domingo, 28 de dezembro de 2014

Chimpanzé de Zoo na Suécia ajuda a mostrar que os animais são capazes de fazer planos

A história quase que vale só por si. No jardim zoológico Furuvik, a norte de Estocolmo, na Suécia, o chimpanzé Santino terá planeado centenas de ataques aos visitantes. O animal recolhia pedras e pedaços de cimento que guardava e que, mais tarde, lançava às pessoas. A agressão premeditada serviu para provar que estes animais são capazes, como os seres humanos, de planear futuros acontecimentos. Um grupo de investigadores na Suécia usou o caso de Santino para o artigo que publicou na edição de ontem da "Current Biology".

Terão sido os cuidadores de Santino no jardim zoológico que detectaram o comportamento estranho. Antes da abertura, de manhã cedo, o chimpanzé recolhia pedras no seu recinto. Santino estava calmo e conseguia reunir uma quantidade razoável de munições. Os ataques só aconteceriam horas mais tarde e, nessa altura, Santino já estava num estado bem mais agitado. A história serviu para Mathias Osvath, cientista da Univerisdade de Lund, demonstrar que estes animais são capazes de prever acontecimentos, um dado que ainda não tinha sido possível provar.

Há outros dados que reforçam a teoria da premeditação como, por exemplo, o facto de Santino não ter este tipo de comportamento na altura do ano em que o zoo está fechado. O chimpanzé terá mesmo desenvolvido uma técnica para fazer "descolar" pedaços de cimento que depois eram usados como arma de arremesso. Este tipo de planeamento de acção pressupõe uma complexa forma de consciência em primatas, nomeadamente a que permite distinguir entre a informação fornecida pela memória e a que é fornecida pelos sentidos. Os investigadores acreditam que estes estados de consciência podem ser encontrados noutros chimpanzés e mesmo noutras espécies animais como os golfinhos.
Público

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Humanos de há 1,5 milhões tinham um pé semelhante ao dos homens modernos

Pegadas descobertas no Quénia mostram que antepassados do Homo Sapiens que viveram há 1,5 milhões de anos tinham pés e uma maneira de andar idêntica à dos humanos actuais.

Um estudo de uma equipa internacional a publicar hoje na revista Science mostra pegadas atribuídas ao Homo Erectus, que reflectem o estilo, o peso e a altura dos homens modernos.

David Braun, um arquéologo da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul e um dos autores do estudo, disse à revista Scientific American que esta descoberta “deixa-nos compreender que eles eram provavelmente tão capazes de andar direitos como nós”.

As pegadas foram encontradas perto do Lago Turkana e representam “a prova mais antiga de uma anatomia do pé essencialmente moderna”, refere o estudo.

Não se trata, no entanto, da pegada humana mais antiga conhecida. Em 1978, foram descobertos em Laetoli, na Tanzânia, vestígios de pegadas do Australopithecus afarensis, datadas de há 3,7 milhões de anos, refere a BBC.

Matthew Bennett, da Universidade de Bournemouth, no Reino Unido, disse à mesma estação que existe uma grande diferença entre umas e outras pegadas.

[As pegadas descobertas agora] dão-nos o diagnóstico de uma maneira moderna de andar e isso não existia nas pegadas de Laetoli”, afirmou.

O cientista referiu que os ossos correspondentes às pegadas não foram encontrados, porque os carnívoros gostam de comer as mãos e os pés.

“Sem a carne, muitos ossos pequenos não são preservados. Por isso sabemos tão pouco sobre a evolução das mãos e dos pés dos nossos antepassados”, disse.


Público

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Ovos podres poderão curar a impotência?

Não há muito tempo foi noticiado que era um mito a ideia de que comer mais que dois a três ovos por semana aumentava drasticamente os níveis de colesterol no sangue. Agora, surge uma investigação que demonstra que o gás libertado pelos ovos podres pode ser uma cura para a impotência. Os ovos podem estar definitivamente a chegar ao topo dos alimentos mais populares.

Apesar de ser tóxico e do seu odor reconhecidamente nauseabundo, o gás presente nos ovos podres, o ácido sulfídrico, em pequenas quantidades, desempenha um papel importante no corpo humano, como demonstra uma investigação de cientistas italianos, referida pela revista “Science”.

Os investigadores da Universidade de Nápoles, Federico II, sabiam que o ácido sulfídrico está associado a erecções em ratos. Dessa forma, decidiram juntar o ácido sulfídrico a pequenas tiras de pele de pénis, obtida através de oito operações de mudança de sexo. Foi verificado que as veias existentes no pedaço de pele relaxaram, o que significa que na vida real isto permitiria um aumento do fluxo sanguíneo e uma consequente erecção.

O gás parece actuar como um neurotransmissor que aumenta o relaxamento vascular e a segregação de hormonas. O Viagra actua da mesma forma através de outro gás, o óxido nítrico. Os investigadores começam agora a testar se o ácido sulfídrico nos pode proteger contra os riscos de ataques cardíacos e se pode ser uma alternativa aos comprimidos azuis.

Segundo a “Science”, o fisiologista Rui Wang, da Universidade de Ontário no Canadá, saúda a descoberta, mas alerta para o facto de que é cedo para falar de comprimidos compostos por ácido sulfídrico. Como salienta Wang, os níveis de concentração de ácido sulfídrico usados na investigação para causar erecções são tóxicos, o que por enquanto impede a sua aplicação clínica.

Rafael Pereira

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Árctico e Antárctico partilham 235 espécies

A descoberta está a intrigar cientistas de todo o Mundo. Há pelo menos 235 espécies de animais que tanto vivem no Oceano Árctico (Pólo Norte) como no Antárctico (Pólo Sul), apesar dos 11 000 quilómetros que os separam, concluíram cientistas do Censo da Vida Marinha.
"Encontrar tantas espécies nos dois extremos da Terra, algumas delas sem ligações conhecidas entre si, levanta sérias questões do ponto de vista da evolução", afirmou Russ Hopcroft, da Universidade de Fairbanks, no Alasca, que participou nas expedições do Censo. Entre as espécies comuns às duas regiões polares contam-se cinco espécies de baleias, cinco de aves marinhas e cerca de cem espécies de crustáceos. "Não estamos ainda certos do que tudo isto significa", reconheceu Bodil Bluhm, investigadora no projecto.
As expedições realizadas no âmbito do Censo permitiram também concluir que há espécies a migrar para os pólos para escapar ao aquecimento das águas. A maior recolha de sempre sobre a vida marinha nos pólos envolveu 500 cientistas de 25 países, entre os quais Portugal, nas várias expedições realizadas pelos cientistas.

O Censo concluiu que há 7500 espécies marinhas no Oceano Antárctico e 5500 no Árctico, estimando-se que o número total em todos os oceanos do Planeta seja entre 230 a 250 mil espécies. Segundo Ron O’Dor, director científico do Censo, o projecto encontra--se "numa etapa de síntese, em que se tenta reunir os 17 projectos para dar ao mundo uma imagem da biodiversidade dos oceanos".
O aquecimento global vai levar a que o Árctico, no extremo Norte do Planeta, tal como o conhecemos hoje, deixe de existir dentro de 20 anos, com a temperatura na região a aumentar sete graus centígrados. Especialistas em ciência polar reunidos em Chicago, EUA, consideram que o aquecimento em curso não se trata de "um mero ciclo passageiro", pelo que "o atestado de óbito do Árctico está assinado".
"Teremos um Verão sem gelo no Árctico em 2030 ou antes disso", vaticinou Mark Serreze, da Universidade de Colorado.
A capacidade dos oceanos para absorver e armazenar dióxido de carbono (CO2) diminuiu dez vezes nos últimos 20 anos, provocando um aumento da concentração do gás com efeito de estufa, concluiu o Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS) francês.
Segundo o CNRS, nas regiões austrais, a explicação para o fenómeno poderá estar na intensificação de ventos que induzem a circulação em profundidade da água, provocando a subida para a superfície do CO2 retido em águas profundas. Já no Atlântico norte, a explicação pode estar nas "alterações na circulação oceânica, numa resposta dos ecossistemas ou como resultado da actividade biológica". As emissões de CO2 geradas pelo Homem subiram desde os anos 90 de 6000 para 10 000 milhões de toneladas.
Para realizar o Censo da Vida Marinha, os cientistas tiveram de enfrentar ondas de 16 metros no Antárctico. Já no Árctico trabalharam com o auxílio de vigilantes armados, por causa dos ursos polares.
Programa internacional de investigação científica iniciado em 2000, o Censo apresentará resultados finais em 4 de Outubro de 2010, em Londres. Para 2009 estão previstas, entre outras, expedições para conhecer vulcões a 5 mil metros de profundidade.

Bernardo Esteves

sábado, 20 de dezembro de 2014

A maior cobra do mundo foi descoberta na Colômbia e pode dar importantes pistas sobre o clima

Tão grande como um autocarro e tão pesada como um pequeno carro. Esta é a descrição no comunicado que anuncia o achado recordista que hoje merece destaque na revista Nature. É a maior cobra do mundo

É sul-americana, pesava 1,140 quilogramas e media 13 metros desde o nariz até à ponta da cauda. Viveu na Colômbia há já cerca de 60 milhões de anos. Uma equipa de cientistas recuperou os restos daquela que será a maior cobra que terá existido à face da terra e relata os pormenores do achado na edição da Nature. Os seus descobridores chamaram-lhe Titanoboa cerrejonensis e acreditam que o tamanho animal pré-histórico pode fornecer pistas importantes sobre o clima e a evolução dos ecossistemas.

“O tamanho é surpreendente. Mas a nossa equipa quis dar um passo em frente e questionou: que temperatura a Terra teria de ter para que um corpo deste tamanho conseguisse sobreviver?”, refere David Polly, geólogo da Indiana University Bloomington, num comunicado que anuncia a descoberta. O especialista é o responsável pela estimativa do tamanho do animal, que fez a partir da análise de uma da vértebras do fóssil. David Polly é apenas um dos elementos da vasta equipa de especialistas que se dedicou ao estudo destes monstruosos restos mortais encontrados na mina de carvão de Cerrejon, no norte da Colômbia.

O paleontólogo Jason Head, da University of Toronto-Mississauga e que é o principal autor do artigo publicado na Nature, juntou os dados recolhidos para chegar à conclusão que a temperatura na região onde a cobra viveu há aproximadamente 60 milhões de anos oscilava entre os 30 a 34 graus celsius (86 a 93 Fahrenheit). A estimativa revela um clima tropical mais quente no passado, mais cerca de cinco graus que o máximo verificado actualmente nesta região. “O ponto chave nesta descoberta é funcionar como ponto de partida para reconstruções climáticas muito precisas. Vai ajudar a perceber como os ecossistemas respondem às mudanças climáticas e a entender melhor o que acontece quando as temperaturas aumentam e diminuem. É, obviamente, um conhecimento muito relevante no actual momento de mudanças climáticas”, afirma Head.

“Estes dados desafiam as teses que dizem que a vegetação tropical vivia muito perto de um clima óptimo e tem implicações profundas na compreensão do efeitos que o actual aquecimento global tem nas plantas tropicais”, nota ainda Carols Jaramillo, especialista no Smitihsonian Tropical Research Institute

“Os ecossistemas tropicais na América do Sul eram muito diferentes há 60 milhões de anos”, conclui Jonathan Bloch, paleontólogo da University of Florida e Florida Museum of Natural History, acrescentando: “Era uma floresta tropical, como hoje, mas era ainda mais quente e estes animais de sangue-frio eram todos substancialmente maiores. O resultado foi, entre outras coisas, a maior cobra que o mundo já viu... e, esperamos, a maior que alguma vez verá”. A Titanoboa foi classificada como uma cobra não venenosa, numa categoria onde também se encontram as boas ou as anacondas.


Andrea Cunha Freitas

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Produtos de limpeza podem provocar resistência das bactérias aos antibióticos


Os produtos de limpeza e higiene podem estar a tornar as bactérias resistentes aos químicos e antibióticos, pelo menos na Inglaterra. Um estudo feito pelas Universidades de Birmingham e Warwick, que recolheu amostras de solo em muitos locais, mostra que existem níveis altos de bactérias com genes resistentes a antibióticos.

Segundo a investigação, os amaciadores, desinfectantes, champôs e outros produtos de limpeza estão a promover a resistência das bactérias. “Todos os anos, a nação [Inglaterra] produz 1,5 mil toneladas de esgotos fabris em que a maioria acaba espalhada na terra agrícola”, disse William Gaze da Universidade de Warwick. O investigador explicou que esses resíduos contêm bactérias resistentes a antibióticos cujo crescimento é desencadeado pelos detergentes. “Ainda para mais, lançamos todos os dias 11 mil milhões de litros de água a partir das casas e das fábricas para os rios e estuários, o que também espalha a resistência.”

A investigação debruçou-se principalmente no ião de amónia, que é muito utilizado nos produtos de limpeza. Em altas concentrações não há dúvida que o composto mata os microorganismos, mas no sistema de esgotos a substância fica diluída o que permite às bactérias criarem resistências.

“Isto é a evolução natural em movimento”, disse Gaze ao jornal “Guardian”. “Se outras bactérias são mortas, as que são resistentes à amónia vão sobreviver e, sem competição, vão multiplicar-se rapidamente. No entanto, o pedaço de ADN que confere esta resistência também contém genes que dão resistência aos antibióticos.”

Os antibióticos utilizados de uma forma irresponsável ou padrões de higiene baixa no dia-a-dia dos hospitais deixam assim de ser as únicas causas para o desenvolvimento de microorganismos multi-resistentes. “A nossa investigação mostra que a resistência aos antibióticos não está reduzida aos hospitais. Está espalhada e a cada momento está a erodir a nossa capacidade de controlar infecções”, explicou ao “Guardian” Liz Wellington, professora e investigadora em Warwick e também responsável pelo estudo. “É extremamente preocupante”, concluiu.

Fumadores frequentes de marijuana têm mais 70 por cento de risco de ter cancro dos testículos

Um grupo de investigadores norte-americanos publica hoje um artigo na revista "Cancer" que estabelece uma associação entre o consumo de marijuana e o risco de desenvolver cancro nos testículos. Segundo os dados obtidos, um fumador frequente de marijuana tem mais 70 por cento de risco de vir a desenvolver um cancro nos testículos. Comparando com alguém que nunca fumou, os consumidores que recorrem a esta droga numa base semanal ou que a fizeram uso dela durante longos períodos na adolescência enfrentam o dobro do risco.

Desde 1950 que a taxa de incidência de dois principais tipos de cancro de testículo (os seminomas e os não seminomas) tem vindo a aumentar a um ritmo de 3 a 6 por cento por ano nos Estados Unidos, Canadá, Europa, Austrália e Nova Zelândia. Paralelamente, durante o mesmo período aumentou também o consumo de marijuana na América do Norte, Europa e Austrália. Os investigadores do Fred Hutchinson Cancer Research Center notaram esta coincidência e decidiram estudar uma possível associação entre os dois fenómenos.

A equipa entrevistou 369 homens com idades entre os 18 e os 44 anos a quem tinha sido diagnosticado um cancro nos testículos e aos quais foram apresentadas questões relacionadas com o consumo de marijuana, entre outras perguntas sobre o estilo de vida (incluindo hábitos tabágicos e de consumo de álcool).

Para que fosse possível um termo de comparação, foram chamados também a participar 979 homens, seleccionados aleatoriamente apenas com base na idade e área geográfica de residência (Seattle). E mesmo tendo em conta diversas variáveis importantes como uma eventual história familiar deste tipo de tumor, o uso de marijuana revelou-se um factor de risco significativo e autónomo para o cancro de testículo.

O cancro nos testículos é responsável por apenas 1% dos cancros no homem. No entanto, é o tumor maligno mais comum no grupo etário entre os 15 e 35 anos, sendo um cancro raro em asiáticos e africanos.

O célebre ciclista Lance Armstrong, que sobreviveu a este cancro, deu alguma visibilidade a este tipo de tumor, que regista sete mil novos casos por ano no mundo.

A história familiar e os casos de crianças até aos três anos com testículos que não desceram para o escroto são factores associados a um maior risco de cancro testicular. Por outro lado, a exposição a marijuana tem sido associada a múltiplos efeitos adversos no sistema reprodutivo, do impacto na qualidade do esperma à impotência e à infertilidade.

Janet Daling, um dos autores do estudo, terá decidido explorar esta ligação entre a marijuana e o cancro testicular após ter assistido a uma conferência, há oito anos, onde foi revelado que o cérebro e os testículos eram os únicos órgãos do nosso corpos que tinham receptores de tetrahidrocanabinoides (THC), o principal componente psicoactivo da marijuana. [Actualmente, estes receptores já foram encontrados noutros sítios como o útero ou o coração].

Stephen M. Schwartz, epidemiologista e um dos autores deste estudo, sublinha que, apesar desta associação clara, há ainda algumas questões por responder como, por exemplo, o facto de esta ligação se constatar apenas num tipo de cancro testicular (os de tipo não seminona, considerado o mais agressivo).

Andrea Cunha Freitas

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Precisam-se Professores

Centro Pedagógico em Castelo Branco, pretende recrutar professores de Filosofia e Biologia (ensino secundário).

Requisitos: 
- Residência em Castelo Branco;
- Experiência comprovada no ensino;
- Disponibilidade de horário.

Os interessados devem enviar curriculum vitae para

    geralscholarship@gmail.com

sábado, 22 de novembro de 2014

Explicador de Biologia (M/F)

Centro de Explicações nas Colinas do Cruzeiro pretende recrutar para a sua equipa, explicador (M/F) de Biologia para explicações a realizar no centro de estudos - regime part-time - até secundário.

Perfil Pretendido: 
- Licenciatura
- Experiência profissional na área valorizada

Valor pago ao colaborador - 9€/hora

Se tiver interesse por favor envie-nos o seu curriculum para análise para

    geral@besmartwithus.pt

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Professor Área de Ciências

Centro de Estudos em Massamá admite licenciados na Área de Ciências (Matemática, Físico-Química, Biologia) em regime de full time, para acompanhamento em sala de estudo a alunos do 5º ao 9º ano. 

OFERECE-SE: 
Estágio Profissional do IEFP 

PRETENDE-SE: 
licenciatura na área 
boa apresentação 
responsabilidadede e idoneidade 
pontualidade e assiduidade 
capacidade de motivação e comunicação com jovens 
residência na linha de Sintra (preferencial). 

O interessados deverão enviar CV+Carta de Apresentação indicando especialidade e disponibilidade para o nosso endereço de e-mail

    juntat.a.nos@gmail.com


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Alexandre Quintanilha deixa direcção do Instituto de Biologia Molecular e Celular


A partir de hoje um dos nomes mais conhecidos na área da investigação em Portugal, Alexandre Quintanilha, deixará de dirigir um dos mais prestigiados institutos nacionais, o Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), que conduziu desde a fundação há nove anos. A direcção passará a ser assumida pelo número dois do instituto Cláudio Sunkel, que já ocupava o cargo de vice-director.

“É a minha altura de sair e isto continuar”, contou ao PÚBLICO Alexandre Quintanilha, após a reunião onde passou o testemunho a Cláudio Sunkel, investigador principal do grupo de genética molecular do IBMC e professor da Universidade do Porto a que o instituto pertence.

“Acabei de mandar agora uma mensagem de correio electrónico aos outros laboratórios associados e sinto como que uma sensação de satisfação e orgulho, alguma nostalgia também, mas são tudo sensações muito positivas”, conta o biólogo, referindo-se ao grupo de laboratórios associados, a que pertence desde 2000. O IBMC foi um dos primeiros quatro laboratórios a integrar este conceito, atribuido a unidades de excelência no segundo Governo de António Guterres, pelo ministro da ciência Mariano Gago.

Alexandre Quintanilha, filho de um dos mais importantes nomes da biologia portuguesa, Aurélio Quintanilha, nasceu em Moçambique a 9 de Agosto de 1945, o mesmo dia em que era lançada a bomba atómica sobre Nagasaki. Físico de formação inicial, acabou por ingressar na biologia na Universidade da Califórnia, em Berkeley de nde partiu para Portugal. Chegou em 1990.

O esboço do IBMC começou então a ser burilado, era Cavaco Silva primeiro-ministro. Em 1992 surgiriam as primeiras linhas sobre o que viria a ser o IBMC em 1999, fruto da agregação de seis faculdades da Universidade do Porto e de dois hospitais da cidade, juntamente com o Instituto Ricardo Jorge.

“É no fundo uma história com 16 anos. Chegou à adolescência, é preciso torcer o braço para que as gerações mais novas lhe peguem. Temos hoje quase 200 doutorados e mais de 400 pessoas. Crescemos a pouco e pouco muito com os pés na terra.”

Cláudio Sunkel diz que os principais desafios que esperam o IBMC no futuro são três: “O primeiro e mais importante é continuar o desenvolvimento científico e a excelência, O segundo tem a ver com a alteração do estatuto da Universidade do Porto, que vai passar a fundação e temos de encontrar o nosso espaço nesta nova relação. O terceiro é passar da investigação à aplicação e dar prioridade à transferência de tecnologia, atrair e formar empresas. Mais de uma forma de ultrapassar a crise é uma forma de desenvolvimento”.

O novo responsável do IBMC, que hoje mesmo já tomou posse, lança uma mensagem sobre o contexto actual: “O que é mais importante lembrar nestes tempos de crise é que a ciência faz parte de um contexto económico. É fundamental rentabilizar os financiamentos que existem”. E refere que “2008 foi um ano de muita regularidade” no financiamento da ciência, em que saldaram dívidas antigas. “Mas é preciso muita ginástica financeira”.

Para Alexandre Quintanilha, que permanecerá, por algum tempo, como vice-presidente, o futuro é ainda indefinido: “Não quero ficar como uma eminência parda, isso é nocivo, tóxico, terrível para quem fica. Quero ajudar mas há uma nova direcção. Vou ler mais dedicar-me às aulas, estudar filosofia, arquitectura e dedicar-me a outros projectos”, diz o único português no comité de investigação da Sociedade National Geographic, responsável do Conselho de Laboratórios Associados, membro do Conselho Nacional para a Procriação Medicamente Assistida...entre outras funções.

“Costumo dizer que de 20 em 20 anos preciso de novos desafios”, diz, aludindo ao facto de ter vindo para Portugal há 20 anos. “Não sei se sairei do Porto, tudo é possível, não estou fechado. Posso ser seduzido para muitas outras coisas”.

domingo, 16 de novembro de 2014

Colónia de orangotangos descoberta em floresta na Indonésia

Os orangotangos têm a sua sobrevivência ameaçada, por isso a recente descoberta na floresta indonésia da ilha de Bornéu é uma boa notícia: vive lá uma comunidade que poderá chegar aos 5000 indivíduos deste género de grandes símios, anunciou hoje a ONG Nature Conservancy.

Erik Meijaard, responsável da Nature Conservancy, contou à AFP que a comunidade que vive na floresta da província de Kalimantan terá cerca de 5000 orangotangos. A estimativa baseia-se nas “camas” construídas pelos animais para se aninharem junto às árvores que foram encontradas.

“Já contactámos as autoridades locais e os grupos indígenas para que seja criada uma zona de protecção aos orangotangos”, disse à AFP Nardiyono, um cientista indonésio que organizou o estudo.

Os orangotangos, da espécie Tongo pygmaeus morio, têm pelo castanho e terão fugido para a região onde foram encontrados após o incêndio que devastou parte de Kalimantan em 1997 e 1998. Segundo estimativas da Nature Conservancy, há entre 50.000 e 60.000 orangotangos a viver em ambiente selvagem em todo o mundo, cerca de 80 por cento na Indonésia e 20 por cento na Malásia.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Descoberto ácaro do lagarto-de-água

Não há espécie que esteja livre de parasitas, no lagarto-de-água, endémico da Península Ibérica, foi descoberto mais um, o Ophionyssus schreibericolus - um ácaro que vive nas escamas do réptil e que poderá aumentar o conhecimento sobre os modelos de parasitismo e sobre os mecanismos evolutivos e de resistência dos hospedeiros.

O estudo, publicado na revista espanhola Zootaxa, foi feito por uma equipa internacional de investigadores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, a que pertence Raquel Godinho, e contou com a colaboração de Maria Moraza, da Universidade da Navarra, especialista em taxonomia de ácaros.

A descoberta do ácaro deveu-se ao interesse evolutivo do lagarto-de-água, uma espécie que não está ameaçada. O Lacerta schreiberi está distribuído pelo noroeste peninsular e no sistema central espanhol, com duas populações muito distintas a nível genético. Estas duas unidades encontram-se apenas na Serra da Malcata, que está na fronteira luso-espanhola.

"Temos dedicado muito tempo ao estudo da zona de contacto, não só em termos genéticos para compreender a extensão e o tipo de hibridação entre as duas grandes populações deste lagarto, como para estudar outras características de possível diferenciação, como a morfologia e a cor", explicou à Lusa Raquel Godinho.

Na sequência desse trabalho, a equipa do Porto focou-se em alguns parasitas internos e externos do lagarto. Quando encontraram o ácaro entraram em contacto com os colegas espanhóis, especialistas nesta área. "Foi depois da equipa da Universidade da Navarra observar os exemplares do ácaro que se percebeu que se tratava de uma espécie inteiramente nova para a Ciência", observou a investigadora portuguesa.

“Este parasita alimenta-se do sangue e dos fluidos existentes nos tecidos e encontra-se em 65 por cento dos répteis analisados [127], com um nível de parasitismos de cinco ácaros por réptil”, disse Maria Moraza ao Science Daily.

O Lacerta schreiberi vive na Península Ibérica há 1,8 milhões de anos e sobreviveu aos vários ciclos glaciares, desde os últimos dez mil anos que as duas populações têm vindo a divergir. Os investigadores vão tentar verificar agora se o ácaro (que acabou por ser acarinhado com o nome do lagarto) só parasita uma das linhagens do réptil, se parasita as duas ou se também existe noutras espécies da mesma família.

Para além disso vai ser analisado o ADN dos ácaros. Segundo Stuart Baird, investigador da equipa do Porto, esta análise vai servir "para compreender melhor as causas da formação de novas espécies e conhecer em detalhe a história evolutiva da Península Ibérica e a forma como a natureza responde às alterações climáticas."

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Porco-espinho bébé




segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Veneno e dentes do dragão de komodo responsáveis pela morte das presas


Até agora fugia-se dos dentes do dragão de komodo por causa das bactérias mortais que vivem na sua saliva, mas um novo estudo, publicado online na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”, mostra que afinal é do veneno que se tem que ter medo.

“A teoria defendida de que o dragão de Komodo mata regularmente utilizando as bactérias que carrega na boca é errada”, disse em comunicado o co-autor do estudo Stephen Wroe, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália. “O dragão é verdadeiramente venenoso. Tem glândulas salivares modificadas que injectam agentes hipersensitivos e anticoagulantes que, combinados com as adaptações dos dentes e de um crânio de peso leve, permitem matar animais grandes através de uma perda de sangue rápida.”

O dragão de komodo, Varanus komodoensis, é o maior lagarto terrestre que existe, podendo alcançar os três metros de comprimento e vive em algumas ilhas do arquipélago da Indonésia. “Estes grandes répteis carnívoros são conhecidos por morderem a presa, libertarem-na, deixando-a sangrar até à morte devido às feridas infligidas. Nós mostrámos agora que é o arsenal combinado dos dentes do Dragão de Komodo e o veneno que contam para a caça”, disse em comunicado o primeiro autor do artigo, Bryan Fry, investigador da Universidade de Melbourne na Austrália.

Os investigadores analisaram a forma do crânio do lagarto e a força capaz de exercer durante a mordida – comparando com a dentada do crocodilo –, através de imagens de ressonância magnética. Apesar da força com que o dragão morde ser menor do que a do crocodilo, as glândulas de veneno e os dentes serrilhados permitem lacerações profundas por onde entra o veneno.

Para analisar a composição do veneno, os investigadores retiraram as glândulas a um dragão de komodo do jardim zoológico de Singapura, que estava mortalmente doente. As análises mostraram uma bateria de moléculas que diminuem a pressão sanguínea, o que faz com que a vítima entre em choque quando é mordida. O veneno também está carregado de toxinas anticoagulantes que não deixam a ferida das vítimas sarar. “A combinação da dentada especializada e do veneno parece minimizar o contacto entre o Dragão e a sua preza, o que permite caçar animais maiores”, explicou Bryan Fry.

O dragão de komodo não conta com mais de cinco mil indivíduos distribuídos por cinco ilhas do arquipélago da Indonésia e é considerada uma espécie vulnerável. Este estudo mostrou ainda que o Varanus priscus, um parente próximo do dragão de komodo com sete metros de comprimento que desapareceu há 40 mil anos, também utilizava veneno para atacar as prezas e foi o maior animal venenoso que alguma vez existiu.

sábado, 8 de novembro de 2014

Cientistas portugueses invalidam um dos dogmas da biologia


Há 270 milhões de anos, uns bocadinhos do património genético de diminutos fungos, que até lá não tinham nada de particular, começaram a sofrer uma mudança de identidade. Normalmente, os fungos, do género Candida – não deveriam ter sobrevivido a tal alteração genética – mas sobreviveram, ao ponto que são hoje os principais responsáveis pelas infecções fúngicas nos seres humanos. Como é que foi possível? A sequenciação dos genomas de uma série de espécies deste fungo permitiu agora explicar este aparente paradoxo.

O genoma dos seres vivos é uma grande molécula, feita do encadeamento de quatro moléculas de base, a que chamamos “letras” para respeitar a metáfora segundo a qual o genoma contém as “instruções” para a construção de cada tipo de organismo. Grosso modo, cada “palavra” de três letras consecutivas, ou “codão”, codifica um dos 20 aminoácidos, os tijolos de construção que as células vivas utilizam para fabricar as suas proteínas, componentes essenciais dos tecidos biológicos. Aminoácidos esses que o organismo vai buscar às proteínas animais contidas nos alimentos.

Desde a descoberta dos codões, há uns 50 anos atrás, pensava-se que essa correspondência codão-aminoácido – o chamado “código genético” – era comum a todos os organismos vivos, universal. O argumento era que, uma vez o código genético fixado, de uma vez por todas, nos primórdios da evolução das espécies, já não podia ser alterado sem consequências funestas para o organismo afectado.

No fim da década de 80, porém, Manuel Santos e a sua equipa da Universidade de Aveiro foram dos primeiros grupos do mundo a propor que isso não era bem assim: descobriram que as Candida conseguiram sobreviver apesar de ter sofrido uma alteração do seu código genético que deveria ter sido perfeitamente tóxica. Num trabalho hoje publicado em consórcio internacional na revista “Nature”, explicam pela primeira vez, graças à análise comparativa dos genomas de várias espécies diferentes de Candida, como é que essa “mudança de identidade” teve concretamente lugar.

“O nosso resultado tem implicações tremendas do ponto de vista biológico”, disse-nos em conversa telefónica Manuel Santos. “Significa que o código genético não é universal. Já tínhamos descoberto essas alterações há uns anos, mas com este estudo conseguimos perceber como é que essa evolução aconteceu.”

Basicamente, nas Candida, o codão que inicialmente mandava colocar no sítio correspondente da proteína em construção um aminoácido chamado leucina, passou a comandar a colocação de um outro aminoácido, a serina. E esta alteração do código genético “deveria ter sido letal”, repete Manuel Santos.

Mas esse codão não mudou repentinamente de identidade; pelo contrário, fê-lo muito gradualmente, ao longo de milhões de anos. “Há 270 milhões de anos, esse codão começou a mudar e adquiriu duas identidades diferentes”, diz ainda Manuel Santos. A maior parte das vezes, continuava a comandar a colocação de leucina, mas de vez em quando colocava serina. A seguir – e é este o segredo do sucesso da operação –, “durante 100 milhões de anos, esse codão desapareceu praticamente do genoma dos fungos. E quando reemergiu, com a sua segunda identidade, foi em posições onde já não era tóxico para os genes”. Um belo truque evolutivo.

Para que é que serve este tipo de alteração ao código genético? “Não sabemos”, responde-nos Manuel Santos. Mas acrescenta logo: “Estes fungos têm uma enorme necessidade de contornar o sistema imunitário humano. Uma possibilidade é que esta alteração do código genético seja um mecanismo compensatório destinado a aumentar a diversidade genética das Candida, que só muito raramente se reproduzem de forma sexuada”. Os organismos que apenas se reproduzem de forma assexuada formam colónias de clones, geneticamente idênticos – e portanto, têm dificuldade em resistir aos ataques do sistema imunitário dos seus hospedeiros.

Um outro dos aspectos agora esclarecidos por este trabalho prende-se precisamente com a reprodução destes fungos. “Há décadas que a reprodução sexuada dos fungos era objecto de intenso debate”, frisa Manuel Santos. “Pensava-se que não havia reprodução sexuada nestes organismos. Mas ela é importante para gerar diversidade genética. Agora, a sequenciação dos genomas de Candida clarificou definitivamente esta questão: algumas espécies possuem genes de reprodução sexuada e outras não. Contudo, naquelas que apresentam uma reprodução sexuada, ela só acontece muito raramente, sendo normalmente assexuada” – isto é, por fissão celular.

Normalmente, as candidíases manifestam-se como lesões cutâneas e podem ser facilmente tratadas com medicamentos antifúngicos. Mas, em caso de deficiência imunitária, podem ser letais, espalhando-se para o fígado, os pulmões, o cérebro. Põem em risco bebés prematuros, doentes transplantados, pessoas com HIV. E algumas espécies estão a tornar-se resistentes.

O que faz com que uma espécie de Candida seja patogénica e outra inócua? Este é um dos aspectos ainda pouco claros. Mas os resultados hoje publicados permitem começar a desvendar o mistério. “A sequenciação dos genomas e a sua comparação mostrou que as espécies patogénicas possuem um conjunto de genes envolvidos na patogénese” diz Manuel Santos, que liderou a participação portuguesa no trabalho.

Mais precisamente, o seu genoma contém um maior número de cópias de uma série de genes que codificam o fabrico de proteínas, chamadas adesinas, que comandam a síntese de proteínas da parede celular destes fungos. “São elas que interagem com as células humanas”, frisa Manuel Santos, “e isso é importante para a adaptação do fungo ao sistema imunitário do hospedeiro”, adaptação que condiciona a manutenção da infecção. “Este resultado é muito importante porque pode permitir desenvolver novos antifúngicos”, conclui.

domingo, 26 de outubro de 2014

Relatório apresenta 163 novas espécies


O mais recente relatório da WWF (World Wide Fund for Nature), uma organização não-governamental ambientalista, revela 163 novas espécies identificados durante 2008, na região asiática do Grand Mekong. Entre as criaturas mais bizarras pode encontrar-se uma rã com dentes que se alimenta de aves e uma osga de olhos laranja e pintas de leopardo.

O relatório, denominado ‘Close Encounters’, refere que no ano passado os cientistas identificaram 100 novas plantas, 28 peixes, 18 répteis, 14 anfíbios, dois mamíferos e uma ave nas selvas e rios no sudoeste asiático, nos seis banhados pelo Rio Mekong: China, Cambodja, Laos, Birmânia, Tailândia e Vietname.

Coube a Stuart Chapman, director da WWF, apresentar o relatório que acrescenta as novas descobertas às cerca de 1000 espécies já identificadas na região entre 1997 e 2007.

“Depois de vários milénios escondidas, estas espécies estão agora finalmente sob os holofotes e, certamente, existem ainda muitas mais à espera de serem descobertas”.

Uma das novas criaturas é a Limnonectes megastomias, uma rã com dentes que vive em pequenos riachos tailandeses. Após alguns estudos, a equipa de cientistas que analisou o local, anunciou a descoberta de penas nas fezes do animal, o que significa que a sua alimentação inclui aves, além de outros anfíbios e insectos.

A osga Cat Ba (Goniurosaurus catbaensis), habitante das Ilhas Cat Ba, no Vietname, tem grandes olhos de cor lararanja e um corpo coberto de pintas, à semelhança dos leopardos.

Quando um dos cientistas se preparava para capturar a osga descobriu, acidentalmente, uma nova espécie de víbora.

“Estávamos concentrados a tentar apanhar a nova espécie de osga. Foi nesse momento que o meu filho me alertou que a meros centímetros de distância da minha cabeça estava uma víbora! Decidimos capturá-la e só depois percebemos que era uma espécie desconhecida.”, contou Lee Grismer, da Universidade La Sierra da Califórnia.

A víbora Cryptelytrops honsonensis, mede um metro e apresenta 92 listas amarelas que ziguezagueiam pelo seu corpo.

O relatório da organização alerta ainda para os perigos que as alterações climatéricas poderão ter na sobrevivência destas espécies.

Luís Murteira Nunes

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Cientistas devolvem movimentos a ratos paraplégicos


Cientistas da Universidade Zurique, na Suíça, conseguiram que ratazanas paraplégicas voltassem a andar, e até mesmo a correr, graças a uma complexa combinação de medicamentos, estimulação eléctrica e exercício físico.


O estudo desenvolvido sugere que a regeneração de fibras nervosas não é fundamental, como anteriormente se pensava, para que os indivíduos afectados por paralesia recuperem os movimentos, abrindo uma nova linha de investigação no tratamento de lesões da espinal medula.

De acordo com Gregoire Courtine, professor responsável pela equipa de científicos, “a medula contém circuitos nervosos que, por si mesmos, sem intervenção do cérebro, podem gerar a actividade rítmica que faz mover os músculos das pernas, impulsionando o movimento de andar”.

Os cientistas da Universidade suíça trataram ratazanas que não conseguiam mexer as patas traseiras, colocando-as sobre uma passadeira que se movia a baixa velocidade, ao mesmo tempo que lhe administravam fármacos e choques eléctricos no local da lesão.

Esta combinação de técnicas provocou a regeneração do movimento rítmico dos músculos. No final do procedimento os animais caminhavam com normalidade, chegando a correr quando a passadeira rolante aumentava a velocidade.

A equipa dirigida por Courtine sublinha que o procedimento não permite que o indivíduo se desloque quando o seu cérebro ordena, mas sim através de uma acção externa que recupera os movimentos, que poderá também vir a ser aplicada em seres humanos.

L.M.N.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Salto de vida da água para terra

Os primeiros vertebrados munidos de patas, os tetrápodes, apareceram há 397 milhões de anos, segundo indícios encontrados na Polónia e que lançam uma nova luz sobre a evolução da vida marinha para a vida terrestre, informa um artigo publicado na revista ‘Nature’.

Os indícios encontrados em sedimentos marinhos que datam do período Devoniano médio (397-385 milhões de anos), são 18 milhões de anos anteriores aos mais antigos tetrápodes descobertos até ao presente. Os animais eram provavelmente semelhantes a crocodilos e teriam tido um estilo de vida semelhante aos dos anfíbios (que só vieram a surgir milhões de anos depois).

O tamanho das pegadas indica que eles teriam mais de dois metros de comprimento. Além disso, ao contrário do que se acreditava até então, os primeiros tetrápodes não teriam vivido em lagos de água doce e deltas fluviais e sim no lodo marinho que fica a descoberto com a maré baixa ou nas lagunas de recifes de corais. O meio ambiente fluvial do Devoniano provavelmente não proporcionava aos tetrápodes recursos alimentares tão abundantes e fáceis de capturar.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Descoberto animal que faz fotossíntese

Uma equipa de cientistas norte-americanos da Universidade da Flórida do Sul, descobriu o primeiro animal que consegue realizar a fotossíntese, algo que até agora era exclusivo das plantas. A Elysia chlorotica é uma lesma do mar de cor verde, que habita a costa este dos Estados Unidos e Canadá.

A lesma era conhecida por “roubar” os genes das algas de que se alimenta, as Vaucheria litorea. Desta forma obtinha os cloroplastos – estruturas de cor verde características de células vegetais que permitem a conversão da luz solar em energia –, armazenando-os nas células que cobrem os seus intestinos. No entanto, os últimos estudos da equipa de cientistas revelam que o molusco marinho desenvolveu as suas capacidades químicas, permitindo-lhe fabricar clorofila – pigmento que captura a luz solar - sem necessitar de roubar aos seus alimentos.

Os investigadores utilizaram um sofisticado equipamento radioactivo que comprova a produção dos pigmentos fotosintéticos de forma autónoma. Na lesma marinha, os cloroplastos extraídos permanecem activas durante um ano, o que significa que, no caso de uma lesma jovem se alimentar uma vez das algas Elysia chlorotica e tiver acesso à luz solar, não tem necessidade de voltar a comer durante a sua vida.

De acordo com a equipa de cientistas, durante o estudo, que será publicado na revista ‘Symbiosis’, foram encontrados exemplares da Vaucheria litorea que não se alimentavam há pelo menos cinco meses.




Luís Murteira Nunes

sábado, 18 de outubro de 2014

Precisa-se Professor de Biologia

Centro de Estudo sitiuado na margem sul, concelho de Almada precisa de professor de Biologia para o ensino secundário. 

Os candidatos deverão enviar o CV para o seguinte email

    sara.galhetas@gmail.com

Aranha de 16 centímetros cria teias douradas

Uma equipa de investigadores do museu de História Natural Smithsonian e da Academia de Ciências da Eslovénia descobriu uma nova espécie de aranha com 16 centímetros, na África do Sul.

O aracnídeo, baptizado ‘Nephila’, além do seu impressionante tamanho, caracteriza-se pela sua capacidade para tecer uma teia de aranha dourada com um metro de diâmetro.

Actualmente são conhecidos 41 mil tipos de aracnídeos, sendo que todos os anos são acrescentadas entre 450 e 500 novas espécies. No entanto, desde o século XIX que não era descoberto um espécime que tecesse teias em tons dourados, tornando esta descoberta extraordinária na área.

Apesar das fêmeas poderem atingir os 16 centímetros, os machos são cinco vezes mais pequenos.

Os cientistas que publicaram o achado, na revista ‘PLoS ONE’, temem que a aranha esteja em risco de extinção pelo facto de o seu habitat estar restrito a um pequeno bosque no Parque Tembe Elephant, em KwaZulu-Natal.

sábado, 11 de outubro de 2014

A vingança do joãozinho


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O Fundo dos Oceanos


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Beleza Selvagem


domingo, 5 de outubro de 2014

Formadores - Área de Biologia (codigo 520) - Torres Vedras - SA-Formação

Ref.ª Biol. - Formador para áreas de competência chave (Biologia Código 520)
Perfil:
- Comprovada experiência profissional na área a que se candidata.
- Experiência formativa nas UFCD´s deste referencial:
- Habilitação académica de nível superior
- Disponibilidade em horário laboral (Torres Vedras) – três a quatro vezes / semana
- Os candidatos devem indicar no assunto, a referência a que se candidatam, caso contrário as candidaturas não serão consideradas
- Só serão contactados os candidatos cuja análise curricular seja relevante para preenchimento de necessidades imediatas. Os demais passarão a constar da bolsa de formadores da SA Formação

Resposta para
    formadores@sa-formacao.pt

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Mães na Natureza ...


domingo, 28 de setembro de 2014

Professor de Biologia-Geologia

Sala de Estudo de Fafe está a recrutar Professor de Biologia-Geologia.

Enviar curriculum vitae para

    exatamente@sapo.pt

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Cientistas investigam papa-formigas-pigmeu

O tamanduá é uma espécie quase desconhecida. Sabe-se apenas que mede 20 centímetros e pesa cerca de 300 gramas.

Um grupo de cientistas brasileiros está na floresta da Amazónia em busca de novas informações sobre a menor espécie de tamanduá do mundo, o Cyclopes didactylus. Conhecido como tamanduá, o animal ainda foi pouco estudado, mas sabe-se que tem peso médio de 300 gramas e mede 20 centímetros, descontando a cauda, revela o Globo. A maior espécie de papa-formigas existente, o tamanduá-bandeira, pode pesar 50 kg e medir até 2 metros, contando a cauda, e está ameaçada de extinção. De acordo com Flávia Miranda, pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás no Brasil (Projecto Tamanduá), ainda não é possível dizer se o tamanduá corre risco de desaparecer, devido à escassez de informações. Mas há relatos de que o animal é capturado para domesticação e suspeita-se de que é caçado como alimento em algumas comunidades da floresta. "Não há estatísticas sobre o tamanduá", explica, embora se pense que a população da espécie na Amazónia é vasta. A distribuição original abrange florestas tropicais na América Central e do Sul, em regiões abaixo de 1500 m de altitude. Esta nova pesquisa vai permitir fazer descrições sobre a ecologia, as doenças e a genética da espécie. "Pretendemos entender como vivem as populações do animal no Brasil e, a partir disso, identificar um plano de acção." Por enquanto, sabe-se que o tamanduá tem hábitos nocturnos e que se alimenta basicamente de formigas e térmitas.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Águia com prótese no bico

Um dentista norte-americano colocou uma prótese no bico partido de uma águia.

A ave foi encontrada em Dezembro passado com a parte superior do bico partida e Kirk Johnson conseguiu colocar uma prótese feita com o mesmo material de que são feitas as coroas dentárias.

Em reportagem da emissora KTUU, o dentista sublinhou que, apesar de estar a recuperar bem, muito dificilmente a águia poderá voltar à vida selvagem.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Açores: monte submarino Condor vedado à pesca para permitir investigação científica


O monte submarino Condor, um dos mais importantes bancos de pesca dos Açores, está vedado a toda a actividade pesqueira durante dois anos para permitir a realização de um importante projecto de investigação científica.
A iniciativa do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores pretende criar um observatório para o estudo a longo prazo e monitorização dos ecossistemas dos montes submarinos nos mares do arquipélago.

“Os bancos e montes submarinos suportam uma elevada densidade biológica, mas o conhecimento da sua biodiversidade ainda é diminuto”, frisou Gui Menezes, investigador do DOP. Este desconhecimento resulta do facto de apenas terem sido estudados até agora cerca de 200 dos 100 mil montes submarinos que se estima existirem em todo o mundo.

Para conhecer melhor o Condor, este banco submarino foi fechado a toda a actividade pesqueira a 1 de Junho e assim se manterá durante dois anos para permitir o trabalho dos investigadores, num projecto em que o DOP tem como parceiros o Instituto Nacional de Investigação das Pescas e do Mar (IPIMAR) e o Instituto de Recursos Marinhos da Noruega.

No mar dos Açores, os montes submarinos são estruturas muito comuns, onde se estima que existam 63 grandes montes submarinos e 398 pequenos montes ou estruturas afins.

“Nos Açores, cerca 60 por cento das pescas demersais e de profundidade são efectuadas em montes submarinos”, frisou Gui Menezes, para quem estes ecossistemas marinhos são “de extrema importância, tanto ao nível biológico como económico”.

Com a área fechada à pesca, os cientistas vão instalar vários equipamentos científicos e realizar campanhas de investigação que permitirão recolher dados sobre questões como a variabilidade espacial e temporal nas abundâncias de organismos, a recuperação do impacto das pescas e as migrações de algumas espécies.

Em Julho está prevista uma campanha de recolha de organismos na coluna de água e a colocação de uma sonda para a recolha permanente de imagens.

“O que se passar no Condor vai dar indicadores muito importantes para a gestão pesqueira”, frisou Gui Menezes, admitindo que, no final do projecto, “é natural que se observem algumas alterações na abundância das espécies”. Por isso, admitiu que esta medida de encerramento de um banco de pescas poderá vir a ser aplicada noutros locais.

O monte submarino Condor está localizado a 18,5 quilómetros a sudoeste do Faial, a uma profundidade que varia entre 180 e 1000 metros. Aos 800 metros de profundidade tem 26 quilómetros de extensão e 7,4 quilómetros de largura.

domingo, 21 de setembro de 2014

Professor(a) Biologia

Precisa-se professor(a) com habilitações e/ou formação específica para dar explicações, a alunos do ensino básico, secundário e universitário, a partir do mês de Setembro. 
Os interessados deverão mandar C.V. para posterior análise e eventual entrevista presencial. 

Requisitos: 
Proximidade de residência do centro de estudos (Lamego) 
Experiência 
Disponibilidade 

Respostas para:

sábado, 20 de setembro de 2014

Uma vida artificial

A revolução das criaturas sintéticas

Em Maio, um grupo de cientistas anunciou ter conseguido criar a primeira bactéria com ADN artificial. Trata-se de um passo de gigante na corrida para fabricar novos seres a partir do zero.

Imagine células sanguíneas a transportar pelas suas veias não apenas o oxigénio necessário para a sobrevivência como, também, fármacos. Imagine sangue desidratado e armazenado durante meses, ou anos, que fosse possível levar para qualquer parte, incluindo o espaço. Imagine transfusões feitas sem risco de contrair qualquer doença. É o que vende a promissora biologia sintética.

O termo foi criado, em 1974, pelo oncologista polaco Waclaw Szybalski: “Até agora, temos estado a trabalhar na fase descritiva da biologia molecular. Todavia, o verdadeiro desafio começará quando entrarmos na fase da biologia sintética. Nessa altura, desenvolveremos novos elementos de controlo para serem acrescentados a genomas já existentes, ou criaremos outros totalmente novos.” Esta combinação de bioquímica e genética colocava duas questões que estamos, actual­mente, muito perto de conseguir resolver: qual o número mínimo de genes necessário para poder haver vida? É possível criar um ser vivo ex novo?

Em Março de 2004, partia do porto de Halifax, no Canadá, o Sorcerer II, o iate privado do conhecido empresário e biólogo John Craig Venter, um dos “pais” do Projecto Genoma. A missão de dois anos consistia em circumnavegar a Terra para recolher espécimes das comunidades microbianas marinhas e avaliar a sua diversidade genética. A expedição Global Ocean Sampling (GOS) reuniu mais de seis milhões de genes e milhares de novas famílias de proteínas.

A energia do futuro, em ADN?

De todos os genes obtidos, Venter está particularmente interessado nas 20 mil que fabricam proteínas que podem metabolizar hidrogénio; o seu faro de homem de negócios diz-lhe que ganhará dinheiro se encontrar uma solução biológica para o problema das novas fontes de energia. Está também de olho no gene da proteína rodopsina, que os vertebrados possuem nas células da retina e que traduz a energia luminosa em impulsos nervosos. Por que será que este pigmento visual foi encontrado nas bactérias marinhas pescadas por Venter? Os microbiólogos pensam que funciona como bóia de sinalização: quando está muito escuro, a rodopsina não produz impulsos eléctricos e o micróbio sabe que se encontra a demasiada profundidade.

Na base do plano de trabalho do biólogo está a identificação da estrutura mínima do genoma necessária para uma bactéria poder subsistir exclusivamente em condições controladas em laboratório, a fim de se poder implantar-lhe genes sintéticos com capacidade para criar biocombustíveis. Depois, será preciso criar uma célula-zombie: retira-se o material genético ao microrganismo para ser substituído pelo ADN artificial. Na última década, foi essa a meta dos J. Craig Venter Institutes (http://www.jcvi.org), em Rockville e San Diego.

Em Junho de 2007, os seus cientistas conseguiam transformar a bactéria da espécie Mycoplasma capricolum noutra, Mycoplasma mycoides, ao substituir o cromossoma da segunda pelo da primeira. Em Janeiro do ano seguinte, Venter e o seu antigo colaborador Hamilton Smith (Prémio Nobel em 1978) anunciavam a criação do primeiro ADN sintético com base no Mycoplasma genitalium, uma bactéria que infecta o aparelho genital dos primatas.

Para não restarem dúvidas de que era artificial, os cientistas criaram um código semelhante ao Morse, mas em que o papel dos pontos e traços era desempenhado pelas quatro “letras” do ADN: timina (T), guanina (G), citosina (C) e adenina (A). Com as letras e os restantes componentes do ADN, formaram uma sequência que, adequadamente descodificada, revelava o nome dos 46 investigadores envolvidos no projecto, o endereço de uma página da internet para onde enviar uma mensagem de correio electrónico se alguém conseguisse decifrar o código, e três citações: uma de James Joyce, outra do físico Richard Feynman e uma outra do livro American Prometheus, a biografia de J. Robert Oppenheimer, um dos pais da bomba atómica.

Em Maio, deram o derradeiro passo: a criação inédita de um organismo sintético. Para fabricar o Mycoplasma mycoides JCVI-syn 1.0 (Synthia, como lhe chamam familiarmente os investigadores), sintetizaram ADN do genoma de M. mycoides e transplantaram-no para uma M. capricolum. Smith recorre a uma metáfora informática para explicar o processo: “O genoma é o sistema operativo, e o citoplasma (o recheio celular) é o equipamento necessário para o executar. Os dois juntos fazem que uma célula funcione.”

Os problemas de “Synthia”

Os problemas começaram quando se tentou “reiniciar” a criatura, pois muitos dos genes sintéticos não trabalham e os que funcionam não têm qualquer utilidade. As bactérias obtidas desta forma limitam-se a crescer e a reproduzir-se. Apesar disso, Venter declarou que se trata da “primeira célula sintética, pois contém um cromossoma fabricado com quatro frascos de produtos químicos, um sintetizador comercial e um computador”.

Embora, em termos conceptuais, Synthia não traga nada de novo, do ponto de vista tecnológico é um verdadeiro tour de force. Manipular grandes pedaços de ADN, sobretudo quando se pretende que encaixem e formem uma sequência com total precisão, é extremamente complexo. “A criação e inserção de um genoma sintético com mais de um milhão de pares de bases [as “letras”] é um autêntico feito”, diz a bioquímica Frances Arnold, do California Institute of Technology, em Pasadena.

Todavia, o mais importante é o conceito radical que implica: esbateu-se a linha de separação entre o vivo e o não-vivo, um caminho aberto pelo químico alemão Friedrich Whöler, em 1828, ao sintetizar um composto orgânico, a ureia, a partir de moléculas inorgânicas. Em meados do século XX, a biologia molecular demonstrou que as leis físico-químicas que regem o universo também governam os processos vivos. No início do século XXI, Venter constata que se pode manipular a matéria para criar uma forma de vida anteriormente inexistente. Apesar disso, as incógnitas da biologia ainda andam por aí, como adverte Arnold: “Podemos escrever o que quisermos. O problema é que não sabemos o que escrever.”

Há investigadores empenhados em ir ainda mais longe: criar vida a partir do zero para se poder, assim, compreendê-la. Que melhor do que engendrar sistemas que funcionem com uma química que não está presente nos seres vivos? Um desses espíritos radicais é Drew Endy: para este professor do Departamento de Engenharia Biológica do Instituto Tecnológico do Massachusetts (MIT), “nenhum perito inteligente teria fabricado os genomas dos organismos do modo como a evolução fez: algumas partes sobrepõem-se e outras perderam a sua função, mas não se podem suprimir; só ficaram a ocupar espaço”.

A explicação para esta confusão é simples: a Natureza trabalha com o que tem; não pode criar a partir do nada ou do zero, e é isso que Endy pretende tentar: “O principal objectivo da biologia sintética é facilitar a vida ao engenheiro.” Um dos seus colegas, Tom ­Knight, lembrou-se de uma maneira de resolver o problema ao reparar no sistema dos jogos Lego, onde todas as peças encaixam porque são compatíveis. Foi assim que nasceram os BioBricks, cadeias de ADN que possuem “conectores universais” nas extremidades e que se ligam entre si para formar componentes de nível mais elevado.

Por outro lado, a Natureza apenas utiliza uma vintena de aminoácidos para fabricar as proteínas de que os seres vivos necessitam, mas os cientistas conhecem milhares destas moléculas. Por que não utilizá-las? Lei Wang, do Laboratório de Biologia Química e Proteómica do Salk Institute, na Califórnia, está a trabalhar nisso. O livro da vida é escrito com 64 “palavras” (os codões) de três “letras” cada, retiradas das quatro que formam o ARN: A, G, C e U (de uracilo, que substitui a timina do ADN). Cada um destes tripletos corresponde a um aminoácido específico, excepto três de finalização que servem para assinalar aos ribossomas (as fábricas proteicas da célula) que a proteína está esgotada. Como temos mais codões do que aminoácidos, isso significa que um único aminoácido é codificado por mais de um tripleto. É por isso que os biólogos dizem que o código genético é defeituoso. Incomodado com esta redundância, Wang conseguiu atribuir uma nova missão a um dos três codões stop da bactéria Escherichia coli: agora, esta reconhece um aminoácido não-biológico e incorpora-o nas proteínas.

Genoma com capacidade de evoluir

Por sua vez, Peter Carr, do MIT, e Farren Isaacs, da Harvard Medical School, pretendem eliminar todas as instruções supérfluas do genoma da E. coli. Já o conseguiram com uma das três reiterações que indicam que a proteína está pronta. Se alcançarem o seu objectivo e a nova bactéria for viável, terão 43 tripletos aos quais atribuir outras tarefas.

É no mesmo sentido que se desenvolve um promissor estudo a decorrer num recipiente de precipitados de um laboratório da Foundation for Applied Molecular Evolution, na Florida. Designado por AEGIS, acrónimo de Artificially Expanded Genetic Information System, é, segundo o seu criador, Steven Benner, o primeiro sistema genético sintético capaz de evoluir. “Está a cumprir aquilo para que foi concebido”, assegura o bioquímico. O mais curioso do referido AEGIS é que se trata de um ADN fabricado com 12 bases diferentes, entre as quais se incluem as quatro que definem a vida terrestre. Tal como diria o Dr. McCoy de Star Trek: “É vida, Jim, mas não como a conhecemos.”

Esse poderia igualmente ser o lema do galego Antón Vila, que pretende, no seu laboratório da Universidade da Califórnia em Berkeley, acrescentar um bom número de genes à mitocôndria das nossas células, o organelo responsável pela respiração celular. Possui o seu próprio ADN porque, há 2000 milhões de anos, se tratava de uma bactéria autónoma que se uniu em simbiose a outras para formar a célula eucariota. Gradualmente, começou a desfazer-se do material genético de que não tinha necessidade para poder sobreviver. Actualmente, “consiste em apenas uma trintena de genes; estimamos que o complemento mínimo necessário seja de cerca de 300”, afirma Vila. O objectivo é apagar o caminho evolutivo percorrido pela mitocôndria e... voltar a torná-la autónoma.

Contudo, existe outra via para fabricar uma protocélula artificial com matéria-prima biológica: fazê-lo de baixo para cima ou, dito de outro modo, fabricá-la com base nos própios ingredientes químicos essenciais. Um dos mais destacados defensores desta ideia, o físico dinamarquês Steen Rasmussen, do Los Alamos National Laboratory, já anunciou que “estamos à beira de criar vida”. Segundo Giovanni Murtas, do Centro Enrico Fermi da Universidade de Roma 3, seria efectivamente possível, com uma soma de dez milhões de dólares.

Murtas tem motivos para se sentir optimista. Em 2007, conseguiu sintetizar proteínas dentro de umas gotinhas de gordura (vesículas) chamadas “lipossomas”. Algo de semelhante fora conseguido, três anos antes, pelo físico Albert Libchaber e pelo seu aluno Vincent Noireaux, da Universidade Rockefeller de Nova Iorque, com um extracto de E. coli injectado num lipossoma. Murtas fez o mesmo com um cocktail de 37 enzimas, algumas moléculas e o gene que produz uma proteína fluorescente. Durante algunas horas, os biorreactores vesiculares conseguiram produzir a proteína. Actualmente, procura incorporar novos genes, tendo como meta a principal característica da vida: a reprodução.

Todavia, criar um autêntico ser artificial exigiria desenvolver estruturas semelhantes com recurso à engenharia pura. Em 2009, George Church, da Universidade de Harvard, e Anthony Forster, da Universidade Vanderbilt, em Nashville (ambas nos Estadios Unidos), conseguiram obter, com um pouco de bioquímica e 115 genes, um ribossoma sintético viável em condições de laboratório. Por sua vez, Achim Muller, da universidade alemã de Bielefeld, fabricou uma membrana artificial a partir de uma macromolécula inorgânica: um agregado esférico de molibdato de polioxietileno.

A linha mais promissora

Todavia, a linha mais promissora é a que deriva de um projecto recentemente completado e em que participaram 13 grupos de investigação europeus: Programmable Artificial Cell Evolution (PACE). O objectivo era determinar as regras seguidas por qualquer ser vivo e, na posse delas, conceber uma criatura completamente distinta. “Não se parte de um genoma que já existe, mas de matéria inanimada, com recurso a sistemas químicos que não têm de ser forçosamente biológicos”, esclarece Ricard Solé, director do Laboratório de Sistemas Complexos da Universidade Pompeu Fabra (Barcelona) e um dos investigadores que participam no projecto. O seu grupo foi incumbido de elaborar os modelos teóricos que prevêem a dinâmica e a evolução das futuras protocélulas artificiais: os resultados mostram que é possível. Solé está convencido de que, dentro de pouco mais de uma década, teremos a primeira célula artificial.

Podemos imaginá-la como um nano-robô, a trabalhar à escala molecular, composto por três estruturas bioquímicas elementares: um tabique de contenção (a membrana que delimita o compartimento celular), um sistema de fabrico (o metabolismo) e um sistema capaz de armazenar informação. O problema não é conceber estes três componentes, mas conseguir que funcionem acoplados.

A empresa Protolife, associada à PACE e fundada em 2004 pelo pioneiro da teoria do caos Norman Packard e pelo filósofo Mark Bedau, espera fabricar o ente criado pelo seu sócio Steen Rasmussen, e já baptizado com o sugestivo nome de O Bicho. Bastará uma gotinha de gordura para desenvolver a molécula sintética da hereditariedade: o ANP, ou ácido nucleico peptídico, que desempenharia o papel de ADN. “Se queremos saber o que é a vida, nada como fabricá-la”, diz Rasmussen.

Claro que todas estas tentativas suscitam críticas e dão origem a acusações de estarem a “brincar a Deus” e às clássicas alusões a Frankenstein. Todavia, como recorda Arthur Caplan, director do Centro de Bioética da Universidade da Pensilvânia, “a dignidade da vida nunca esteve no seu mistério, mas na diversidade, complexidade e capacidade para se manifestar em todo o tipo de condições e circunstâncias”. Seguramente, se há algum mistério na criação de seres vivos, reside em saber se seremos capazes de o fazer.

Patentear a vida?

O britânico John Sulston, Prémio Nobel da Medicina, lançou um verdadeiro ataque mediático contra Craig Venter e o seu indisfarçável desejo de patentear todos os resultados que saem do seu laboratório. Sulston está sobretudo preocupado com a possibilidade de Venter registar comercialmente as técnicas utilizadas para fabricar a sua bactéria sintética, tendo afirmado: “Espero que muitas dessas patentes não sejam concedidas, pois isso deixaria toda a engenharia genética sob o controlo do J. Craig Venter Institute.”

Não é a primeira vez que os dois cientistas entram em rota de colisão. Há dez anos, lideravam equipas rivais na corrida para ler a sequência do genoma humano. Venter procurava patentear sequências particularmente utéis do genoma. A trabalhar no projecto para o consórcio público, Sulston criticou duramente a sua visão empresarial. Para desvalorizar comercialmente o trabalho do norte-americano, tornou públicos todos os seus dados. Após a algazarra mediática em ambos os lados do Atlântico, a empresa Celera, de Venter, renunciou aos seus direitos.

Um exemplo do perigo para o qual nos alerta é o da empresa Myriad Genetics. Há alguns anos, conseguiu obter os direitos sobre dois genes do cancro da mama, pelo que qualquer tratamento baseado neles devia pagar royalties à Myriad. Contudo, graças à acção de grupos de defesa dos direitos civis, essa parte das patentes foi retirada.

M.A.S.
SUPER 149 - Setembro 2010

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Fungo é sentença de morte para morcegos na América do Norte


Primeiro foram os anfíbios, depois o diabo da Tasmânia, agora é a vez dos morcegos da América do Norte serem dizimados por uma doença. Um estudo publicado na revista científica Science mostra que a população regional de Myotis lucifugus pode desaparecer em 16 anos devido a um fungo que infecta estes mamíferos.

A epidemia começou no estado de Nova Iorque. A primeira gruta identificada com a doença foi em Albany, em Fevereiro de 2006. Em quatro anos o fungo já alcançou 114 esconderijos e percorreu 1200 quilómetros atingindo regiões desde o Canadá até o Missuri. A mortalidade em cada abrigo de morcegos varia entre os 30 e os 99 por cento. O artigo avança que a média de mortes a nível regional é de 73 por cento.

“Esta é uma das piores crises na vida selvagem que enfrentamos na América do Norte”, disse Winifred Frick, do Centro para a Ecologia e Conservação Biológica da Universidade de Boston, e a primeira autora do artigo.

As fotografias mostram centenas de cadáveres de morcegos empilhados no chão das grutas. A doença tem o nome de white-nose syndrome (sindroma do nariz branco) porque aparece uma mancha branca nas regiões afectadas pelo fungo. O agente patogénico, Geomyces destructans, foi descoberto há pouco tempo, gosta de ambientes frios e ataca as partes expostas dos morcegos como o nariz, as orelhas e as membranas das asas.

A doença aparece durante a hibernação, tornando os morcegos irrequietos e com comportamentos bizarros. Os animais acordam várias vezes, gastando as reservas de gordura que têm para hibernar, o que os impede de sobreviver durante o Inverno.

O fungo afectou mais espécies desta ordem de mamíferos, mas o estudo só analisou o Myotis lucifugus. A equipa avaliou a variação populacional desta espécie nos últimos 30 anos e fizeram várias projecções sobre o seu futuro.

O M. lucifugus existe do México ao Alasca. A nível regional a população é de 6,5 milhões de indivíduos. Segundo a projecção da equipa, há 99 por cento de probabilidade de acontecer uma extinção regional nos próximos 16 anos. Mesmo que a mortalidade da doença abrande, em menos de 20 anos a população ficará reduzida a 65 mil indivíduos.

“Cada espécie de morcego afectado pelo sindroma é um insectívoro obrigatório – muitos deles alimentam-se de espécies que são pestes para a agricultura, jardins, florestas, e que algumas vezes incomodam e são um risco para a saúde humana”, explicou Thomas Kunz, último autor do artigo, também da Universidade de Boston. “O myotis castanho [pesa entre as cinco e 14 gramas, atinge os dez centímetros de comprimento] é conhecido por consumir em cada noite cem por cento do seu peso em insectos. Este nível de consumo proporciona um importante serviço do ecossistema à humanidade, que reduz a utilização de pesticidas para matar os insectos”.

Apesar do fungo aparecer durante a hibernação dos morcegos pensa-se que haja um contágio cá fora, entre os indivíduos. Segundo os autores, o agente poderá ser proveniente da Europa através do comércio ou viagens.

Existem “provas recentes que o G. destructans foi observado em pelo menos uma espécie europeia de morcegos que hibernam”, diz o artigo. Acrescentando que a “poluição patogénica” – quando espécies invasoras e causadoras de doenças são espalhados devido à actividade humana – “coloca em perigo a biodiversidade e a integridade do ecossistema”.

Na mesma revista, um artigo de opinião de Peter Daszak, presidente da Wildilfe Trust, uma organização internacional de cientistas dedicada à preservação da biodiversidade, elogia o trabalho da equipa. Segundo o cientista, a rapidez com que identificaram a doença foi enorme quando se compara com as duas décadas que foram necessárias para identificar o fungo que está a dizimar os anfíbios.

Daszak insiste na defesa destas espécies. Não só devido à sua importância no ecossistema, mas porque são um bom modelo para o estudo e compreensão da transmissão de epidemias entre espécies. A opinião do cientista deve-se a outro estudo científico sobre morcegos publicado na mesma revista.

Uma equipa liderada por Daniel Streicker, da Escola de Ecologia da Universidade da Georgia, analisou a forma como a raiva é transmitida entre 23 espécies de morcegos norte-americanos. A doença, causada por um vírus, também afecta os humanos na maior parte dos continentes.

Segundo o estudo, a probabilidade da passagem do vírus da raiva é maior quanto mais próximo duas espécies são a nível evolutivo. A capacidade de adaptação do vírus é secundária.

O artigo diz que um morcego infectado com raiva passa a doença entre 0 a 2 morcegos de outra espécie, consoante o grau de proximidade. Em média, a probabilidade de transmissão para outra espécie é de uma em 73 transmissões entre indivíduos da mesma espécie.

“A descoberta da equipa de Streicker pode definir melhor a vigilância de espécies que provavelmente serão as hospedeiras de novas doenças emergentes que afectam as pessoas”, conclui Peter Daszak.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Reacção imediata

A nossa sobrevivência depende, em primeira instância, de uma infinidade de reflexos, esses gestos automáticos que podemos treinar para torná-los mais eficazes e evitar que se deteriorem à medida que a idade avança.

Final de uma importante competição futebolística. O desafio saldou-se por um empate. As equipas disputam a vitória num tenso duelo de grandes penalidades. Um dos guarda-redes resiste melhor à pressão, adivinha a trajectória de quatro remates e consegue evitar dois golos, averbando o título para a sua equipa. Intuição, sorte? Na opinião dos neurologistas, é tudo uma questão de reflexos, um fenómeno abrangido pela capacidade motora de reacção do indivíduo.

Embora com origem no córtex cerebral, pois requer uma percepção a esse nível e um processamento relativamente complexo, este tipo de reacção é quase inconsciente quando a actividade é repetida, estereotipada e treinada. É por isso que podemos conduzir de forma automática, ou que o guarda-redes consegue chegar à bola e defender o penalty quase sem ter consciência do que está a fazer.

Por outro lado, é habitual associar-se o reflexo ao tempo de reacção perante um estímulo. É claro que tem de haver uma percepção, visual ou auditiva, uma decisão e uma resposta, mas, de acordo com os especialistas em medicina do desporto, embora a antecipação seja importante, é possível melhorar essa capacidade ao trabalhar a força explosiva do atleta e através de treinos específicos, destinados a avaliar as suas reacções aos estímulos. No caso de estar relacionado com a visão, treina-se o sentido da vista para o atleta se concentrar nos objectivos importantes.

Recentemente, comprovou-se, por exemplo, que a capacidade visual dos jogadores de ténis está muito desenvolvida. Roger Federer ou Rafael Nadal são extremamente rápidos e certeiros a processar imagens, o que lhes permite maior precisão quando necessitam de reconhecer objectos em movimento e tomar decisões sob pressão. "São muito mais rápidos a detectar a velocidade de um objecto móvel e, também, a decidir quando o tempo urge", explica Leila Overney, do Laboratório de Neurociência Cognitiva da Escola Politécnica Federal de Lausana (Suiça).

O melhor será, sem dúvida, que se possa exercitá-los. Um guarda-redes terá tanto mais reflexos, no sentido da rapidez de reacção motriz, quanto mais treinar. De igual modo, não conseguimos pontuar tanto num jogo de vídeo da primeira vez do que acontece quando já o conhecemos de cor e salteado.

Todavia, a prática não só permite melhorar os reflexos em geral como, sobretudo, aquele que foi treinado específica e sucessivamente. Por outras palavras, um guarda-redes de um clube de futebol não tem de possuir os reflexos indispensáveis para brilhar no ténis, nem um tenista saber defender grandes penalidades: como é evidente, cada pessoa possui determinada capacidade para um desporto, e não para outro.

Por serem decisões conscientes que requerem uma percepção cortical (do nosso córtex cerebral) e posterior processamento, considera-se que a actividade motora complexa se torna semi-automática ou inconsciente quando os gânglios basais (massa cerebral situada na zona profunda dos hemisférios) assumem o respectivo comando.

No entanto, a capacidade de reacção não é apenas importante no desporto. Os neurologistas recordam que os reflexos são fundamentais para a nossa sobrevivência no quotidiano, podendo ser definidos como "movimentos involuntários, rápidos e estereotipados, provocados por um estímulo"; consoante a natureza deste último, podem ser visuais, vestibulares, auditivos, posturais... Por outro lado, as vias reflexas possuem uma componente sensorial que se encarrega de receber a informação e transportá-la até à medula espinal, e um componente efector, que a transmite da medula ao músculo adequado.

Os reflexos são padrões hereditários de comportamentos comuns a toda uma espécie. Através deles, obtemos respostas simples, rápidas e automáticas para a defesa de uma parte ou de todo o corpo diante de um estímulo potencialmente lesivo", explica a dra. Victoria González, uma neurofisióloga espanhola cujos estudos sobre o chamado "reflexo auditivo de sobressalto" (que consiste na contracção generalizada de amplos grupos musculares perante um estímulo sonoro intenso e inesperado) confirmam como são indispensáveis. "Esse abalo brusco, ou susto, é rapidíssimo (ocorre em milésimos de segundo) e é acompanhado de uma reacção do sistema nervoso autónomo: uma descarga de adrenalina e um começo de hiperventilação. Depois, pode produzir-se uma reacção defensiva ou orientativa", explica a especialista.

O reflexo localiza a fonte acústica; se for intensa, os pequenos ossos do aparelho auditivo retesam-se automaticamente para que entre menos som no ouvido interno. Deste modo, protegem-se as células ciliadas, que transformam as vibrações em impulsos eléctricos; distingue-se melhor a acústica de intensidade elevada e ficamos em alerta.

O reflexo auditivo de sobressalto já se pode observar no início da vida. Por exemplo, os bebés com dois meses, que se assustam com o próprio choro, reagem aos ruídos estendendo os braços para a frente, com as palmas das mãos voltadas para cima e os polegares flectidos. Aliás, quando se bate com a mão suavemente junto da cabeça, o bebé abre e fecha os braços. A verdade é que os actos reflexos são considerados um sinal de evolução do próprio feto, nomeadamente no último trimestre de gestação, altura em que o sistema nervoso se torna maduro. São designados por "reflexos arcaicos" e desaparecem dois ou três meses depois do parto. Esses reflexos primitivos que podemos observar no recém-nascido (como o de sucção, da marcha automática, da preensão palmar e plantar, do abraço, etc.) são de origem cerebral e inatos.

As reacções do neonato traduzem-se em movimentos automáticos, que partem do tronco encefálico (a parte mais primitiva do cérebro) e não envolvem qualquer participação cortical, ou seja, não são controlados voluntariamente. Alguns gestos, como chupar o dedo ou dar pequenos pontapés, surgem ainda no ventre materno; quando decidem abandoná-lo, os reflexos ajudam o feto a colocar-se na posição adequada, dar a volta e descer pelo canal do parto.

Todavia, isto é só o começo. Pouco depois de nascer, o bebé já consegue mamar, graças ao reflexos de sucção e deglutição. Em seguida, os gestos primitivos são gradualmente substituídos por outros posturais, como o reflexo tónico assimétrico do pescoço, que relaciona o movimento da cabeça para um lado com o do braço equivalente, o qual se estica, o que se revela muito útil quando se está voltado de barriga para baixo.

A ausência de reflexos primitivos no recém-nascido pode ser indício de alterações neurológicas ou do sistema nervoso. A fim de comprovar o seu correcto funcionamento, o pediatra recorre a uma série de testes, como pô-lo de pé sobre uma superfície dura: o reflexo será inclinar-se e dar alguns passos. Outro teste será meter-lhe o dedo na boca para comprovar se tem o reflexo de sucção, se engole saliva e se volta a cabeça na sua direcção.

Embora estas reacções desapareçam passado algumas semanas, podem voltar a surgir na idade adulta, devido a doenças ou acidentes. Existe um teste (conhecido por "sinal de Babinski") para detectar uma eventual lesão mental ou uma paralisia cerebral: se se estimular a planta do pé e o dedo grande se separar dos outros e flectir para cima (o que é normal em crianças até aos dois anos), constitui um indício de lesão nas vias nervosas que ligam a medula espinal ao cérebro.

Por outro lado, alguns distúrbios neurológicos que produzem lesões no lóbulo frontal, como os acidentes vasculares cerebrais ou a demência frontotemporal, têm como consequência o aparecimento dos referidos reflexos primitivos, indício de que se está a gerar uma doença neurodegenerativa.

Seja como for, os reflexos mais estudados são os osteotendinosos, detectados através da percussão, com um pequeno martelo, de um tendão como o patelar ou rotuliano (no joelho), ou o bicipital (na prega do cotovelo). Com a extensão brusca do músculo, os receptores sensitivos activam-se e enviam um sinal à medula espinal, onde o neurónio-receptor entra em contacto com o neurónio-motor. É desta forma que evitamos esticar bruscamente os músculos para manter o equilíbrio; ou seja, quando estamos de pé, os nossos músculos impedem automaticamente a perda de postura, contraindo-se para evitar a descompensação.

Assim, o teste aos reflexos osteotendinosos destina-se a fornecer-nos informação sobre o funcionamento dos nervos periféricos sensitivos, a medula espinal e o controlo desses reflexos pelo córtex. Através do teste, fica-se a saber, entre outras coisas, que o nível quatro lombar está bem, isto é, que nem os neurónios sensitivos nem os motores desta região da medula sofreram qualquer alteração.

Do mesmo modo que os reflexos arcaicos podem ressurgir por causa de alguma doença, os osteotendinosos podem desaparecer devido a um problema que afecte os nervos periféricos, como a neuropatia diabética. Por sua vez, uma lesão no córtex cerebral pode provocar, em determinados casos, hiperreflexia ou reflexos exagerados. Todavia, mesmo que não haja qualquer problema de saúde, é normal que, com a idade (a partir dos 40 anos, segundo os especialistas), os reflexos comecem a tornar-se progressivamente mais lentos, embora sem afectar a qualidade de vida.

Na velhice, a situação muda. Os idosos têm, naturalmente, uma actividade motora mais lenta, mas certos sintomas, como quedas frequentes, movimentos desajeitados, lentidão em falar, dificuldade em tomar decisões ou inexpressividade facial podem constituir indícios de uma doença degenerativa. Alguns reflexos, como os que controlam a postura, começam a perder-se com a idade, o que favorece as quedas. A verdade é que, na história destes mecanismos automáticos, alguns vão ficando irremediavelmente para trás.

Os reflexos são a resposta do organismo para proteger os sentidos das agressões do meio. Eis alguns dos mais importantes:

Posturais e tónicos. Mantêm a cabeça direita e o corpo na vertical. Utilizam informação do aparelho vestibular, que indica a posição da cabeça no espaço (reflexos vestibulares), e dos receptores nos músculos do pescoço, os quais indicam se estiver flectido (cervicais).

Superficiais ou cutâneos. São desencadeados por estimulação da pele, das mucosas e da córnea. Incluem o reflexo pupilar (dilatação da pupila perante uma dor).

Fotomotor. Contracção da pupila devido a um estímulo luminoso.

Corporais visuais. Movimentos exploratórios dos olhos e da cabeça para ler, por exemplo; e dos olhos, da cabeça e do pescoço perante um estímulo visual. Incluem ainda o reflexo do pestanejo diante de um eventual perigo.

Auditivo. Perante um ruído demasiado forte, favorece a rigidez automática dos pequenos ossos do ouvido, de forma a passar menos som para o ouvido interno

Tussígeno. A irritação da laringe, da traqueia ou dos brônquios produz tosse para eliminar secreções e corpos estranhos.

Nauseoso. Produz vómitos quando se estimula a garganta ou a parte posterior da boca.

Do espirro. Ajuda a expulsar ar e partículas quando as vias nasais ficam irritadas.

Do bocejo. Surge quando o organismo precisa de oxigénio suplementar.

J.M.D.super interessante 148
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Mensagens populares

Recomendamos