segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Professor foi de férias e regressou Professora

Há quem aproveite as férias para descansar, passear e praia. Há quem mude de casa ou até de cidade. Outros dedicam-se à bricolage e tratam de arrumações eternamente adiadas. Por fim temos os que mudam de sexo.
Segundo a revista Sábado aconteceu perto de Nantes. O Professor de Físico-química Vincent foi de férias e regressou uma Martine. Não uma professora substituta mas o primeiro professor com algumas alterações na fisionomia. Digamos que a força da gravidade exercida sobre Vincent terá diminuído agora que se apresenta como Martine. Aproveitou as férias, e em vez de ir arejar os calções de banho, procurou assegurar que na próxima paragem vai poder estrear o bikini leopardo.

Diz a revista que "os pais dos alunos do colégio católico Saint-Dominique (...) aceitaram bem o aviso do professor". Uma atitude que não deixa de ser estranha para quem, como eu, vive num país que crucificou uma professora de Mirandela porque a senhora achou que tinha direito a mostrar as partes na revista Payboy. Na semana seguinte a edição esgotou nas bancas e a professora Bruna passou a dobrar circulares sobre bons costumes e comportamentos na Câmara Municipal. A hipocrisia habitual. Foram os espanhóis que compraram as revistas.

Se esta mudança de sexo se passasse num colégio católico português a esta hora o senhor estava com os braços ligados a dois sacos de água benta para lhe ser retirado o demónio do corpinho. O Soro de Deus libertaria o professor das trevas. O insano Vicente que só queria ter um pipi ia voltar a ser o macho que transpirava litros de testosterona a cada intervalo na sala dos professores.

O Vicente cá no burgo ia rapidamente ser colocado na lista de espera das operações para lhe ser recolocado o que havia perdido durante as férias. De forma a tentar recuperar o emprego que perdera ao decidir passar a usar saia travada em vez das calças de sarja. Isto, é claro, se entretanto o "órgão" não tivesse ganho vida nova em alguém com o desejo inverso de transformação. Estou a imaginar Joana, professora de Biologia, a apresentar-se na C+S de Corroios no inicio do ano lectivo numa versão professor Mário Rui. "O que uns não querem os outros aproveitam" - diria ele ainda de soutien por baixo da t-shirt, numa voz rouca e barbinha de três dias por fazer.

Assim que terminada a recuperação e reajustamento do material, Vicente iria provavelmente ser submetido a testes de "machidade" para provar que estava "puro" e por isso capaz de ser "bom professor" novamente.

Em França tanto o Director da escola como o representante dos pais acharam normal a decisão: "pessoal e legítima" e que "não afecta a competência profissional". Concordo. Se bem que ache que vai afectar pelo menos a forma dos alunos olharem para o professor(a). Isto sem falar nas formas do professor(a).

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Alunos e professores portugueses têm mais tempo de aulas

Por ano, os alunos portugueses entre os 7 e os 14 anos têm um maior número obrigatório de horas de aulas do que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), mas a percentagem deste tempo que se encontra destinada à aprendizagem da leitura, expressão escrita, matemática e ciências está abaixo da do conjunto dos 32 Estados que pertencem àquela organização, revela o relatório sobre o estado da Educação - Education at Glance - divulgado terça-feira pela OCDE. Na edição deste ano, que tem como base dados de 2008, a OCDE privilegiou a aposta no ensino superior, salientando que mais formação poderá ser um antídoto contra o desemprego e baixos salários.

A maior diferença no número obrigatório de horas de aulas situa-se no grupo dos 7 aos 8 anos. Em Portugal tinham 855, enquanto a média dos países da OCDE era 759. Entre os 9 e os 11, este número passou por cá para 849 (802 na OCDE), nos 12 a 14 anos era de 800 ( 886 OCDE). Só aos 15 anos é que esta tendência se inverte, com a média na OCDE a ir às 902 horas e em Portugal a situar-se nas 872.

Entre os 12 e os 14 anos, do tempo obrigatório de aulas, 34 por cento é dedicado em Portugal ao ensino da língua portuguesa, matemática e ciência, quando no conjunto dos países da OCDE esta fatia se situa nos 41 por cento. Entre os 9 e os 11 anos, esta diferença é de quatro pontos, mas a percentagem de tempo consagrado a estas matérias é maior em ambos os casos - 44 por cento em Portugal, 48 na média da OCDE.

Dos países da organização, Portugal é, com a Coreia do Sul, aquele em que existe uma maior diferença entre os salários dos professores em início da carreira e aqueles que atingiram o escalão máximo, que ganham duas vezes e meia mais. À excepção dos docentes que atingem o topo da carreira, o vencimento anual dos outros professores estava abaixo da média da OCDE. Em 2008, no ensino público português um professor em início de carreira ganhou 19.033 euros, quando a média na OCDE foi de 25.417. No topo o seu vencimento anual chegou aos 48.864 euros (42.163 na OCDE). Um docente com 15 anos de carreira auferiu, em 2008, um vencimento anual de 31.157 euros (36.812 na OCDE).

No conjunto dos países da organização, os docentes tendem a ganhar menos do que outros profissionais com as mesmas qualificações. Em média, o número de horas de aulas que um professor deu por ano diminuiu entre 1996 e 2008, mas em Portugal registou-se o contrário. No ensino primário de 783 horas passou-se para 855 (786 na OCDE) e no ensino secundário de 574 para 752 (661 na OCDE).

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Programa de modernização vai abranger 370 escolas

O presidente da Parque Escolar, Sintra Nunes, anunciou hoje que no final de Abril estarão concluídas as obras de requalificação em 104 secundárias, estando previsto o alargamento do programa a 370 escolas, contra as 332 inicialmente estimados. Estudos mais recentes realizados com as direcções regionais de educação, que se encontram em fase de conclusão, “apontam para uma rede principal de 370 escolas secundárias”, afirmou Sintra Nunes, acrescentando que até ao final do ano será apresentado o faseamento e calendarização das fases seguintes do programa, que hoje entrou na fase 3.

O responsável da Parque Escolar falava na cerimónia de inauguração das instalações requalificadas da Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, durante a qual recebeu o apoio da ministra da Educação, Isabel Alçada, e do primeiro-ministro, José Sócrates, para prosseguir o trabalho que tem vindo a dirigir.

Hoje foram assinados contratos para intervenções em 17 escolas de vários pontos do país: Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Viana do Castelo, Vila Verde, Gondomar, Resende, Estarreja, Sever do Vouga, Monte de Caparica, Seixal, Mem Martins, Torres Vedras, Faro, Vila Real de Santo António, Lagos e Portimão.

Até ao final do ano, arrancarão obras em mais 58 escolas, estando o começo de outras 29 intervenções previsto até ao final de Abril de 2011.

A fase 3 corresponde a um investimento global de 1,57 milhões de euros, abrangendo 104 escolas, 15 mil professores, 130 mil alunos e 1,6 milhões de metros quadrados de área bruta de construção.

Com a conclusão da fase 3 ficarão abrangidas 209 escolas, alargando os números para 31 mil professores, 254 mil alunos, 3,1 milhões de metros quadrados de área bruta e 2,9 mil milhões de euros de investimento.

“Um esforço financeiro sem precedentes para o Estado português, vincou Sintra Nunes, manifestando disponibilidade para continuar o trabalho, mas enumerando também dificuldades, como facto de as obras decorrerem sem a escola encerrar e terem de conciliar projectos e orçamentos com “um vasto conjunto de nova legislação”.

“Não tem sido tarefa fácil conciliar a existência de um novo Código de Contratação, ainda sem jurisprudência sobre questões práticas de aplicação, com projectos de investimento de prazos muito curtos e múltiplos intervenientes”, disse.

Sintra Nunes disse ainda que das 74 intervenções abrangidas pela fase 2, a empresa estima que em 73 não seja ultrapassado o limite de cinco por cento para trabalhos a mais e que apenas seis ou sete obras ultrapassem os prazos finais em mais de um mês e meio.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Novos materiais pedagógicos sobre educação sexual começam a chegar às escolas em Novembro

A Associação para o Planeamento da Família (APF) deverá começar a fazer chegar às escolas os novos materiais pedagógicos para apoiar a educação sexual já a partir de Novembro. Trata-se de um conjunto de jogos, livros e dvd´s “com novas orientações técnicas, novas sugestões de actividades, pensados para cada nível de ensino”, destacou Cristiana Carvalho, da APF. Os novos materiais pedagógicos foram hoje apresentados num seminário promovido pela APF, na Universidade de Aveiro, e do qual saíram várias chamadas de atenção para a importância da educação sexual nas escolas.

Um dos apelos lançados partiu de Francisco George, director-geral de Saúde, que participou na sessão de abertura, juntamente com Manuela Sampaio, presidente da Associação para o Planeamento da Família, e Pedro Nobre, presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Cínica, entre outros.

Francisco George chamou a atenção para a importância da educação sexual nas escolas como formação para os afectos. “A educação sexual em meio escolar permite chamar a atenção para a importância dos afectos entre jovens entre si”, defendeu, durante a sua intervenção no seminário.

Relativamente aos novos materiais pedagógicos que irão ser disponibilizados aos estabelecimentos de ensino, constituem “um complemento aos kits de educação sexual já existentes” e “vêm permitir fazer uma série de actividades de forma dinâmica, o que possibilita que os jovens tenham um papel activo na aprendizagem”, sublinhou Cristiana Carvalho ao PÚBLICO. Para esta responsável pelo departamento de comunicação e imagem da APF, os complementos que irão ser encaminhados para as escolas que já dispõem de kits destacam-se ainda pelo facto de contemplarem “material específico para trabalhar a área das emoções e sentimentos, puberdade, e doenças sexualmente transmissíveis”, algo que não acontecia até aqui.

Disso são exemplo o jogo de cartas “Puberdade!E agora?”, dirigido aos alunos dos segundo e terceiro ciclos, ou o jogo interactivo “Será isto um bicho de sete cabeças?”, para o terceiro ciclo e secundário. E podem estes novos materiais pedagógicos ser alvo de polémica junto dos encarregados de educação que têm levantado algumas críticas à educação sexual nas escolas? Cristiana Carvalho acredita que não.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Escolas estão cheias de professores com "a vida adiada"

Há uma semana, a horas da publicação das listas de professores que se candidataram a responder às chamadas "necessidades transitórias" das escolas, Ricardo Montes, autor do blogue Professores Lusos, publicou um texto em que começava por dizer que, apesar de não ser sua intenção escrever naquele dia, iria deixar "umas palavrinhas". Nesse momento, estavam 149 pessoas online e a caixa de conversação do blogue fervilhava com as intervenções de professores ansiosos. Tinham razões para isso, como admitia Ricardo Montes. No dia seguinte confirmou-se que, dos 50 mil candidatos, menos de 18 mil ficaram colocados.

"Não fiquem, hoje, domingo, especados em frente ao monitor (...). Vão passear... Vão até a um café... Vejam um bom filme...", recomendou Ricardo Montes. Na caixa de comentários surgiram, de imediato, agradecimentos. "Antigamente, nos momentos de aflição, as pessoas iam para a igreja, agora os professores vêm ao teu blogue", escreveu alguém.

Fernanda Martins, de Vila Real, foi uma das professoras que passou horas de aflição colada ao computador, no domingo e na segunda-feira, primeiro a partilhar angústias e depois à espera da publicação das listas pelo Ministério da Educação. Professora de Português e Francês há 14 anos, faz parte do grupo de milhares de docentes que, ano após ano, só sabem no fim de Agosto se têm colocação; e, no caso de terem, se lhes será atribuído um horário completo ou incompleto, de quantas horas e em que escola (às vezes também em que concelho e mesmo em que distrito) terão de se apresentar daí a dois dias.

Para além da precariedade e da instabilidade, Fernanda encarna outra dificuldade que as federações de sindicatos não se cansaram de evidenciar e que este ano animou a vida parlamentar: a das ditas "injustiças" provocadas pela consideração, para efeitos de ordenamento na lista de candidatos, da avaliação de desempenho feita num ano de contestação ao modelo adoptado pelo Governo e em que as várias escolas o aplicaram com critérios diferentes.

Dirigente do Sindicato dos Professores do Norte, Fernanda não aceitou ser avaliada. Quando viu as listas ordenadas, descobriu que caíra 50 posições na lista dos candidatos a professores de Português e 30 na lista dos que concorriam para leccionar Francês. Um caso entre muitos. Sónia Maurício, de Coimbra, também achou que "não fazia sentido ir às manifestações e depois ser avaliada". Foi ultrapassada por 96 colegas de Matemática na lista para colocações.

Luís Juvenal Mendes, também a contrato, participou em tudo quanto era protesto, mas entregou os objectivos e pediu aulas assistidas: "Percebi que muitos se estavam a acobardar e me iam ultrapassar, apesar de não serem melhores professores do que eu. Seria uma injustiça."

É para pessoas como Fernanda, Sónia e Luís que a Federação Nacional de Professores (Fenprof) e a Federação Nacional da Educação (FNE) reclamam a abertura de um concurso extraordinário para colocação no quadro de professores que, acusam, estão a satisfazer necessidades permanentes das escolas, mas sem as condições a que, por isso, têm direito.

Os dirigentes da Fenprof sustentam a reivindicação com números: este ano foram contratados com horário completo e para todo o ano lectivo 13.974 docentes - muitos mais do que no ano passado (9663), em 2008 (4384) e em 2007 (2810). E isto acontece, denunciam, "porque, apesar de se terem reformado 15.210 professores desde 2007, apenas entraram nos quadros 396". "Não podemos fazer planos, assumir responsabilidades... É muito difícil não ceder à revolta. Até quando teremos de adiar a vida?", pergunta Fernanda.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Governo vai acabar com ensino recorrente

Foi com surpresa que Jorge Pires, ao chegar à escola, soube que o ensino recorrente vai terminar. As turmas de adultos que estudam à noite e que iam ingressar no 10.º ano já estavam feitas, quando chegou, em meados de Agosto, uma informação do Ministério da Educação a dizer para não se abrir novas turmas para este tipo de ensino, que tem vindo, ao longo dos anos, a perder alunos. Os que vão agora para o 11.º e 12.º anos vão poder terminar dentro desta modalidade, os que iam entrar terão outras alternativas, como os cursos de Educação e Formação para Adultos (EFA) e o Programa Novas Oportunidades.

"As turmas foram todas desfeitas. Eu não vou ficar prejudicado, mas as escolas estiveram a aceitar matrículas e agora há pessoas que vão ter que fazer outras opções", lamenta Jorge Pires, 26 anos, aluno do curso de Ciências Sociais e Humanas, que terminou o 10.º ano, à noite. Várias escolas da região de Lisboa  receberam uma circular, na segunda semana de Agosto, com a informação de que era para acabar com o recorrente no secundário, de maneira progressiva. "Com turmas já formadas, tivemos que contactar os alunos, um a um. Os que têm disciplinas em atraso tiveram que se inscrever de dia", revela a directora de uma das escolas, em Sintra, que prefere não ser identificada. No caso da escola de Jorge Pires, os alunos do 11.º e 12.º anos vão poder terminar a sua formação dentro deste tipo de ensino.

O Ministério da Educação (ME) não confirma nem desmente que o ensino recorrente vá acabar, mas informa que em 2005 o Governo "decidiu apostar" nos cursos de EFA e no Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, no quadro da Iniciativa Novas Oportunidades. Actualmente, existem três opções de ensino para os adultos: o recorrente "que tem registado uma diminuição gradual desde 2005", assinala a tutela; os EFA, "que, ao contrário, têm registado grande crescimento", e o Novas Oportunidades, que tem sido cada vez mais procurado. "Na realidade, o recorrente tem vindo a ser substituído pelas duas outras modalidades", adianta o ME, em comunicado.

Segundo dados disponibilizados, o número de alunos matriculados no ensino recorrente tem vindo a decair. Em 2007/2008 eram 2372 no ensino básico e em 2008/2009 eram apenas 125. Quanto ao ensino secundário, o valor caiu de 24.749 para 16.576. Em apenas um ano, o total de inscritos no básico e secundário, diminuiu de 31.319 para 16.701.

A aposta tem vindo a ser feita nas duas outras alternativas, com o Novas Oportunidades a crescer substancialmente. O objectivo do Governo é reforçar a oferta de cursos profissionalizantes para adultos, ao nível do 9.º e do 12.º anos, de forma a "abranger nestes percursos cerca de 350 mil adultos ao longo do período de vigência da iniciativa". Para isso, será necessário alargar a oferta de cursos EFA às escolas secundárias e sedes de agrupamento, "com forte incidência para a oferta de cursos em regime pós-laboral, e tem subjacente a captação para estes percursos do público que tradicionalmente procura o ensino recorrente (uma vez que neste quadro pode ser dada uma resposta formativa mais ajustada às necessidades dos públicos)", pode ler-se nas metas do Novas Oportunidades.

As primeiras experiências de recorrente foram feitas na década de 1980, com o 2.º ciclo na EPAL, Ministério do Trabalho e no distrito de Castelo Branco, recorda Vasco Alves, do ME. O alargamento ao 3.º ciclo é feita no final daquela década. Antes já havia ensino nocturno, igual ao que era feito de dia; o recorrente surgiu a pensar nos adultos que já estavam no mercado de trabalho. Trata-se de um ensino por módulos.


Fonte: Público

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Fusões geraram mega agrupamento de escolas “quase ingovernáveis”, diz sindicato

“Na nossa zona, há algumas fusões em mega agrupamentos de escolas que se tornaram excessivamente grandes, quase ingovernáveis”, declarou Fátima Carvalho, coordenadora da Delegação de Coimbra do SPZC, em conferência de imprensa.

Sem ter especificado a que mega agrupamentos se referia, a dirigente sindical disse não encontrar razões para determinados concelhos, como os de Arganil e Mealhada, ficarem com “apenas um agrupamento de escolas” quando Coimbra continua com “agrupamentos pequeníssimos”, que congregam “poucas escolas”.

“Tivemos uma reunião com a diretora regional de educação do Centro mas não nos foi dada uma explicação para isto”, disse.

A Lusa solicitou à DREC uma reação, que aguarda, às questões colocadas pelo SPZC.

A “diminuição de custos”, nomeadamente através da “redução dos órgãos de gestão e serviços administrativos” são as motivações que, na opinião do SPZC, estarão por detrás da decisão do Ministério da Educação (ME).

O novo estatuto do aluno, a intenção do ME de pôr “fim aos chumbos” dos alunos e as colocações e contratações deste ano letivo foram outras das questões abordadas no encontro com os jornalistas.

Fátima Carvalho acusou o ME de estar a “cometer uma ilegalidade” quando, ao nível da bolsa de recrutamento/contratação de escola, entende que “o período experimental em que o professor pode renunciar o acordo sem penalização é apenas no primeiro contrato de trabalho”.

“O período experimental é de cada contrato e não apenas do primeiro. Um professor pode terminar um contrato com uma escola e celebrar depois com outra, são contratos autónomos”, argumentou, acrescentando que, no âmbito da Federação Nacional da Educação (FNE), “serão pedidos esclarecimentos” ao ME.

Os “efeitos perversos” da contestada avaliação de desempenho na colocação dos professores é outra das questões abordadas pelo SPZC, que fala em “graves injustiças” e numa “avaliação injusta num processo pouco claro”.

Quanto ao novo estatuto do aluno, o SPZC entende que “não irá resolver todos os problemas de violência e indisciplina nas escolas”.

“Temos é que fazer grandes campanhas (contra a violência e indisciplina), voltar a dar autoridade aos professores, porque de ano para ano a situação piora, cada vez há mais professores ameaçados que passam por um stress enorme”, afirmou.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Fenprof denuncia erros no concurso

A Fenprof denunciou ontem alegadas irregularidades no concurso de docentes contratados. "Temos recebido várias queixas, porque foram retirados do concurso 4617 professores que não manifestaram preferência. Mas foram as escolas que os aconselharam a isso, prometendo-lhes a renovação do contrato", afirmou Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, instando as escolas a "assumir o erro e corrigi-lo".
A estrutura sindical recebeu ainda queixas de professores mais graduados, que ficaram no desemprego enquanto viram os contratos ser renovados a outros menos graduados.
"A lei não impõe critérios e os directores das escolas fazem o que entendem", explicou. Registaram-se situações de docentes que foram ultrapassados na lista graduada devido à influência do factor avaliação: "Temos o caso de uma professora que desceu 104 lugares na lista e não foi colocada".
A estrutura sindical revelou que este ano quase duplicou o número de docentes a contrato, de 9663 para 13 833. E estimou em 50 mil o total de professores a contrato, incluindo bolsa de recrutamento, contratações de escola e Actividades Extra Curriculares.
"Desde 2007 reformaram-se 15 210 docentes e ingressaram no quadro só 396", lamentou o dirigente, ameaçando com "acções fortes de rua". Ontem, a Fenprof lançou o ‘Guia de Sobrevivência do Professor Contratado’.


Retirado de CM

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Docentes a contrato duplicam

A Fenprof assinalou esta quarta-feira o dia de abertura das escolas com a promessa de protestos de rua face ao aumento de professores contratados e para pressionar o Governo a abrir concurso extraordinário em 2011.

"Vamos trabalhar para encetar acções de rua fortes pelos professores contratados e desempregados, com o objectivo de garantir que integram os quadros. Há um compromisso do Governo de abrir concurso em 2011 e nem nos passa pela cabeça que não se realize", afirmou Mário Nogueira, lembrando que desde 2007 reformaram-se 15 210 professores e só entraram no quadro 396.

A estrutura sindical revelou que foram contratados este ano 17 276 professores, quase o dobro dos 9 663 do ano passado. E Nogueira estimou em 50 mil o total de professores a contrato para este ano lectivo, incluindo os que serão contratados via bolsa de recrutamento, directamente pela escolas e os que integrarão as Actividades de Enriquecimento Curricular.

O dirigente acusa o Governo de "suprir necessidades permanentes das escolas com soluções provisórias para poupar dinheiro": "Este clima não é propício a que o professor tenha o melhor desempenho e isso reflecte-se na qualidade do serviço público de ensino."

Para apoiar os docentes com vínculos precários, a Fenprof lançou um 'Guia de Sobrevivência do professor contratado e desempregado'. Os contratados não evoluem na carreira e recebem sempre o mesmo vencimento: 1 373 euros brutos para um horário completo de 22 horas lectivas. Já um docente do quadro com 10 anos de carreira pode ganhar 1 864 euros brutos.

Retirado de http://www.cmjornal.xl.pt
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