Importa-se de repetir?

A defesa cega do natural torna-se atraente, muito embora nada do que comemos hoje possa, realmente, ser assim designado, pois resulta de séculos de manipulação genética através da selecção artificial e da hibridação. Actualmente, a referida manipulação é feita em laboratório e provoca grandes receios... apenas no nosso prato. Nina Fedoroff, assessora científica da secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, é suficientemente clara: “Aceitamos a tecnologia no campo da medicina, mas, quando se trata de alimentos, queremos recuar até ao século XIX.”

Curas clínicas e espirituais
Tendo em conta que todos os alimentos processados possuem um ingrediente proveniente de organismos geneticamente modificados e que os consumimos há 30 anos, é paradoxal afirmar que são prejudiciais, quando não há registo de uma única morte em todo o mundo por sua causa. Um dado que se pode confirmar é que, em 2008, 2000 norte-americanos perderam a vida por tomar aspirinas, e 300 ao tomarem banho em casa. Por que será, então, que ninguém pede para se aplicar uma moratória ao ácido acetilsalicílico ou às banheiras?

As medicinas alternativas e complementares (MAC) são outro dos focos mais activos do negacionismo científico. Um dos seus grandes propagandistas (com tiques de misticismo New Age) é Andrew Weil: afirma não com­preen­der a preocupação científica em ter estudos controlados, que não são mais do que pormenores insignificantes, tanto para ele como para os seus seguidores. No mundo das terapias naturais, a constatação não é tão importante como a convicção. Segundo Weil, a medicina baseada em evidências “é uma forma de pensar que descarta as provas da experiência; temos de estar atentos à realidade não-material, à cura espiritual”. Advoga, essencialmente, que as particularidades pessoais estão ao mesmo nível ou acima dos ensaios clínicos.

Este modo de pensar explica posições como a do senador democrata Tom Harkin, o defensor político das MAC nos Estados Unidos. Em Março de 2009, Harkin declarou estar muito desiludido com o Centro Nacional para as Medicinas Alternativas, que tinha contribuído para criar. Motivo? Porque apenas se tinha dedicado, desde 1998, “a refutar coisas, em vez de procurar uma maneira de fazer aprová-las”.

O negacionismo nada tem a ver com o cepticismo alimentado pela ausência ou escassez de provas. Como assinalou recentemente, na New Scientist, Michael Shermer, director da Skeptics Society, há uma diferença subtil entre dizer “acredito no Big Bang” e “acredito na democracia”. Em princípio, a primeira afirmação pode ser confirmada ou refutada com recurso a melhores teorias. A segunda, não, pois depende da ideologia ou, noutros casos, da religião. Os dados nunca poderão afectar as suas convicções.

Os mandamentos do negacionista
Pretende defender uma teoria peregrina numa mesa de debate ou num programa televisivo? Aprenda com os especialistas e aplique estes preceitos, simples e suficientemente cínicos.

1. Jogue com a incerteza. Se os cientistas hesitarem, qualquer conclusão basea­da nas suas opiniões será prematura. Defenda que a sua posição também deve ser ouvida; se assim não for, estará a ser vítima de censura.

2. Escolha os argumentos empíricos que apoiem a sua hipótese e ignore os outros.

3. Cite a opinião de falsos peritos. Não interessa que sejam de campos que não pertençam aos do tema em debate

4. Rejeite qualquer consenso científico: na realidade, trata-se de uma conspiração por parte dos poderes fácticos e dos grupos de peritos. Seja conspiranóico.

5. Seja criativo com as falácias lógicas.



M.A.S. SUPER 150


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