domingo, 28 de dezembro de 2014

Chimpanzé de Zoo na Suécia ajuda a mostrar que os animais são capazes de fazer planos

A história quase que vale só por si. No jardim zoológico Furuvik, a norte de Estocolmo, na Suécia, o chimpanzé Santino terá planeado centenas de ataques aos visitantes. O animal recolhia pedras e pedaços de cimento que guardava e que, mais tarde, lançava às pessoas. A agressão premeditada serviu para provar que estes animais são capazes, como os seres humanos, de planear futuros acontecimentos. Um grupo de investigadores na Suécia usou o caso de Santino para o artigo que publicou na edição de ontem da "Current Biology".

Terão sido os cuidadores de Santino no jardim zoológico que detectaram o comportamento estranho. Antes da abertura, de manhã cedo, o chimpanzé recolhia pedras no seu recinto. Santino estava calmo e conseguia reunir uma quantidade razoável de munições. Os ataques só aconteceriam horas mais tarde e, nessa altura, Santino já estava num estado bem mais agitado. A história serviu para Mathias Osvath, cientista da Univerisdade de Lund, demonstrar que estes animais são capazes de prever acontecimentos, um dado que ainda não tinha sido possível provar.

Há outros dados que reforçam a teoria da premeditação como, por exemplo, o facto de Santino não ter este tipo de comportamento na altura do ano em que o zoo está fechado. O chimpanzé terá mesmo desenvolvido uma técnica para fazer "descolar" pedaços de cimento que depois eram usados como arma de arremesso. Este tipo de planeamento de acção pressupõe uma complexa forma de consciência em primatas, nomeadamente a que permite distinguir entre a informação fornecida pela memória e a que é fornecida pelos sentidos. Os investigadores acreditam que estes estados de consciência podem ser encontrados noutros chimpanzés e mesmo noutras espécies animais como os golfinhos.
Público

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Humanos de há 1,5 milhões tinham um pé semelhante ao dos homens modernos

Pegadas descobertas no Quénia mostram que antepassados do Homo Sapiens que viveram há 1,5 milhões de anos tinham pés e uma maneira de andar idêntica à dos humanos actuais.

Um estudo de uma equipa internacional a publicar hoje na revista Science mostra pegadas atribuídas ao Homo Erectus, que reflectem o estilo, o peso e a altura dos homens modernos.

David Braun, um arquéologo da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul e um dos autores do estudo, disse à revista Scientific American que esta descoberta “deixa-nos compreender que eles eram provavelmente tão capazes de andar direitos como nós”.

As pegadas foram encontradas perto do Lago Turkana e representam “a prova mais antiga de uma anatomia do pé essencialmente moderna”, refere o estudo.

Não se trata, no entanto, da pegada humana mais antiga conhecida. Em 1978, foram descobertos em Laetoli, na Tanzânia, vestígios de pegadas do Australopithecus afarensis, datadas de há 3,7 milhões de anos, refere a BBC.

Matthew Bennett, da Universidade de Bournemouth, no Reino Unido, disse à mesma estação que existe uma grande diferença entre umas e outras pegadas.

[As pegadas descobertas agora] dão-nos o diagnóstico de uma maneira moderna de andar e isso não existia nas pegadas de Laetoli”, afirmou.

O cientista referiu que os ossos correspondentes às pegadas não foram encontrados, porque os carnívoros gostam de comer as mãos e os pés.

“Sem a carne, muitos ossos pequenos não são preservados. Por isso sabemos tão pouco sobre a evolução das mãos e dos pés dos nossos antepassados”, disse.


Público

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Ovos podres poderão curar a impotência?

Não há muito tempo foi noticiado que era um mito a ideia de que comer mais que dois a três ovos por semana aumentava drasticamente os níveis de colesterol no sangue. Agora, surge uma investigação que demonstra que o gás libertado pelos ovos podres pode ser uma cura para a impotência. Os ovos podem estar definitivamente a chegar ao topo dos alimentos mais populares.

Apesar de ser tóxico e do seu odor reconhecidamente nauseabundo, o gás presente nos ovos podres, o ácido sulfídrico, em pequenas quantidades, desempenha um papel importante no corpo humano, como demonstra uma investigação de cientistas italianos, referida pela revista “Science”.

Os investigadores da Universidade de Nápoles, Federico II, sabiam que o ácido sulfídrico está associado a erecções em ratos. Dessa forma, decidiram juntar o ácido sulfídrico a pequenas tiras de pele de pénis, obtida através de oito operações de mudança de sexo. Foi verificado que as veias existentes no pedaço de pele relaxaram, o que significa que na vida real isto permitiria um aumento do fluxo sanguíneo e uma consequente erecção.

O gás parece actuar como um neurotransmissor que aumenta o relaxamento vascular e a segregação de hormonas. O Viagra actua da mesma forma através de outro gás, o óxido nítrico. Os investigadores começam agora a testar se o ácido sulfídrico nos pode proteger contra os riscos de ataques cardíacos e se pode ser uma alternativa aos comprimidos azuis.

Segundo a “Science”, o fisiologista Rui Wang, da Universidade de Ontário no Canadá, saúda a descoberta, mas alerta para o facto de que é cedo para falar de comprimidos compostos por ácido sulfídrico. Como salienta Wang, os níveis de concentração de ácido sulfídrico usados na investigação para causar erecções são tóxicos, o que por enquanto impede a sua aplicação clínica.

Rafael Pereira

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Árctico e Antárctico partilham 235 espécies

A descoberta está a intrigar cientistas de todo o Mundo. Há pelo menos 235 espécies de animais que tanto vivem no Oceano Árctico (Pólo Norte) como no Antárctico (Pólo Sul), apesar dos 11 000 quilómetros que os separam, concluíram cientistas do Censo da Vida Marinha.
"Encontrar tantas espécies nos dois extremos da Terra, algumas delas sem ligações conhecidas entre si, levanta sérias questões do ponto de vista da evolução", afirmou Russ Hopcroft, da Universidade de Fairbanks, no Alasca, que participou nas expedições do Censo. Entre as espécies comuns às duas regiões polares contam-se cinco espécies de baleias, cinco de aves marinhas e cerca de cem espécies de crustáceos. "Não estamos ainda certos do que tudo isto significa", reconheceu Bodil Bluhm, investigadora no projecto.
As expedições realizadas no âmbito do Censo permitiram também concluir que há espécies a migrar para os pólos para escapar ao aquecimento das águas. A maior recolha de sempre sobre a vida marinha nos pólos envolveu 500 cientistas de 25 países, entre os quais Portugal, nas várias expedições realizadas pelos cientistas.

O Censo concluiu que há 7500 espécies marinhas no Oceano Antárctico e 5500 no Árctico, estimando-se que o número total em todos os oceanos do Planeta seja entre 230 a 250 mil espécies. Segundo Ron O’Dor, director científico do Censo, o projecto encontra--se "numa etapa de síntese, em que se tenta reunir os 17 projectos para dar ao mundo uma imagem da biodiversidade dos oceanos".
O aquecimento global vai levar a que o Árctico, no extremo Norte do Planeta, tal como o conhecemos hoje, deixe de existir dentro de 20 anos, com a temperatura na região a aumentar sete graus centígrados. Especialistas em ciência polar reunidos em Chicago, EUA, consideram que o aquecimento em curso não se trata de "um mero ciclo passageiro", pelo que "o atestado de óbito do Árctico está assinado".
"Teremos um Verão sem gelo no Árctico em 2030 ou antes disso", vaticinou Mark Serreze, da Universidade de Colorado.
A capacidade dos oceanos para absorver e armazenar dióxido de carbono (CO2) diminuiu dez vezes nos últimos 20 anos, provocando um aumento da concentração do gás com efeito de estufa, concluiu o Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS) francês.
Segundo o CNRS, nas regiões austrais, a explicação para o fenómeno poderá estar na intensificação de ventos que induzem a circulação em profundidade da água, provocando a subida para a superfície do CO2 retido em águas profundas. Já no Atlântico norte, a explicação pode estar nas "alterações na circulação oceânica, numa resposta dos ecossistemas ou como resultado da actividade biológica". As emissões de CO2 geradas pelo Homem subiram desde os anos 90 de 6000 para 10 000 milhões de toneladas.
Para realizar o Censo da Vida Marinha, os cientistas tiveram de enfrentar ondas de 16 metros no Antárctico. Já no Árctico trabalharam com o auxílio de vigilantes armados, por causa dos ursos polares.
Programa internacional de investigação científica iniciado em 2000, o Censo apresentará resultados finais em 4 de Outubro de 2010, em Londres. Para 2009 estão previstas, entre outras, expedições para conhecer vulcões a 5 mil metros de profundidade.

Bernardo Esteves

sábado, 20 de dezembro de 2014

A maior cobra do mundo foi descoberta na Colômbia e pode dar importantes pistas sobre o clima

Tão grande como um autocarro e tão pesada como um pequeno carro. Esta é a descrição no comunicado que anuncia o achado recordista que hoje merece destaque na revista Nature. É a maior cobra do mundo

É sul-americana, pesava 1,140 quilogramas e media 13 metros desde o nariz até à ponta da cauda. Viveu na Colômbia há já cerca de 60 milhões de anos. Uma equipa de cientistas recuperou os restos daquela que será a maior cobra que terá existido à face da terra e relata os pormenores do achado na edição da Nature. Os seus descobridores chamaram-lhe Titanoboa cerrejonensis e acreditam que o tamanho animal pré-histórico pode fornecer pistas importantes sobre o clima e a evolução dos ecossistemas.

“O tamanho é surpreendente. Mas a nossa equipa quis dar um passo em frente e questionou: que temperatura a Terra teria de ter para que um corpo deste tamanho conseguisse sobreviver?”, refere David Polly, geólogo da Indiana University Bloomington, num comunicado que anuncia a descoberta. O especialista é o responsável pela estimativa do tamanho do animal, que fez a partir da análise de uma da vértebras do fóssil. David Polly é apenas um dos elementos da vasta equipa de especialistas que se dedicou ao estudo destes monstruosos restos mortais encontrados na mina de carvão de Cerrejon, no norte da Colômbia.

O paleontólogo Jason Head, da University of Toronto-Mississauga e que é o principal autor do artigo publicado na Nature, juntou os dados recolhidos para chegar à conclusão que a temperatura na região onde a cobra viveu há aproximadamente 60 milhões de anos oscilava entre os 30 a 34 graus celsius (86 a 93 Fahrenheit). A estimativa revela um clima tropical mais quente no passado, mais cerca de cinco graus que o máximo verificado actualmente nesta região. “O ponto chave nesta descoberta é funcionar como ponto de partida para reconstruções climáticas muito precisas. Vai ajudar a perceber como os ecossistemas respondem às mudanças climáticas e a entender melhor o que acontece quando as temperaturas aumentam e diminuem. É, obviamente, um conhecimento muito relevante no actual momento de mudanças climáticas”, afirma Head.

“Estes dados desafiam as teses que dizem que a vegetação tropical vivia muito perto de um clima óptimo e tem implicações profundas na compreensão do efeitos que o actual aquecimento global tem nas plantas tropicais”, nota ainda Carols Jaramillo, especialista no Smitihsonian Tropical Research Institute

“Os ecossistemas tropicais na América do Sul eram muito diferentes há 60 milhões de anos”, conclui Jonathan Bloch, paleontólogo da University of Florida e Florida Museum of Natural History, acrescentando: “Era uma floresta tropical, como hoje, mas era ainda mais quente e estes animais de sangue-frio eram todos substancialmente maiores. O resultado foi, entre outras coisas, a maior cobra que o mundo já viu... e, esperamos, a maior que alguma vez verá”. A Titanoboa foi classificada como uma cobra não venenosa, numa categoria onde também se encontram as boas ou as anacondas.


Andrea Cunha Freitas

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Produtos de limpeza podem provocar resistência das bactérias aos antibióticos


Os produtos de limpeza e higiene podem estar a tornar as bactérias resistentes aos químicos e antibióticos, pelo menos na Inglaterra. Um estudo feito pelas Universidades de Birmingham e Warwick, que recolheu amostras de solo em muitos locais, mostra que existem níveis altos de bactérias com genes resistentes a antibióticos.

Segundo a investigação, os amaciadores, desinfectantes, champôs e outros produtos de limpeza estão a promover a resistência das bactérias. “Todos os anos, a nação [Inglaterra] produz 1,5 mil toneladas de esgotos fabris em que a maioria acaba espalhada na terra agrícola”, disse William Gaze da Universidade de Warwick. O investigador explicou que esses resíduos contêm bactérias resistentes a antibióticos cujo crescimento é desencadeado pelos detergentes. “Ainda para mais, lançamos todos os dias 11 mil milhões de litros de água a partir das casas e das fábricas para os rios e estuários, o que também espalha a resistência.”

A investigação debruçou-se principalmente no ião de amónia, que é muito utilizado nos produtos de limpeza. Em altas concentrações não há dúvida que o composto mata os microorganismos, mas no sistema de esgotos a substância fica diluída o que permite às bactérias criarem resistências.

“Isto é a evolução natural em movimento”, disse Gaze ao jornal “Guardian”. “Se outras bactérias são mortas, as que são resistentes à amónia vão sobreviver e, sem competição, vão multiplicar-se rapidamente. No entanto, o pedaço de ADN que confere esta resistência também contém genes que dão resistência aos antibióticos.”

Os antibióticos utilizados de uma forma irresponsável ou padrões de higiene baixa no dia-a-dia dos hospitais deixam assim de ser as únicas causas para o desenvolvimento de microorganismos multi-resistentes. “A nossa investigação mostra que a resistência aos antibióticos não está reduzida aos hospitais. Está espalhada e a cada momento está a erodir a nossa capacidade de controlar infecções”, explicou ao “Guardian” Liz Wellington, professora e investigadora em Warwick e também responsável pelo estudo. “É extremamente preocupante”, concluiu.

Fumadores frequentes de marijuana têm mais 70 por cento de risco de ter cancro dos testículos

Um grupo de investigadores norte-americanos publica hoje um artigo na revista "Cancer" que estabelece uma associação entre o consumo de marijuana e o risco de desenvolver cancro nos testículos. Segundo os dados obtidos, um fumador frequente de marijuana tem mais 70 por cento de risco de vir a desenvolver um cancro nos testículos. Comparando com alguém que nunca fumou, os consumidores que recorrem a esta droga numa base semanal ou que a fizeram uso dela durante longos períodos na adolescência enfrentam o dobro do risco.

Desde 1950 que a taxa de incidência de dois principais tipos de cancro de testículo (os seminomas e os não seminomas) tem vindo a aumentar a um ritmo de 3 a 6 por cento por ano nos Estados Unidos, Canadá, Europa, Austrália e Nova Zelândia. Paralelamente, durante o mesmo período aumentou também o consumo de marijuana na América do Norte, Europa e Austrália. Os investigadores do Fred Hutchinson Cancer Research Center notaram esta coincidência e decidiram estudar uma possível associação entre os dois fenómenos.

A equipa entrevistou 369 homens com idades entre os 18 e os 44 anos a quem tinha sido diagnosticado um cancro nos testículos e aos quais foram apresentadas questões relacionadas com o consumo de marijuana, entre outras perguntas sobre o estilo de vida (incluindo hábitos tabágicos e de consumo de álcool).

Para que fosse possível um termo de comparação, foram chamados também a participar 979 homens, seleccionados aleatoriamente apenas com base na idade e área geográfica de residência (Seattle). E mesmo tendo em conta diversas variáveis importantes como uma eventual história familiar deste tipo de tumor, o uso de marijuana revelou-se um factor de risco significativo e autónomo para o cancro de testículo.

O cancro nos testículos é responsável por apenas 1% dos cancros no homem. No entanto, é o tumor maligno mais comum no grupo etário entre os 15 e 35 anos, sendo um cancro raro em asiáticos e africanos.

O célebre ciclista Lance Armstrong, que sobreviveu a este cancro, deu alguma visibilidade a este tipo de tumor, que regista sete mil novos casos por ano no mundo.

A história familiar e os casos de crianças até aos três anos com testículos que não desceram para o escroto são factores associados a um maior risco de cancro testicular. Por outro lado, a exposição a marijuana tem sido associada a múltiplos efeitos adversos no sistema reprodutivo, do impacto na qualidade do esperma à impotência e à infertilidade.

Janet Daling, um dos autores do estudo, terá decidido explorar esta ligação entre a marijuana e o cancro testicular após ter assistido a uma conferência, há oito anos, onde foi revelado que o cérebro e os testículos eram os únicos órgãos do nosso corpos que tinham receptores de tetrahidrocanabinoides (THC), o principal componente psicoactivo da marijuana. [Actualmente, estes receptores já foram encontrados noutros sítios como o útero ou o coração].

Stephen M. Schwartz, epidemiologista e um dos autores deste estudo, sublinha que, apesar desta associação clara, há ainda algumas questões por responder como, por exemplo, o facto de esta ligação se constatar apenas num tipo de cancro testicular (os de tipo não seminona, considerado o mais agressivo).

Andrea Cunha Freitas
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