domingo, 30 de setembro de 2012

Os meus amigos dizem que tenho uma cabeça muito grande!

O Joãozinho queixou-se à mãe:

- Mãe, os meus amigos dizem que tenho uma cabeça muito grande!

- Não acredites, meu filho, a tua cabeça é muito bem feita!

- Mas eles gozam-me!

- Olha, vai mas é comprar-me 5 kilos de batatas, sim?

- Onde as trago, mãe?

- Na boina, meu amor...

Joãozinho e os testículos

Na aula de biologia, o professor pergunta:

- Joãozinho! Quantos testículos nós temos?

- Quatro professor - responde o menino sem pestanejar.

 - Quatro? Você ficou doido?

 - Bem... Pelo menos os meus dois eu garanto!

A Valgina

Numa aula, diz a nova professora aos alunos:

- Bom dia, o meu nome é Valgina! Decorem bem este nome porque amanhã eu vou perguntar! 

No dia seguinte pergunta a professora ao Joãozinho: 

- Tu, menino! Qual é o meu nome? 

 O Joãozinho, que estava distraído no dia anterior, responde:

 - Hum, ..., já sei! Colna!

sábado, 29 de setembro de 2012

O papel da música na Pedagogia Waldorf constatado cientificamente


A música foi durante muito tempo considerada uma matéria escolar clássica quase "de luxo", de difícil acesso para crianças vindas de famílias menos abastadas ou menos cultivadas nas expressões artísticas. Uma linha pedagógica exemplar no que concerne à utilização alargada e democrática da música está representada nas escolas Waldorf, onde o ensino de música está integrado permanentemente no seu currículo contínuo, sem chumbos, com 12 anos de duração. 

Nos primeiros 6 a 8 anos a música está presente não só especificamente nas aulas de música, mas também na Aula Principal (período inicial que inaugura cada dia de aprendizagem) e nas aulas de Inglês e Francês, previstas para todos os alunos já desde o 1.º ano de escolaridade. Nos anos seguintes formam-se pequenas orquestras individuais nas classes, bem como conjuntos de música e grupos corais, que mais tarde são integrados no grande coro e orquestra do nível secundário. 

No currículo Waldorf os conteúdos musicais dos dois primeiros anos baseiam-se em instrumentos pentatónicos, seguidos de cânones e exercícios polifónicos das tradições nacionais, para depois alargarem-se a experiências com folclores e ritmos de todo o mundo, mais a descoberta de instrumentos pouco conhecidos e o estudo das biografias de famosos músicos. Nos anos finais, em plena puberdade, os alunos dedicam-se a aprofundar o seu conhecimento das grandes épocas da música clássica europeia, até chegarem à moderna música e aos estilos populares dos séculos XX e XXI. 

Uma série de recentes experiências conduzidas por entidades científicas independentes veio evidenciar que a música é um fator primordial para um saudável desenvolvimento de crianças e jovens durante o período escolar. Em Francoforte, o Prof. Dr. Hans Gunther Bastian realizou por exemplo testes de longa duração, que mostraram que as atividades musicais criativas não só impulsionam a capacidade musical propriamente dita, mas ainda influenciam de maneira marcante aspetos insuspeitados para todo o processo educativo: competência social, motivação para aprender e trabalhar, inteligência, capacidade criativa, equilíbrio emocional, e até habilidade para resolver conflitos. 

A importância que a Pedagogia Waldorf confere, de maneira pioneira e há quase um século em todo o mundo, à música na vida escolar foi ainda confirmada por estudos do novíssimo setor da medicina chamado investigações neurocerebrais. Na Universidade Ludwig Maximilian, em Munique, o famoso investigador Ernst Poeppel verificou que uma formação musical oferece um auxílio ideal para o desenvolvimento de crianças e jovens. Em orquestras ficou evidenciado que a aprendizagem de um instrumento, mais as atividades musicais em grupo, tem a extraordinária capacidade de preparar os jovens para mostrarem-se mais tarde equilibrados psíquica e emocionalmente. 

Em comparação com alunos que não haviam praticado qualquer atividade musical, os alunos com hábitos musicais regulares mostraram resultados escolares acima da média e até um desempenho superior em desporto e atividades profissionais. A deficiente atenção que muitas escolas dedicam hoje ao ensino da música e das artes constitui um verdadeiro problema social com sérias consequências para o futuro. 

Um abandono precoce da música na escola pode promover uma tendência para mobbings e violências, bem como uma dificuldade na integração de jovens de diferentes extratos sociais, e até problemas na interação com crianças de famílias oriundas de outras regiões. Yehudi Menuhin, um dos mais celebrados músicos dos tempos modernos, afirmou uma vez: "A música é a verdadeira língua materna da humanidade."

Texto: Raul Guerreiro

Sinais dos novos tempos...

Um destes dias, uma professora do 1.º ano decidiu contar a historia dos três porquinhos. 
Foi contando até que chegou à parte em que os porquinhos tentavam angariar materiais para construir as suas casas. 
Disse a professora: 
E então, o primeiro porquinho chegou-se ao pé de um carroceiro que transportava fardos de palha, e perguntou: 
- O Sr. não se importa de me ceder um pouco da sua palha para que possa construir a minha nova casa?' - contou ela. 
Depois, virando-se para os alunos, perguntou: 
- E o que acham vocês que o homem disse? Respondeu logo o Joãozinho: 
- O homem deve ter dito: 'Fooooooooooda-se! Um porco que fala!!!

domingo, 23 de setembro de 2012

Comedores ...

A professora pergunta aos seus alunos nomes de coisas que acabem em "dor" e que comam coisas.
O Ricardo diz:
-Predador!!!
A professora responde:
- Muito bem, come as suas presas.
O Paulinho diz:
-O aspirador.
A Professora:
- Bravo. Que imaginação, na verdade podemos dizer que come o lixo.
No fundo da sala grita o Joãozinho, muito convicto da sua resposta:
-Vibrador!!!
Quase a cair da cadeira a professora responde:
-Ora essa, não estou a ouvir bem, mas isso não come nada!!??
E diz o Joãozinho muito depressa:
-Come, come, a minha mãe tem um lá em casa e está sempre a dizer que o vibrador come as pilhas a grande velocidade ...

Joãozinho, cite três partes do corpo que comecem com a letra "z"!

A professora diz para o Joãozinho:

- Joãozinho, cite três partes do corpo que comecem com a letra "z"!

- Essa é fácil, fessôra! É zóio, zouvido e zorelha.

- Ah, é? Por essa resposta eu vou lhe dar uma nota que também começa por "z". Sabe qual é?

- Deixa eu pensar... Já sei, um zoito!

Significado da palavra "Óbvio"

Estava a professora na escola a ensinar o significado de 'óbvio' e começa a perguntar aos alunos frases com a palavra.
- Então diga lá menino Bernardo uma frase com óbvio.
- Quando eu acordo de manhã na minha mansão e vejo o meu pai a sair com o Ferrari, é óbvio que o Mercedes ficou na garagem.
- Muito bem! Menino Salvador, diga lá a sua frase.
- Quando eu acordo de manhã no meu solar e vejo o meu pai a sair com o Porsche, é óbvio que o BMW ficou na garagem.
- Muito bem. Menino Joãozinho diga lá a sua frase.
- Quando acordo de manhã na minha barraca e vejo o meu pai na rua com o jornal na mão, é óbvio que ele vai cagar porque não sabe ler!

A Hiena

A Professora em plena aula de biologia:

- A hiena é um animal que vive no centro de África, é necrófaga, reproduz-se uma vez ao ano e emite uma vocalização similar ao som do homem ao rir-se.



E agora vamos lá ver... Pedrinho, percebeste a explicação?

- Oh, sim senhora professora, a hiena é um animal que vive no centro de Africa, é necrófaga, faz amor uma vez ao ano e emite uma vocalização similar ao som do homem ao rir-se.



- Muito bem, Pedrinho. Vamos lá ver tu, Carlitos.

- A hiena vive longe, algures em África, come carne podre, curte uma vez ao ano e ri-se como o homem.



- Está bem Carlitos... Mal ou bem mas entendeste a lição. Vamos lá ver tu,

Joãozinho...

- Stôra, há uma cena que não entendo... a hiena, vive longe como caralho, só come merda, fode sabe Deus quando... e ainda se ri?!?!? Do quê, caralho?

sábado, 22 de setembro de 2012

Respostas dos alunos em fichas de avaliação ...


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Hoje fui expulso da escola!

- Pai, hoje fui expulso da escola.

- O quê??? O que é que fizeste?

- Meti dinamite debaixo da cadeira da professora.

- Maldito! Vais já à escola pedir desculpas à tua professora!

- Qual escola?!?

Directores escolares alertam que acabou "pobreza envergonhada"


Dois ou três dias bastaram para os pais começarem a pedir apoios nas escolas. Esta semana foi de regresso às aulas. Na maior parte das escolas do país, esta semana serviu para proporcionar um primeiro encontro entre professores e alunos, que só segunda-feira começam as actividades lectivas. 

Mas dois ou três dias bastaram para os representantes das duas associações de directores detectarem mudanças. "Acabou a pobreza envergonhada, os pais estão num tal grau de desespero que nos procuram e falam abertamente das dificuldades", comenta Filinto Lima, dirigente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP). 

Uns aparecem a pedir manuais escolares, outros a perguntar o que têm de fazer para conseguir mais apoio da acção social escolar, mas há também quem esteja preocupado com as refeições. "Não é uma multidão, mas tenho falado com colegas que dizem que está a acontecer em todas as escolas. Se antes tínhamos de estar atentos aos miúdos para detectar carências, esta semana bastou-nos abrir a porta aos pais", diz Filinto Lima que nota que, "se a vergonha acabou", a pobreza, eventualmente, "até aumentou". 

Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), confirma a tendência. E diz ter notado, também, que "têm aparecido muito mais pais nas reuniões de início de ano" - "Há mais desemprego e têm mais tempo? Procuram apoio na escola? Só espero que tenhamos força para dar a estes pais e aos alunos o que eles precisam: um espaço de fuga a este clima de depressão e de crise", diz Manuel Pereira, acrescentando, contudo, que teme que isso seja impossível, "dada a situação complicada que se vive nas escolas". 

Fala dos professores contratados "que fazem uma hora e meia de carro por dia para ir dar aulas e outro tanto para regressar às suas casas e aos filhos pequenos e que não ganham mais do que tempo de serviço". E junta-lhes os horários zero, "que vivem tempos de incerteza" e aqueles "que têm mais alunos por turma e mais turmas". "Vivemos este ano uma escola triste com actores tristes", resume Rui Martins, professor e dirigente da Confederação Nacional Independente de Associações de Pais (Cnipe). 

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Albino Almeida, diz-se preocupado com as questões sociais e a direcção da Federação Nacional dos Professores divulgou um comunicado sobre este ano horribilis: "Menos 40,5% de docentes contratados em 31 de Agosto e menos 50% contratados na primeira bolsa de recrutamento", indica. 

 Apesar dos múltiplos problemas relacionados com a colocação de professores, a maior parte não afecta os alunos, por se tratar de duplicações em relação às vagas existentes. Verificam-se atrasos nas ofertas de escola dos estabelecimentos com autonomia e em território educativo de intervenção prioritária, onde o Ministério passou a controlar o processo de selecção.

Texto: Graça Barbosa Ribeiro

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Metade dos alunos insultados na escola



As agressões, roubos e rejeição de colegas, dentro das escolas, são constantes em Guimarães. Quase metade das crianças já foi, pelo menos, insultada. Muitos alunos admitem suicídio.

As conclusões são de um estudo feito a dez escolas básicas por uma médica do hospital de Guimarães. Naquele concelho, que nesta sexta-feira recebe o dia de apresentações dos alunos à semelhança do país, uma em cada cinco crianças admite ter sido vítima de bullying. Este acontece dentro do recinto escolar, perpetrado por colegas de forma propositada e continuada.

Este tipo de práticas envolve um ou mais alunos contra outro e pode originar comportamentos suicidas na vítima. Há crianças que admitem que pensam muitas vezes que a vida "não tem sentido" ou que de repente "as coisas deixaram de valer a pena", demonstram os inquéritos.

A autora da investigação é uma médica do hospital de Guimarães que durante o mês de maio recolheu os dados junto de 32 turmas de escolas vimaranenses. As conclusões finais vão ser apresentadas no Congresso Nacional de Psiquiatria que se realiza no próximo dia 28, em Coimbra.

Para já, sabe-se que 7% admitem ter levado pontapés, 4% levaram murros e 10% foram gozados devido à sua aparência. Há ainda 42% que dizem já ter sido vítimas de bullying verbal.

Segundo Ana Sousa, médica responsável pela investigação, "os alunos de vítimas de bullying verbal e social são os que apresentam mais risco de desenvolver quadros de stress, ansiedade e depressão".

Por isso, "é necessário que a escola encare este tipo de comportamentos como violência, de modo a poder identifica-los e pará-los", apela.

A realidade não passa ao lado das escolas, preocupadas com a situação. Algumas até já desenvolveram mecanismos de prevenção do bullying, como é o caso das EB 2,3 Santos Simões e João de Meira. Benjamim Salgado, diretor da Santos Simões, refere ao JN que existe uma comissão disciplinar que "acompanha tudo o que acontece na escola, e por aí é preventiva".

Para o responsável, "a prevenção é que é essencial para que muita coisa não aconteça", e é feita resolvendo os conflitos mínimos entre alunos, que mais tarde se podem agravar e tornar bullying.

A mesma opinião é partilhada pela diretora da João de Meira, Manuela Ferreira. A escola que dirige aborda o tema em aulas de formação cívica, no gabinete de educação para a saúde e em atividades que ocorrem ao longo do ano no âmbito das disciplinas.

O bullying "é realmente uma preocupação" e a abordagem da EB 2,3 João de Meira "vai no sentido de eles [alunos] terem consciência do que é que se trata, de modo a que consigam expressar os seus problemas", adianta a diretora.

Texto: Delfim Machado

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Escola começa a sério para cerca de dois milhões de alunos



Depois de uma semana dedicada às apresentações, professores, alunos e pais preparam-se para o arranque "a sério" do ano letivo de 2012/2013 nos estabelecimentos públicos do ensino básico e secundário, que contará com menos docentes e menos estudantes.

Este ano letivo, que envolve quase dois milhões de alunos, tem uma nova estrutura curricular, exames para o 4º ano, mais alunos por turma e um novo Estatuto do Aluno, que prevê uma penalização para os pais pelo comportamento dos filhos.

O Ministério da Educação decidiu instituir uma prova final de ciclo para os alunos do 4.º ano, a Português e Matemática, no início do terceiro período, com ponderação de 25 por cento, passando a valer 30 por cento na nota final do aluno a partir do ano seguinte, tal como as restantes provas e exames.

Haverá também um prolongamento do tempo escolar, até julho, para ajudar os alunos que evidenciem dificuldades em transitar para o 2.º Ciclo.

Entre as medidas da reforma curricular está a concentração nas disciplinas fundamentais: Português, História, Geografia, Inglês, Matemática e Ciências; antecipação de Tecnologias da Informação e Comunicação para o 7.º ano; o fim de Estudo Acompanhado e Formação Cívica; a divisão de Educação Visual e Tecnológica em duas áreas, cada uma com um professor e o fim de Educação Tecnológica nos 7.º e 8.º anos.

O MEC permitiu também que as escolas ganhassem autonomia para organizar a carga letiva dentro de limites máximos e mínimos definidos, sendo da sua responsabilidade a duração de cada aula.

Para este ano, o ministério de Nuno Crato prometeu ainda um reforço alimentar, nomeadamente o pequeno-almoço na escola, para os alunos que precisem, depois da experiência piloto que no final do ano letivo 2011/12 abrangeu 120 agrupamentos e 12.000 alunos.

Texto: J.Notícias

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

37 concelhos sem escolas secundárias

No ano em que a escolaridade obrigatória é alargada ao 10.º ano, ainda há 37 concelhos sem escolas secundárias. Para evitar que mais alunos tenham de deslocar-se, há EB 2/3 que vão ter Ensino Secundário.

A Escola Básica dos 2.0º e 3.0º Ciclos de Viatodos, em Barcelos, vai ministrar neste ano letivo, pela primeira vez, dois cursos secundários: um de ciências e tecnologia (ensino regular) e outro de gestão e programação de sistemas de informação (profissional), confirmou ao JN Fernando Martins, do Conselho Executivo. A proposta, apresentada há dois anos, foi aprovada em julho pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC) e vai permitir que 54 alunos continuem os estudos em Viatodos, em vez de se deslocarem 15 quilómetros até à sede do concelho ou sete até Famalicão.

O MEC confirma que, neste ano, algumas escolas do Ensino Básico vão passar a oferecer também Ensino Secundário (regular ou profissional) em localidades onde, até agora, essa oferta não existia ou estava apenas disponível na sede do concelho. A constituição de agrupamentos é uma das condições para aprovação do alargamento da oferta formativa.

Ainda assim, há 37 concelhos onde não há escolas secundárias. Em dois - Arruda dos Vinhos (Lisboa) e Manteigas (Guarda) - existem colégios particulares com contrato de associação, que permitem a frequência sem custos para os alunos. Nos restantes, a única solução é os alunos deslocarem-se a outro concelho.

Os distritos do interior e do Alentejo são claramente os mais afetados devido ao despovoamento. Só no distrito de Portalegre, em nove dos 15 concelhos não há Ensino Secundário. Em oito concelhos de Évora e Beja, também não. "Como é que é possível alargar a escolaridade obrigatória sem escolas?", questiona Adalmiro Botelho da Fonseca. Para o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, "é um regresso ao passado" obrigar adolescentes a grandes deslocações para irem à escola.

Ao contrário do que acontece no Básico, os alunos do Secundário não têm direito a transporte escolar gratuito, nem agora que a escolaridade obrigatória está a ser alargada. O Decreto-Lei n.0º 176/2012, de 2 de agosto, que estabelece o alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, refere que, no Secundário, o transporte só é gratuito para os alunos com necessidades educativas especiais. Os outros terão apoios, em função do escalão da Segurança Social, que serão fixados na portaria da ação social escolar.

Texto: Helena Norte

domingo, 16 de setembro de 2012

Respostas dos alunos em fichas de avaliação ...


sábado, 15 de setembro de 2012

Respostas dos alunos em fichas de avaliação ...


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Andreia já lê mensagens no telemóvel e Aurora já distingue os detergentes


Fizeram alfabetização, passaram pelas Novas Oportunidades. Uma ainda está a estudar, a outra já está a trabalhar. 

A troca de mensagens de telemóvel pode ser frenética na adolescência. Aos 16 anos, Andreia Pereira observava a excitação das amigas, mas não sabia escrever nem ler. Também queria receber e enviar SMS. Regressou à escola. Entusiasmou-se tanto que, aos 21, está a fazer um curso de aprendizagem que equivale ao 12.º ano. Já lê livros. Esta semana, na bolsa, carrega Mar me quer, de Mia Couto. Não percebe tudo. Tentou ler Ética Para um Jovem, de Fernando Savater, e parou. Não diz que não consegue, diz que ainda não consegue.

Os baixos níveis de literacia e o analfabetismo não são um exclusivo dos países em desenvolvimento. A antecipar o Dia Internacional da Literacia, que hoje se assinala, foi divulgado um relatório do grupo de peritos instituído pela Comissão Europeia: quase 75 milhões de adultos europeus "não adquiriram as competências básicas de leitura e de escrita, o que dificulta a obtenção de emprego e acentua o risco de pobreza e de exclusão social".

O relatório, anteontem apresentado em Nicósia, numa conferência organizada pela presidência cipriota da União Europeia, fornece exemplos de projectos bem-sucedidos no domínio da literacia, quatro deles de Portugal: o Plano Nacional de Leitura, o Cata-Livros (projecto Fundação Gulbenkian/Casa da Leitura), a organização não governamental Empresários pela Inclusão Social e o Programa Novas Oportunidades (este último terminado por decisão do actual Governo que, em seu lugar, promete criar centros para a qualificação e o ensino profissional).

Andreia estava antes de tudo isso. Passou por uma turma de alfabetização promovida pelo agrupamento vertical Pires de Lima, com o apoio da associação de solidariedade social Qualificar para Incluir (QPI), que no Porto alia educação e trabalho social. Depois entrou nas Novas Oportunidades. Fez o equiparado a 5.º e 6.º anos. Fez o equivalente a 7.º, 8.º e 9.º anos. Agora está a fazer um curso de hotelaria, mesa e bar que lhe valerá pelo 12.º ano.

A mãe está orgulhosa. Na infância, a miúda só se aguentou até ao 3.º ano. Faltava. Maltratava colegas. Divertia-se a esgotar a paciência de professores. Aos 12 anos deixou de aparecer. "Algumas amigas não iam. Queria ser igual a elas." Não se lembra de qualquer tentativa de contrariar a sua desistência. "Queriam lá saber. Achavam que não valorizávamos a escola e pronto." O pai, que fazia biscates, morrera. A mãe, empregada de limpeza, criava os cinco filhos num bairro marcado pelo tráfico e consumo de drogas. Só quando mudou de bairro Andreia sentiu falta das letras. "Percebi que era importante saber ler, escrever, falar bem português." E aprendeu isso. E sobretudo aprendeu "a ter respeito" por ela e e pelos outros.

Há quem comece ainda mais tarde. Aurora Ribeiro está com 43 anos e ainda se lembra do seu primeiro dia de aulas, há quatro. "Quando era pequenina queria era correr atrás do eléctrico." Casou-se ainda adolescente, com um pescador. Criava os oito filhos com o dinheiro que ele ganhava no mar e com o que ela ganhava a vender o peixe que ele trazia. Nem dizia que não sabia escrever ou ler. "Era uma vergonha. Dizia que não estava a ver bem."

O analfabetismo limitava-a. "Nem sabia apanhar o autocarro." Tinha de perguntar ao motorista: "Para onde vai?" As contas eram outra dor de cabeça. Ia descansada à mercearia, perto de casa. "Tinha confiança." Fora dali, tinha de pedir a alguém que a acompanhasse. "E, chegava uma carta a casa, tinha de esperar que os meus filhos viessem para [a] ler." Agora lê, embora nem sempre perceba quem lhe escreve na Segurança Social, na câmara municipal ou no centro de saúde. "Há frases complicadas. Tenho de perguntar."

Tudo mudou quando ficou viúva e, numa aflição, requereu rendimento social de inserção. A QPI, que gere o seu processo, propôs-lhe logo alfabetização. Quando não se sabe ler nem escrever, até escolher os detergentes é tramado. "Ó doutora, tenho vergonha! Vão gozar comigo." 

A técnica sossegou-a. Os outros também estavam a aprender. Fez a alfabetização. Passou pelas Novas Oportunidades. Saiu com o equivalente ao 6.º ano e está a trabalhar. Integra uma empresa de inserção criada pela QPI para responder a mulheres com pouca empregabilidade. Faz limpezas numa residencial. "Antes quero trabalhar que receber RSI." Antigamente andava deprimida. Agora, risos.

Quantos estarão à espera de oportunidade semelhante? Só ali, na QPI, há 50 pessoas a aguardar que abra uma turma de alfabetização de adultos. "Essas turmas só podem ser abertas pela escola pública", diz Elisa Rodrigues, da associação. "Temos uma disponível para trabalhar connosco. Apresentámos a candidatura à Direcção Regional de Educação do Norte, disseram-nos que tinha de ser a escola a pedir. Aquela diz que pediu e que está à espera." Muito do que é a educação de adultos está à espera da reforma que se anuncia.

Texto: Ana Cristina Pereira

domingo, 9 de setembro de 2012

Respostas dos alunos em fichas de avaliação ...


sábado, 8 de setembro de 2012

Respostas Estúpidas nos Exames Nacionais

1) Galileu (1564-1642) foi condenado à morte porque foi o 1º a fazer a terra andar à volta.

2) Um braço de mar é um pedaço de mar em forma de braço.

3) O exemplo do Titanic serve para demonstrar a agressividade dos icebergs.

4) Os 4 pontos cardeais são a direita, a esquerda, em baixo e em cima.

5) A França tem 60 milhões de habitantes entre os quais muitos animais.

6) A 2ª guerra mundial foi um período de paz e de prosperidade para a Alemanha.

7) A 11 de Novembro, ao comemorar-se o Armistício da 1ª guerra mundial, o presidente condecora os pais do soldado desconhecido.

8) Na guerra de 1914 a 1918, os soldados morriam várias vezes, primeiro por causa das bombas, e depois porque lhes davam lama para comer.

9) Os rios correm sempre no sentido da água.

10) Um quadrado é um rectângulo que tem um ângulo direito em todos os lados.

11) Um quadrado é um rectângulo um pouco mais curto.

12) O zero é o único número que permite contar até 1.

13) Um septuagenário é um losango de 7 lados.

14) Todos os números pares podem dividir-se por zero.

15) Uma linha recta torna-se curva quando vira.

16) Um compasso utiliza-se para medir os ângulos do círculo.

17) Uma raiz quadrada é uma raiz com 4 ângulos iguais.

18) Os chineses utilizam as suas bolas para fazer contas.

19) Para fazer uma divisão, é preciso multiplicar uma subtracção .

20) O álcool permite tornar a água potável.

21) Uma tonelada pesa pelo menos 100 Kg, se ela for pesada.

22) O desembarque na Normandia teve lugar nas praias de Inglaterra.

23) A primeira guerra mundial fez uma dezena de mortos mas só do lado alemão.

24) As bombas atómicas são inofensivas quando servem para fabricar electricidade.

25) Se não se estragassem, as máquinas não seriam humanas.

26) Um relógio divide-se em 12 fusos horários de igual intensidade.

27) Arquimedes foi o 1º a provar que uma banheira podia flutuar.

28) A datação com o carbono 14 permite saber se alguém morreu na guerra.

29) No cinema mudo, os actores falavam com palavras que escreviam por baixo dos filmes.

30) O cinema era uma energia ainda desconhecida no século XIX.

31) Um litro de água a 20ºC + um litro de água a 20ºC = 2 litros de água a 40ºC.

32) Os agricultores, nem sempre foram pessoas coléricas que queimavam pneus e batatas.

33) Uma língua morta é uma língua que só é falada pelos mortos.

34) Victor Hugo escrevia livros para os pobres miseráveis.

35) Em todos os quadros pintados vê-se bem que Napoleão escondia a sua grande barriga com a mão.

36) A gramática não serve para nada porque é muito difícil de perceber.

37) Napoleão é sobrinho do seu avô.

38) Antes da guilhotina, os condenados à morte eram executados na cadeira eléctrica.

39) A guerra dos 100 anos durou de 1914 a 1918.

40) Uma biblioteca é como um cemitério para os livros velhos.

41) Nero servia-se dos cristãos para fazer lâmpadas, ateando-lhes fogo.

42) A leitura permite ao homem tornar-se míope…

43) Os latinos falavam o grego antigo.

44) A leitura é feita para aqueles que não gostam de escrever.

45) O livro de bolso foi inventado por Gutenberg.

Portugal já tem cem bancos de troca de manuais escolares

Fundador do Movimento pela Reutilização dos Livros Escolares pede ao Governo que estimule as escolas a organizarem-se, para generalizar a reutilização dos manuais.

Em Chaves, a troca de manuais escolares até se fez este fim-de-semana num parque, como se de uma feira, solarenga, se tratasse. Mas pode ser num café, num cabeleireiro, numa florista ou numa loja de informática. O sítio nunca importou muito, basta que haja vontade de participar. O explicador Henrique Trigueiros Cunha lançou o desafio nos últimos meses de 2011, e 2012 está a ser o ano de explosão do movimento pela reutilização de livros escolares, que neste domingo assinalou a abertura do centésimo banco no país.

O momento foi aproveitado para apelar ao Governo que estimule a troca de livros, generalizada, em todas as escolas do país. E não apenas como uma forma de ajudar alunos carenciados, vinca Henrique Cunha, que teme ser esse o plano do executivo. Para este explicador de Matemática, o ministério liderado pelo matemático Nuno Crato deve apostar na reutilização como forma de estimular um comportamento ecológico que, simultaneamente, teria um impacto na bolsa das famílias. Entregar livros usados aos mais carenciados acabaria por os “estigmatizar”, avisa o fundador mo movimento presente no Facebook e em reutilizar.org.

Os portugueses, garante Cunha, estão interessados. Enquanto na banca tradicional se encerram balcões, com a crise, o movimento pela troca de livros escolares multiplica pontos de recolha, à medida que se aproxima o início do ano escolar. Em Agosto, houve mais de 50 novas adesões. A situação económica do país, mais até do que um súbito assomo de ecologia, acreditam muitos dos promotores destes espaços, está a levar as famílias a entregar livros, nuns casos, e muitas outras a procurarem os pontos onde os possam recolher. Seja qual for a motivação, o facto é que estes gestos estão a permitir a reutilização de dezenas de milhares de livros que, de outra forma iriam parar ao papelão, se não ao lixo.

Henrique Cunha recebe diariamente “mais de cem pessoas” no pequeno espaço que lhe emprestaram no edifício Oceanus, em plena Avenida da Boavista, no Porto. É um dos bancos mais concorridos do país, que tem em São Miguel, nos Açores, pela mão do casal Cláudia e Alexandre Moniz, outro exemplo de dinamismo em torno da causa a reutilização. Com página própria no Facebook, e com um serviço que, com um apoio informal de algumas pessoas, chega de Ponta Delgada a outras ilhas do arquipélago (que tem mais três espaços, no Faial), o casal celebrou na sua página o empréstimo de madeiras para prateleiras. Um descanso para as costas, cansadas de manusear “pilhas de livros” espalhadas pelo chão.

É deste improviso, carregado de puro voluntarismo – mas já com alguma organização, fruto de um ano de experiências – que se vai fazendo este movimento. O objectivo, para lá da troca e reutilização dos manuais, é convencer o Governo do desperdício de recursos a que o país se sujeita todos os anos. Henrique Cunha fala do caso da Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim, como um exemplo que o Ministério da Educação poderia ajudar a espalhar. Naquele estabelecimento, a associação de pais – contrariando a posição da confederação do sector, a Confap, que não se mostra adepta da reutilização – tem todo o apoio da direcção da escola na organização da recolha e entrega dos livros. “Funciona tudo muito bem ali, e não há filas como nosso espaço”, nota Henrique Cunha, que todos os dias, pelas 10h, já tem “dezenas” de pessoas alinhadas à espera que abra a porta.

Texto: Abel Coentrão

domingo, 2 de setembro de 2012

Os perigos de um diagnóstico errado!

Pedi-te para me descreveres por escrito o teu fim de semana (...) Tremulamente e, muito agitado, escreveste apenas três linhas. Observei a tua caligrafia (disgrafia) e os erros ortográficos cometidos. Porém, o que mais me doeu foi a confirmação da tua "dor" ainda por explicar.

O Raul era um menino que frequentava o 4.º ano de escolaridade, com algumas retenções pelo meio. Este "caso" nunca tinha chegado até mim.

Um dia, quando fui ao território para dar apoio a Vânia e a Eliana, a professora da sala de aula vizinha abordou-me falando das graves dificuldades de aprendizagem do Raul:

- Não sei mais o que fazer com ele! Já tentei tudo!, dizia-me a professora, angustiada!

Não fiquei indiferente e fui ter com o aluno.

Quando o Raul me viu, senti-lhe o corpo a tremer. Ele não sabia quem eu era.
Perguntei-lhe, ternamente, se me poderia sentar na sua carteira, e muito timidamente respondeu que sim.

Apresentei-me e disse-lhe que estava ali para o ajudar a ler e escrever melhor.
Ah! Como estavas assustado Raul!

Passei-lhe as mãos pelo cabelo, agarrei-lhe as mãos e expliquei o queria dele. Perguntei-lhe, de seguida, se estava disposto a colaborar. Ele, sem saber o que se estava a passar, respondeu, muito baixinho, que sim.

O Raul falava muito baixinho e fixava-se morosamente no meu rosto! Não achei "normal"!

Lembras-te, Raul?

Foi numa segunda-feira, pedi-te para me descreveres por escrito o teu fim de semana, em jeito de composição. Tremulamente e, muito agitado, escreveste apenas três linhas. Observei a tua caligrafia (disgrafia) e os erros ortográficos cometidos. Porém, o que mais me doeu foi a confirmação da tua "dor" ainda por explicar.

Acabando a minha análise, sorri-te e dei-te "os parabéns", preparando-te assim, para a tarefa seguinte. Pedi-te que lesses o que tinhas escrito. E tu, e tu... não conseguiste, não entendias a tua própria escrita.

Eis quando me perguntaste:
-Não diz nada? Não diz que está mal? Eu sei que sou burro!

Ah, Raul como estas tuas palavras mexeram comigo!

E eu respondi-te:
- Tu não és burro! Ninguém é burro! Nunca mais voltes a dizer isso de ti próprio! Eu vou ajudar-te Raul... eu vou ajudar-te!

Sem nenhuma observação depreciativa ao teu trabalho, sem nenhum comentário negativo, apenas com o meu sorriso, com o poder dos afetos e com a minha " fé" que poderia ajudar-te, ficaste feliz. Reconheci-te o "desespero" na imensa vontade que tinhas em aprender e na tua "não aceitação" em não conseguires estar ao nível dos teus pares.

Peguei na folha e fui-me embora, tinha outros meninos à minha espera... Em casa voltei a analisar "a folha". Não era dislexia com toda a certeza... as dúvidas persistiam...

Li os relatórios dos professores anteriores: "Desinteressado; está sempre na lua; não participa; não faz os trabalhos de casa; alienado..."

Tinha de conhecer a tua mãe! Alguma "coisa" não batia certo! Pedi-lhe que me descrevesse o filho e em "tom triste" reiterou as suas dificuldades de aprendizagem. Perguntei-lhe se o filho tinha tido algum problema de saúde, se o parto fora normal, aquelas perguntas do costume, mas fundamentais.

- Não! Respondeu imediatamente a mãe.

E no meio de tanta pergunta, de tanta ponta solta, a mãe lembrou-se:
- Ah, espere! Lembrei-me agora, ele já foi operado aos ouvidos, mas foi em pequenino! Acrescentou.

Deu-me imediatamente aquele "clique". Perguntei-lhe então se achava que o Raul ouvia bem.

- Acho que sim, embora às vezes eu falo com ele e parece não ouvir, mas é porque é distraído!

(Quero salientar que esta mãe nunca descurou do seu filho. Acompanhava o seu percurso escolar e levava-o frequentemente ao médico de família porque ele se queixava de fortes dores de cabeça.) Aconselhei-a ir o mais rapidamente possível a um otorrino. Que estúpida que fui! Nem me tinha lembrado das barreiras económicas daquela mãe. Mas, lá consegui uma consulta! Eu tinha prometido ao Raul que o iria ajudar e foi o que fiz!

Foi no hospital da cidade que lhe diagnosticaram um nível de audição muito abaixo do normal.

Vês, Raul? Afinal tu nunca foste burro! Como não ouvias, como poderias tu aprender? Nunca foste distraído! E quando te fixavas no rosto das pessoas, não eras "estranho", apenas tentavas fazer a leitura labial!

Começámos a tua "aprendizagem" novamente e hoje já tens o teu curso (CEF). Se assim não fosse, eras mais um a abandonar a escola.

Fiquei tão revoltada com o sistema! Como foi possível aquele menino andar anos a fios sem nunca ninguém ter percebido do seu real problema?!: um nível de audição muito abaixo do "normal".

Imaginem só, caros leitores, o grau de sofrimento silencioso daquela criança ao sentir-se revoltado por não aprender como os outros. Ele não aprendia porque não ouvia. E claro está, que ele nunca teve a perceção que ouvia mal, pois sempre "ouviu" assim.

São estes alguns dos "perigos" de diagnósticos nem sempre bem "diagnosticados" que... deixam marcas irreversíveis, na vida dos nossos filhos!

Texto:Manuela Cunha Pereira

sábado, 1 de setembro de 2012

Educação para a segurança rodoviária

De cada vez que uma criança, mesmo que muito pequena, sai à rua com os seus pais ou familiares, recebe uma lição sobre regras de circulação. Os adultos servem de modelos e os comportamentos adotados, principalmente se forem sempre repetidos, ensinam mais que mil palavras.

"Tal pai, tal filho.". Este é o provérbio que me ocorre quando se fala de educação para a segurança rodoviária. Não desprezando o papel que a escola pode ter na educação neste âmbito, gostaria de colocar a tónica na ação que deve ser desenvolvida pela família. Esta, se não promove essa educação de forma intencional, não deixa contudo de o fazer de forma inconsciente, quanto mais não seja modelando atitudes e comportamentos.

De cada vez que uma criança, mesmo que muito pequena, sai à rua com os seus pais ou familiares, recebe uma lição sobre regras de circulação. Os adultos servem de modelos e os comportamentos adotados, principalmente se forem sempre repetidos, ensinam mais que mil palavras.

Imaginemos um percurso a pé. Como se comporta o adulto que a acompanha a criança?

- Atravessa na passadeira ou opta por o fazer em qualquer outro sítio para evitar dar mais uns passos (mesmo que muito poucos)?

- Respeita os semáforos ou prefere poupar tempo?

- Caminha pelo passeio ou vai pela rua?

- Quando não há passeio, qual a berma que utiliza? Segue pelo lado esquerdo, pelo direito ou por qualquer um?

As opções dos pais são as lições que os filhos recebem e aprendem. Se elas não as mais adequadas, o ensinamento geral que as crianças podem retirar é o desprezo pelas regras básicas promotoras de segurança na circulação a pé. O cuidado que alguns desses pais poderão ter quando os seus filhos começam a ir à rua sozinhos, pretendendo dar-lhes bons conselhos ("Atravessa sempre na passadeira.", "Espera que o semáforo passe a verde.") esbarra com as aprendizagens já consolidadas realizadas nas saídas em família. "Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço." revela-se um princípio educativo pouco fiável e completamente ineficaz.

Quanto às regras de circulação no carro da família, muito há também a considerar e a refletir. Aqui fica apenas um exemplo, escolhido pela sua gravidade: o que dizer das situações (infelizmente tão frequentes) em que se vê crianças sem cinto de segurança, ajoelhadas no banco, dizendo adeus aos ocupantes dos carros de trás? Também o uso do cinto de segurança é um hábito que se adquire, embora muitas vezes seja preciso a tomada de atitudes enérgicas por parte dos pais para que as crianças ou os adolescentes o coloquem.

O caminho para a escola processa-se de forma diferente ao longo da vida de um estudante. De uma maior dependência da companhia e da supervisão dos pais, vai-se passando, progressivamente, para uma completa autonomia, que se pretende esclarecida e responsável. Essa responsabilidade, promotora de segurança, começou a desenvolver-se, desde a mais tenra idade, com a observação das regras de circulação adotadas pelos pais, como já foi referido. No caminho para a autonomia há diversas medidas que os pais podem tomar para tornar a criança mais consciente e responsável, e que dependem de diferentes fatores, entre os quais as características do trajeto casa-escola-casa e a forma de deslocação adotada (a pé, de transporte escolar, etc.). A escolha e realização inicialmente conjunta do percurso mais seguro, acompanhada de treino de comportamentos seguros, é, por exemplo, uma estratégia a considerar e a aplicar.

Para terminar, um outro provérbio, "O seguro morreu de velho.", a que gostaria de acrescentar a ideia "e desenvolve-se de pequenino".

Texto: Armanda Zenhas
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Mensagens populares

Recomendamos